Armada Argentina completa sua frota de Patrulheiros Oceânicos

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Com a chegada do ARA Contraalmirante Cordero (P54) à Base Naval de Buenos Aires, que ocorreu na manhã da ultima quita-feira, dia 02 de junho, a Armada Argentina completou sua frota de navios de patrulha oceânica multiuso da classe Gowind.

O ARA Contraalmirante Cordero é o quarto e último destes modernos OPV (“ocean patrol vessels”) adquiridos da França em 2019 e construídos pelo Naval Group. O primeiro foi o ARA Bouchard (P51, ex-L’Adroit), recebido em fevereiro de 2020; o segundo, o ARA Piedrabuena (P52), em junho de 2021; e o terceiro, o ARA Storni (P53), em dezembro de 2021.

O ARA Contraalmirante Cordero (P54), atracado na Base Naval de Buenos Aires, em 02 de junho (via Santiago Rivas)

Atualmente são os mais modernos navios da Armada Argentina e deslocam 1.650 toneladas, possuem uma tripulação de 40 pessoas, mas com capacidade adicional para embarcar mais 19, e possuem hangar adequado para operar com helicópteros de até 5 toneladas (tipo Fennec),  cabine de pilotagem para operar com helicópteros de até 10 toneladas (tipo Sea King) e podem operar com sistemas aéreos não tripulados. Para este último, a Armada Argentina incorporará inicialmente drone nacional, desenvolvido pelas empresas Cicaré, INVAP e Marinelli.

Como são navios de patrulha, portanto,  seu armamento é considerado leve, sendo que o principal é composto por um sistema Leonardo Marlin WS, equipado com um canhão automático Mauser Mk 30-2, calibre 30×173 mm, com cadência de 100 tiros por minuto e alcance máximo de até 6 km, e com sensores ópticos para operar em qualquer condição climática, dia e noite, e também conta com dois sistemas de armas remotamente controlados (SARC) naval Reutech Sea Rogue, cada um equipado com uma metralhadora Browning M2, de calibre 12,7×99 mm (.50′ BMG).

O sistema Leonardo Marlin WS, do ARA Contraalmirante Cordero (via Santiago Rivas)

Porém, são seus sensores embarcados que realmente se destacam e garantem um salto tecnológico em capacidades de patrulhamento marítimo na Armada. E estes são compostos por:

  • Radar de Vigilância Scanter 6002 para alvos aéreos e de superfície;
  • Dois radares de navegação;
  • Ponte integrada Wärtsila Nacos Platinum;
  • Sensor optrônico Safran Vigy Observer. Plataforma giro-estabilizada versátil, equipada com uma carga útil modular que inclui: imageador infravermelho, câmera de televisão colorida, telêmetro a laser e recursos de rastreamento automático de vídeo, proporcionando capacidade de visão em qualquer clima (dia, noite, neblina, etc.). Este sistema de alta resolução também pode ser escravizado para rastreamento de alvos de radar para fins de rastreamento;
  • Sistema IFF (identificação amigo/inimigo);
  • Sistema de Transmissão e Vigilância Automática Dependente ADS-B (Vigilância Automática Dependente – Broadcast);
  • Sistema Diferencial de Posicionamento Global (DGPS);
  • Sistema de Navegação Inercial (INS);
  • Equipamento Automático de Identificação de Navios (AIS);
  • Transceptor NIDL HF/UHF.

Outra característica de destaque é seu grupo propulsor, formado por dois motores diesel, de 7.500 HP, duas linhas de eixo Schottel, com hélice de passo controlável e sistema Noristar, dois geradores principais, dois geradores de cauda e um gerador de emergência, duas aletas estabilizadoras não retráteis, e este é plenamente adaptada à navegação nas águas frias da Antártica.

Vista da popa do ARA Contraalmirante Cordero (via Santiago Rivas)

Além disso, possui dois botes semi-rígidos Zodiac Hurricane ZH-935 IO, de 9 metros, que são lançados e recebidos rapidamente por uma rampa de popa, um barco de resgate semi-rígido e, de um lado do convés de vôo, existe um guindaste Guerra M350.24A4, com capacidade de 6.400 kg.

Estes navios foram adquiridos no âmbito do “Proyecto de Recuperación de la Capacidad de Patrullado Naval Marítimo”, realizado pela Armada, com objetivo de ampliar as capacidades de vigilância, controle e defesa dos recursos marítimos nacionais, entre outras missões, protegendo os recursos naturais do Mar Argentino e Antártica.

9 Comentários

  1. Argentina falida consegue entregar 4 navios patrulha enquanto aqui no Brasil vai ser entregue 1 e olhe lá o Maracanã olha que estava para ser entregue vários navios patrulha para marinha do Brasil mas como Brasil e Brasil foram cancelados e outro da mesma classe macae pra ser entregue 2024

    • Enquanto o EB é a FAB vão renovando seus meios com projetos sustentáveis e essenciais para execução das atividades principais, vemos a MB patinando com o programa Tamandaré, investindo R$ 1 bilhão ao ano (que agora está restrito à R$ 500 milhões devido aos cortes) no projeto do SN Álvaro Alberto (sem ao menos ter – ou planejar – uma pequena frota de convencionais) e, por fim, demorar 3 anos para finalizar cada NPa de 500 toneladas. Se não conseguem atender o básico, como manter um SN e um NAe (e não estou falando do A140).

    • Comparação sem pé nem cabeça. Nós estamos gastando rios de dinheiro no ProSub e estamos iniciando a classe Tamandaré, por isso o cobertor ficou curto para os navios patrulha. Os franceses tiveram que financiar de forma bem camarada esses 4 navios para os argentinos.

    • Cara você quer REALMENTE é não ironicamente, comparar o nível e a qustindade de programas estratégicos que o Brasil toca atualmente, e seus resultados efetivos, com a aquisição de 4 navios de patrulha pelos argentinos ? E ainda quer criticar a MB pelos patrulha quando está não tem culpa alguma (culpa teve o estaleiro que não teve competência para terminar os navios) e que está tendo que rodar a baiana para construir novas fragatas (que sozinhas tem mais poder de fogo do que toda a frota Argentina atual), submarinos estado da arte, novos navios de apoio antártico, o pro adsumus etc…. ?? Outra coisa meu amigo, esses navios não foram construídos na Argentina não, eles foram adquiridos na França, com altíssimos subsídios daquela nação para tentar “desencalhar” esse projeto que não interessou a ninguém. Sem isso, a Argentina não ia ter nem 1 desses navios sequer

  2. Meu caro ,temos 3 navios de patrulha oceanica classe Amazonas, ainda temos algumas fragatas, submarinos novos, navios patrulha 500 t classe Macaé deveriam ter sido feitos ,se não me engano, 27 e só rolou o Macaé e o Macau, tendo mais dois sendo terminados no AMRJ. Mesmo com os problemas e faltas de navios e tal, a MB está anos luz na frente da AA .

    • Concordo que nossa MB, não, nossas FA, estão em um nível bem acima das Forças Armadas Argentinas.
      Mas isto não tira o mérito de um país que sofre com dívidas, calotes, inflação, desinvestimentos e populismo, em priorizar a segurança de sua ZEE. Esta embarcação é moderna e possui um grau de automatização que nossa classe Amazonas não tem, reduzindo o número da tripulação permanente.

  3. “Populismo”? eu evito ao máximo, comentar de assuntos polêmicos em meios como este, até porque as pessoas não são obrigadas a ficar ouvindo certos assuntos. Mas apesar de eu não falar minhas preferencias politicas e ideológicas no comentário a seguir, eu não pode deixar essa passar…”MMerlin”…”populismo” não é sinônimo de ruim ou mau, assim como não necessariamente…não é sinônimo de coisa boa, “populismo” é neutro.
    A questão não é o populismo em si, mas sim… quem é o populista, e para que finalidades ele usa desse seu “populismo”.
    Eu posso te dizer que muitos impérios e potencias, econômicas, industriais e militares, ao longo da historia, foram criadas por pessoas que hoje sem a menor sombra de duvidas seriam chamados de “populistas”…

    • Senhores, por favor, não irei mais permitir mensagens que desviem do foco do assunto defesa, que é o objetivo deste site.
      Agora sobre “populismo”, já que acabei não publicando uma resposta completamente equivocada do MMerlim:
      Esse termo é recorrente em praticamente todos os governos latino americanos nas ultimas décadas, inclusive do Brasil (incluindo aí o ATUAL governo), e sua utilização como um termo pejorativo ao nosso vizinho demonstra apenas sua ignorância sobre o assunto!

  4. Linda Frota, que a Argentina posso ase recuperar e adquirir novos meios em breve também, ainda mais se forem submarinos Brasi… Ops kkkkkk.

    Uma Argentina forte e um Brasil forte também todos juntos na defesa do Atlântico.

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