A visão estratégica da Força Aérea Brasileira

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Pouquíssimas nações no planeta, principalmente dentre aquelas chamadas dos países emergentes, possuem a pujança de uma indústria aeronáutica muito desenvolvida e relativamente independente em relação a outros países, com capacidade de projetar, desenvolver, produzir aviões de pequeno e grande porte e integrar sistemas, além de suportar a sua operação, manutenção e modernização ao longo de todo o seu ciclo de vida.

Basta analisar que, dos 39 tipos de aeronaves em operação na Força Aérea Brasileira (FAB), 20 são de fabricação nacional ou tem participação direta da Base Industrial de Defesa (BID).

Em qualquer análise geopolítica regional, esse em si já é um argumento de elevado poder dissuasório.

Durante o Seminário de Defesa Nacional, organizado no Campus de Brasília da Escola Superior de Guerra, em 23 de novembro passado, o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, comentou sobre a Concepção Estratégica Força Aérea 100 (DCA 11-45), que apresenta as diretrizes de alto nível que nortearão os rumos da FAB até o ano de 2041, quando celebrará os seus 100 anos de existência. Além disso, falou sobre os eixos estratégicos que direcionarão os elementos que compõe o Plano Estratégico da Aeronáutica, o PEMAER (2018-2027), que em conjunto com a Concepção Estratégica, orienta de forma integrada as ações a serem desenvolvidas pela FAB, definidas por uma metodologia científica que avalia os impactos diretos na sua operacionalidade.

Hoje, 18 projetos estratégicos estão em andamento ou em desenvolvimento, sendo divididos em três grandes áreas: Os Meios de Força Aérea, Infraestrutura Aeroespacial e Tecnologia Aeroespacial.

Os meios de Força Aérea

Ao todo são oito projetos.

O ARP-REC visa o desenvolvimento de um Sistema de Aeronave de Remotamente Pilotada voltada para o reconhecimento, capaz de voar a grandes altitudes, controlado via satélite, operando em rede e com elevado alcance operacional.

O primeiro E-99M entregue para a FAB. Foto: Embraer

Um dos objetivos é o de desenvolver novas capacidades entre as empresas da BID para vetores com essas características, em um programa que pode envolver a parceria com outro país.

O E-99M, por sua vez, consiste na modernização das cinco plataformas de Alerta Aéreo Antecipado e Controle (AEW&C) em operação na FAB. O primeiro foi entregue no dia 28 de novembro de 2020 e recebeu uma série de atualizações que melhoraram o processamento das informações, ampliaram a capacidade de detecção de alvos menores e modernizou a suíte de contramedidas eletrônicas. O segundo foi recebido em 17 de dezembro de 2020.

Já em relação ao programa do KC-390, a FAB recebeu em 19 de dezembro de 2020 o quarto exemplar de um total de 28 aeronaves. O avião de transporte tático que substituirá a frota de Lockheed Martin C/KC-130 Hercules em operação no Brasil deve ter as entregas concluídas em cinco anos, com a previsão de três exemplares em 2021, três em 2022, quatro em 2023, três em 2024, quatro em 2025, quatro em 2026 e três em 2027. Em termos econômicos, o novo transporte tático da Embraer tem mercado projetado em 300 exemplares em 70 operadores pelos próximos 20 anos, gerando receitas de US$ 21 bilhões.

Foto: FAB

A perspectiva é que esse volume gere em torno de R$ 2,4 bilhões em impostos, tendo o programa do mais complexo e maior avião já desenvolvido e produzido em todo o Hemisfério Sul criado 1.430 vagas de empregos diretos e 7.150 indiretos na fase de desenvolvimento, além de 1.060 empregos diretos e 5.300 indiretos na produção em série da aeronave.

A FAB também comemora os progressos do programa F-X2. Sendo um dos projetos que mais gerou transferência de tecnologia ao longo de toda a sua existência, a expectativa é que a entrada em serviço do caça reduza os custos logísticos, os custos operacionais e exija menor quantidade de pessoal de solo para manutenção e operação diária da aeronave, que terá maior disponibilidade na linha de voo. A FAB prevê novas encomendas do Gripen E/F, ampliando a frota inicial que será de 28 Gripen E e oito Gripen F, substituindo os remanescentes F-5EM/FM e AMX A-1AM/BM.

Para 2021 está prevista a chegada de quatro exemplares do Gripen E, seguido por sete em 2022, seis em 2023, oito em 2024, nove em 2025 e dois em 2026.

Foto: MBDA

O programa impactou na geração de quatro mil empregos diretos e 27 mil indiretos. A FAB também adquiriu dois simuladores de voo e suporte logístico para os cinco primeiros anos de operação.

Atrelado ao Gripen está a compra do míssil ar-ar BVR de nova geração, de radar ativo, MBDA Meteor. A escolha se deu pelos requisitos impostos de um armamento com grande capacidade de engajar e destruir alvos de elevada manobrabilidade e velocidade, grande alcance e operação plena mesmo em ambientes saturados por contramedidas eletrônicas. O Meteor colocará a FAB num patamar dissuasório muito elevado em termos regionais.

 

Foto: Divulgação

Ainda em relação ao F-X2, o Brasil possui em desenvolvimento o programa do Míssil de Cruzeiro de Longo Alcance (MICLA-BR), baseado no míssil tático de cruzeiro AV-TM 300 da Avibras para o Astros 2020, que deverão estar operacionais até 2022 no Exército.

Ainda não foi divulgado um cronograma para essa nova arma que ampliará ainda mais a capacidade dissuasória do Brasil, entretanto o sistema é previsto para ter 300km de alcance, dispor de navegação e controle por coordenadas referenciadas, com sistema inercial/GPS e um backup de navegação por correlação de imagem. O míssil pode receber sensor de proximidade infravermelho ou radar de abertura sintética com câmera na faixa do visível/IR ou sensor magnético.

Em termos aeroespaciais, o Lessonia-1 constitui num subprograma do PESE (Programa Estratégico de Sistemas Espaciais) do Ministério da Defesa, que visa o lançamento de uma constelação de satélites de sensoriamento remoto por radar, de alta resolução e órbita baixa, capaz de coletar informações detalhadas de áreas e objetos de interesse militar dentro e fora do território nacional; fazer inteligência; monitoramento da Amazônia; controle ambiental; controle de agricultura; controle de fronteiras; controle de tráfego marítimo; aplicações em hidrologia, oceanografia, cartografia e estudos urbanos e outros. O orçamento previsto é de R$ 578 milhões ao longo de cinco anos.

O projeto está em fase de concepção e o seu lançamento é previsto para ocorrer em 2026.

Já o Veículo lançador de Microssatélites é destinado ao lançamento de cargas úteis de até 150kg em órbitas equatoriais ou de reentrada. Desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em conjunto com o DLR-MORABA alemão, é constituído por um foguete de três estágios. Os dois primeiros são compostos pelo motor S50 de fibra de carbono, com 12 toneladas de propelente. O último estágio é o motor S44, do VLS-1 brasileiro. O orçamento estimado é de R$ 143 milhões.

Infraestrutura Aeroespacial

Ao todo, nesta categoria, são sete projetos.

Relacionado ao KC-390 e ao programa do F-X2, foram feitos investimentos para adequar, ampliar e modernizar a capacidade e infraestrutura da Ala 2 em Anápolis, hoje uma das principais bases da FAB que conta com um esquadrão de reconhecimento; um de AEW&C e sensoriamento remoto; um de transporte com o KC-390; um de caça (se preparando para receber em breve mais uma segunda unidade de caça); e um grupo de defesa antiaérea.

Foto: FAB

Novos prédios, pátios de aeronave, iluminação, torre de controle, paiol, segurança interna, hangares, hangaretes de linha de voo dentre outras melhorias estão sendo realizadas.

Já em 18 de agosto de 2020 a FAB inaugurou em Corumbá (MS) o chamado Radar de Defesa Aérea, que apesar do nome tem aplicação dual, ou seja, para o segmento militar e civil.

Desenvolvido no Brasil, o radar tem as funções de vigilância e controle de interceptação, aproximação de precisão e de direção de tiro, ampliando a cobertura radar do território nacional, melhorando a vigilância da fronteira seca e, principalmente, permitindo a detecção de aviões provenientes da Bolívia e do Paraguai em voos ilícitos a baixa altura.

Foto: FAB

O ATN-BR, por sua vez, representa a modernização da FAB nas redes de comunicação operacional baseados em IP, dados e voz, impactando em eficiência, agilidade e aumentando a segurança para o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB).

A FAB também está criando, em Guaratinguetá, um Centro de Controle de Aproximação (APP) unificando São Paulo e Rio de Janeiro, que gerenciam a maior concentração do tráfego aéreo nacional. Além de proporcionar a inauguração de uma estrutura moderna e mais adequada, o local vai gerar ganho de eficiência em termos de recursos materiais e humanos.

Para o ADS-B Continental, a FAB está implantando o sistema atendendo todo o espaço aéreo continental para operações em rota e nas Áreas Terminais (TMA) que englobam grandes aeroportos. O ADS-B vai complementar a vigilância por radares existente no país, propiciando a cobertura e identificação de aeronaves a uma distância e altitude que os sistemas convencionais de radares podem não abranger, bem como transmitindo informações entre a aeronave e o órgão de controle com uma frequência de atualização muito maior.

Em termos operacionais, a FAB pretende ampliar a Centro de Provas Brigadeiro Velloso, localizado numa área de 22 mil km2 na Serra do Cachimbo, no estado do Pará.

O Centro já é utilizado para o treinamento e emprego de material bélico da FAB, mas o programa denominado Estande Operacional visa ampliar essas capacidades incluindo a instalação de sensores para melhorar o realismo do adestramento das tripulações, com uso de sistemas eletromagnéticos.

Desde 2019, o Brasil está trabalhando para explorar, de forma comercial, o Centro de Lançamento de Alcântara, que fica estrategicamente localizado próximo a linha do Equador, no estado do Maranhão. Além da boa meteorologia em grande parte do ano, com uma pista de pousos e decolagens de 2,6km de extensão, os foguetes são lançados em direção ao mar com possibilidade de abertura de mais de 100º de azimute, requerendo até 30% menos combustível em cada operação.

Os passos para a sua utilização comercial incluíram o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, assinado entre o Brasil e os EUA, que tratou do uso comercial do futuro Centro Espacial de Alcântara (CEA) com governo ou empresas privadas e buscar a maior convergência possível de interesses entre os países. Vale lembrar que, em 2017, esse mercado faturou US$ 3 bilhões nos EUA. Hoje, esse segmento é estimado em US$ 340 bilhões em termos mundiais. Até 2045, deve crescer para US$ 2,7 trilhões. Para os próximos dois anos são esperados em torno de 600 lançamentos em todo o mundo.

Foto: FAB

No CEA serão oferecidos serviços de suporte logístico, integração e testes finais de carga útil; lançamento de objetos espaciais; previsão meteorológica; coleta de dados via telemetria; rastreio; sistema de comando e controle e demais tecnologias em atendimento à exploração espacial. Hoje o local conta com uma base de lançamento, mas pode receber outras cinco havendo demanda.

O projeto prevê a melhoria na infraestrutura aeroportuária, viária, portuária e de acomodação e hospedagem.

Tecnologia Aeroespacial

Nesta categoria estão os três últimos dos 18 projetos estratégicos da FAB.

Em termos espaciais, o PROPHIPER consiste nos constantes avanços, estudos e desenvolvimentos da FAB no campo de um demonstrador tecnológico de uma aeronave com propulsão hipersônica.

O protótipo da aeronave não-tripulada e hipersônica 14-X, em referência ao 14-bis de Alberto Santos-Dumont, possui um motor scramjet que é integrado à fuselagem. O Brasil é um dos poucos países que hoje percorrem os caminhos para dominar, no futuro, essa tecnologia que é considerada importante na colocação de satélites em órbita ou em voos suborbitais. O objetivo é que a aeronave atinja 12 mil km/h e 40km de altitude.

A FAB também tem sob a sua responsabilidade outros dois programas que terão uso conjunto nas Forças Armadas Brasileiras. O primeiro deles é o IFF Modo 4, incluindo o transponder a ser embarcado na aeronave. O sistema é fundamental nas operações em ambientes com elevada densidade de tráfego aéreo, aumentando a consciência situacional e evitando o fratricídio. Os trabalhos são coordenados pelo IAE, que se tornou a primeira instituição pública brasileira a desenvolver um equipamento aviônico.

Já o Link-BR2 é o datalink de desenvolvimento nacional e que será, no futuro, integrado em todas as plataformas aéreas, terrestres e navais, permitindo o compartilhamento de informações de radares, troca de mensagens, vídeos além de outras aplicações táticas, como o conhecimento do posicionamento e localização de cada força amiga disposta num mesmo ambiente operacional.

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24 Comentários

  1. Artigo sensacional ! Sobre o vant falcão da avibras, a empresa esclareceu o que aconteceu ? Foram alocados milhoes de reais e não temos nenhuma informação desse vant.

  2. E tudo começou com um visionário lá nos anos 50, com a criação do ITA. Brigadeiro Casemiro Montenegro!

  3. Realmente grande visão “estratégica” da FAB.
    Cancelando armamentos nacionais para investir em importados, ao invés de evoluir sistemas e projetos que já dominamos como exemplo do AMX, radar SPC-01, giroscópio a fibra óptica, VLS, L-75, Vant Falcão etc, adquiri novos projetos importados para montar localmente.
    O próprio 14-X que é hiper estratégico e deveria ser lançado este ano, vem se arrastando há anos (diga-se de passagem que o mesmo se encontra pronto para lançamento há anos), o mesmo serve para o sistema “terra” de geradores nucleares para exploração espacial, missão Aster etc etc etc.
    O próprio “aluguel” da base de Alcântara e entrega para “testes” do motor L-75 na Alemanha vão em contramão desta tal “visão estratégica da FAB”.
    Visão estratégica e priorizar o desenvolvimento local e autóctone de armamentos e sistemas com o mínimo de envolvimento internacional possível e não ao contrário.
    Veja o Japão por exemplo que está desenvolvendo a 6 geração de caça baseado no J2 que evoluiu do F-16 norte americano.
    Um projeto local com mínima participação estrangeira, e quando tem é em sistemas que não são críticos.
    O mesmo serve para Índia, China, Turquia etc.
    Acho que a “visão estratégica da FAB” está meio míope e precisa de lentes para melhor foco!

    • Interessante você não citar especificamente o MAR-1, pois até hoje eu não sei o motivo dele ter sido cancelado.

    • Foxtrot,

      Eu acho que toda a análise deve levar em questão vários aspectos.
      Não vou comprar o Brasil com o Japão que possui décadas de uma política de desenvolvimento e investimentos na indústria de defesa e aeroespacial. Devemos lembrar que, apesar dos esforços dos militares, temos as (muitas) crises que enfrentamos e os importantes contingenciamentos que passa o setor de defesa.

      Com o AMX a FAB mais investiu em desenvolvimento nacional do que na compra de um novo vetor de combate. Isso há mais de 30 anos. O objetivo ter ter tecnologia em vários segmentos.

      Cada novo programa, cada nova modernização, o foco é o de avançar no domínio do conhecimento.
      O KC-390 é um exemplo, assim como as modernizações nos F-5EM e AMX. Nossos E-99 estão passando por modernização menos de 20 anos após entrarem em serviço.

      Antes de termos uma indústria que saiba fazer mísseis, motores, aviões, foguetes etc, precisamos de uma política de Estado (não de governo como foi por muitas décadas) para que os investimentos continuem não importando quem está no governo.

      O que adianta as empresas investirem, contratarem, criarem estrutura e tudo mais se depois sofrerem atrasos nos pagamentos. O que adianta a FAB conceber os seus programas de aquisição, de modernização e de desenvolvimento se não houver verbas para isso? Toda uma cadeia deve andar junta, senão não funciona mesmo, seja aqui, no Japão ou onde quer que seja.

      A FAB como um todo está num outro patamar tecnológico e doutrinário, coisa que há 20 anos não era assim. A FAB como um todo está num mesmo padrão. Muito deve ser feito, temos um longo caminho, mas analisando o momento atual e o que vem pela frente, estaremos ainda mais evoluídos tecnologicamente e doutrinariamente. Veja que apesar dos atrasos, tudo está saindo. Não está necessariamente parado, suspenso ou cancelado.

      A despeito das crises, dos contingenciamentos, o planejamento estratégico e de longo prazo fez com que a FAB chegasse até aqui desenvolvida. Os trabalhos não param.

      • Caro João Paulo entendo sua ótica, mas a meu ver não é bem assim.
        Investimentos há, e a prova disso são os milhões gastos em armamentos importados para o Gripen, a aquisição de projeto e industrialização do Gripen via T.O.T, a recente aquisição de um satélite SAR, o SGDC e seus centros de controle etc etc etc.
        No caso Gripen, não precisaríamos comprar o projeto e industrialização, e sim apenas um lote pronto a medida que se desenvolve uma evolução do AMX (o que prévia o FX1, diga-se de passagem. Ou mesmo um projeto de quinta geração).
        Jogar a culpa em cortes de verbas é muito fácil, porém quando há verbas nossos militares visam sempre importações.
        Gastaram uma fortuna em projetos de desenvolvimento como MAR-01, A-Darter, Giroscópios a fibra óptica, sistemas de navegação e controle, foguetes, satélites etc etc etc para depois cancelarem em detrimento de importações.
        Assim realmente não há indústria que resista.
        Uma visão estratégica é sempre buscar autonomia de fornecedores de qualquer espécie e de qualquer nação, e hoje não é o que vemos.
        Hoje mais do que nunca o Brasil e suas forças armadas são dependentes das grandes nações ocidentais.
        Seus sistemas de defesa, veículos, armas e indústria estão ou em partes ou em sua totalidade na mãos das estrangeiras.
        A própria FAB está desenvolvendo produtos estratégicos como o LINK-BR2 e IFF Mod4 com a AEL que pertence em sua totalidade a Elbit .
        Não há um só cado na história da humanidade de uma nação que tenha sobrevivido ou mesmo prosperado sendo dependente de outra nação, e ao que parece nossos militares não aprendem isso, ou se aprenderam já esqueceram.
        Não adianta montar localmente sistemas tecnológicos que permanecem sob o domínio de suas empresas internacionais.
        A própria indústria automobilística já deu exemplo disso.
        Na crise da Fiat italiana, quem salvou a matriz foi a Fiat mineira que revertia divisas para manter empregos e salários na Itália.
        Desculpa caro amigo, mas sim, os militares de hoje possue grande parcela de culpa na situação do desenvolvimento autóctone nacional.
        Não vejo um país como África do Sul por exemplo deixando desnacionalizar suas indústrias de defesa tão passivamente, ou seu centro espacial e seus projetos.
        Não vejo países como Índia deixando de investir em sistemas próprios para investir as poucas verbas em armamentos importados.
        A própria Índia é um excelente exemplo, ao passo que adquire de todo o mundo (literalmente), investe em seus sistemas, fazendo com que sistemas locais sejam implantados e casados com sistemas importados, diferente do que acontece hoje.
        Se ao menos nossos militares comprassem pequenas quantidades de equipamentos importados até o término e aquisição dos nacionais tudo bem,as não é o que acontece.
        Resumindo, saudades dos anos 80 onde realmente se tinha uma visão estratégica e de nação para esse país.
        E onde nossos militares estavam.ewuipados em sua grande parte por equipamentos desenvolvidos por empresas que realmente eram nacionais.
        Como disseram abaixo, não tenho fé nas atuais organizações militares nacionais da atualidade,quem sabe no futuro haja uma reversão, mas na atualidade esquece.
        Nem vou falar das organizações políticas porque está já não tenho fé há anos!

      • Te pergunto caro João Paulo.
        Quantos kits SMKB daria para comprar com as verbas que a FAB gastou nas bombas Spice ?
        Quantos MAR-01 dariam para comprar com as verbas gastas no Meteor?
        Quantos Kits,s FPG-82 comprariam com as verbas da Lizard ?
        Quantos A-Darter compraríamos com as verbas gastas nos mísseis para o Gripen?
        Quantos sistemas de Vant Falcão compraríamos com as verbas gastas nos Heron 450 e 900?
        Olhando pelo lado industrial (e faço parte deste lado), para que essas aquisições?
        Para o Gripen voar com esses sistemas inertes ?
        Pois o Brasil não está em guerra com ninguém, não entrará em guerra amanhã e conhecendo nossa cultura nunca entraremos.
        Não se pode desenvolver algo localmente para adquirir na necessidade, deve-se desenvolver adquirir em grandes quantidades .
        É bom para economia, para as FAAs , para o país e exportações.
        Se tivessem investido pesado nestes sistemas descritos por mim e outros, a indústria muito provavelmente estaria desenvolvendo versões da SMKB com asas de planeio e propulsão, Trojano com guiagem GPS/INS, Glonass, Galileo, Falcão de ataque e Satcom, MAR-01com link de dados e quem sabe versões Solo/Ar, supersônica, Além do visual, FPG-82 com guiagem terminal semelhante as Spice etc etc etc.

        • Seu comentário é contraditório. Numa linha escreve: “Pois o Brasil não está em guerra com ninguém, não entrará em guerra amanhã e conhecendo nossa cultura nunca entraremos.”…..logo em seguida, vc escreve: “Não se pode desenvolver algo localmente para adquirir na necessidade, deve-se desenvolver adquirir em grandes quantidades “….
          Afinal, entraremos em conflito com alguém, algum dia, ou não? Vc parece confuso nesse sentido. Vc comparar o MAR-1 com o Meteor é o mesmo que comparar um cacho de bananas com uma dúzia de laranjas….o correto é Hermes 450 e 900, não Heron. O UAV da IAI é que é o Heron.

          • Caro Flanker já tivemos o mesmo debate em outro fórum, vou tentar mais uma vez te explicar.
            Quando digo que não precisamos de armamentos nenhum para “ontem” (sentido de urgência), estou dizendo que temos tempo de sobra para desenvolver localmente, e se é para comprar que compre o produto nacional que gerará empregos e divisas para o país.
            Se vão comprar algo de fora, que seja em pequenas quantidades.
            Não estou comparando o Meteor com o MAR-01, pois realmente seria injustiça tecnicamente falando.
            Estou comparando os valores dos mesmos, pois um dos argumentos é a falta de verbas, porém há verbas para comprar o Meteor que é mais avançado tecnologicamente e consequentemente mais caro.
            Por fim, obrigado pela correção, porém quando se escreve no celular corre-se este risco

        • Olá Foxtrot,

          Na minha opinião, para chegarmos a um determinado nível, precisamos percorrer outros, ou seja, já dominamos muito bem certas áreas, mas engatinhamos em outras. Para que tenhamos autonimia em tudo isso (eu certamente não estarei vivo para ver), precisaremos de décadas de investimentos em estudos, alguns em fundo perdido, para desenvolver uma massa crítica e a partir daí conceber os itens que satisfaçam as nossas necessidades.

          Estou lendo um livro interesante em que, em plena Guerra da Coreia, havia reclamação dos pilotos por parte do sistema de armas do F-86 Sabre (em especial os canhões e a mira). Ou seja, demorou até que os EUA chegassem a um nível desejável de mira para os seus caças a jato. Ou que desenvolvessem radares avançados, ou mísseis precisos. E dependeram de estudos de outros países, da Alemanha no caso do Sabre, para ter um ponto de partida para o futuro. É um processo, uma caminhada.

          Usando seu exemplo, a AEL é subsidiária da ELBIT, mas está no Brasil e os funcionários são brasileiros. A massa crítica está aqui e no final é isso que importa. No futuro, eu provavelmente não estarei aqui para ver, quem sabe tenhamos empresas que produzam mísseis, ou motores, etc.

          Sobre o Brasil não entrar em guerra, falo para vc da palavra dissuasão. ter um caça como o Gripen armado com o Meteor (uma arma que nem americano tem) é o mesmo que ter um seguro de carro. Vc paga para querer não usar. Mas paga. Defesa é assim. Vc mantém para garantir a sua soberania. Vc tem avião, navio e tropa de prontidão, treinada e bem equipada, para nunca ter que precisar usar.

          • Olá João Paulo, concordo em partes com você, porém só há como evoluir em qualquer área com investimentos na indústria nacional.
            E não é o que está acontecendo hoje, e como escrevi, pontos de partida tínhamos muitos (AMX, Mirrage, F-5, Xavantes etc etc).
            Sendo assim não haveria necessidade de partir praticamente do zero e reinventar a roda.
            Te digo pois trabalho com maquias ferramentas e sou engenheiro, e em engenharia costumamos dizer que o difícil é fazer o primeiro o resto é só cópia.
            Se continuarmos neste caminho sempre viveremos reinventando a roda, gastando fortunas e dependeremos sempre de alguém.

          • Joao Paulo, desculpe intrometer no assunto, mas voce dizer que no caso da AEL, so pelo fato dela estar no Brasil e ter muitos técnicos brasileiros trabalhando que isso e o importante, com o perdao da palavra, me parece mostrar uma ingenuidade sem tamanho do que ocorre nos bastidores da indústria de defesa. Nesse ramo ninguem esta para brincadeira. Basta olhar os quadros da empresa – AEL -que vc vera que existem estrangeiros em posicoes criticas dentro dela, que porventura podem ter acesso irrestrito ao projeto. O que seria de se esperar, já que os donos dela (uma empresa israelense, que tem envolvimento com o governo de israel) sao que indicam cargos chave da empresa. O certo e que apenas empresas nacionais, de capital humano e de posse nacionais,( blindadas de interferências externas) tivessem envolvimento em programas estratégicos (ou seja, que contenham tecnologia sensível) das forcas armadas. Escrevo isso na esperança de que pessoas dentro do alto comando vejam e reflitam nesse ponto crucial. Nao sei se vc e militar, mas se for, poderia me explanar como a aeronáutica lida com esse paradoxo? Entregar o acesso a tecnologias e programas críticos de estado a entes estrangeiros? E aproveitando, se for militar, pode me explicar como permitiram a venda recente de empresas estratégicas como a atmos a uma empresa de capital estrangeiro?? Nao há algum dispositivo legal que impeça esse tipo de transação?

        • Foxtrot, quanto ao Meteor e o MAR-1, mesmo que o míssil brasileiro fosse muito mais avançado tecnologicamente que o europeu e fosse adquirido pela FAB, em detrimento do Meteor, ainda assim a FAB continuaria precisando de um míssil BVR para os Gripen!! Quando falei em comparar bananas com laranjas foi nesse sentido……o missil europeu é ar-ar BVR e o míssil brasileiro é antiradar……são incomparáveis…..um não substituí o outro!

  4. Excelente artigo, mas infelizmente precisamos de muito ainda, para termos uma força aérea eficiente.

    A começar com o investimento nos caças Gripen, nos caças Super Tucanos e em drones.

    Estamos muito pra trás ainda, a realidade é essa, e se não houver investimentos pesados neste setor, a nossa FAB será praticamente irrelevante para defender e proteger todo o nosso espaço aéreo.

  5. Tenho uma dúvida bem pontual, que se refere aos trilhos de pontas de asas do Gripen brasileiro. Nas fotos dele ainda na Suécia, o desenho dessas estruturas eram idênticos aos exemplares do Gripen E suecos. Entretanto, comparando as mesmas estruturas no mesmo exemplar brasileiro, agora aqui no Brasil, elas estão com desenho diferente, mais delgadas/finas. Alguém saberia explicar o motivo dessa mudança?

  6. Fico imaginando como estaria nossas forças armadas hoje, principalmente a Força Aérea Brasileira, se lá trás, os representantes do povo, pensasse e desse um olhar mais digno no que tange nossa indústria de defesa e investimentos de defesa. Isso mostra que mesmo com os problemas que temos, nossas forças armadas dão o melhor e se esforçam para se manter na atualidade. Meu desejo é que nossas forças armadas cresça cada dia mais. Parabéns pelo artigo.

  7. Eu sinceramente já perdi as esperanças nas nossas forças armadas.
    Boto fé nas forças armadas dos EUA, Reino Unido e do Japão, mas do Brasil infelizmente não. Perdi a fé. Perdi as esperanças nas nossas forças.

  8. Parabéns caro Canarinho.
    Canso de dizer isso, mas nas mentes deturpadas da sociedade, militares e políticos nacionais, basta estar no Brasil, pagar impostos e ter intenção de outros que é “nacional” e estratégica.
    Vimos que quando a Bombardier seria vendida em sua totalidade o governo canadense impediu e investiu na empresa.
    O mesmo ocorreu com a Anskor (acho que é esse o nome) Sul Africana etc etc etc.
    Essa ótica se entende baseada numa óptica privativista, desnacionalista e entreguista.
    E o pior é que estão entregando todos os programas que deveriam ser estratégicos e mobilizadores nacionais para as multi estrangeiras.
    Isso para não falar em instalações como Alcântara.
    Triste !

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