Quando o assunto na defesa são os drones, o pensamento imediato que vem à cabeça de qualquer pessoa é o desenvolvimento que a Ucrânia realizou com drones aéreos, utilizando-os como armas multifuncionais.
Missões antipessoal, antiaéreas, antimaterial (prédios, veículos leves e blindados, aviões no solo e outros) e antinavio contam com sistemas remotamente comandados, controlados por batalhões que, em sua estrutura, possuem regimentos compostos por drones.
Mas duas cenas chamaram a atenção em vídeos postados recentemente na internet.
A primeira mostra um soldado ucraniano, ferido, sendo evacuado por um drone terrestre. Devagar, o veículo, montado sobre esteiras, se desloca em um terreno irregular, mas mantendo a sua estabilidade e mobilidade. Logo atrás, um outro drone, com rodas, se desloca mais rapidamente, no que aparenta ser uma escolta.
Já a segunda é ainda mais impactante. Uma senhora caminha com dificuldades por uma estrada de terra. Sozinha e usando duas bengalas, a idosa parece estar fugindo de uma área de combates. A cena é percebida por um drone que sobrevoava o local e que envia, imediatamente, um sistema terrestre para resgatá-la.
Para várias tarefas, esses sistemas se mostram a solução ideal. Eles não sangram. Não sentem medo. Não precisam dormir em um abrigo para se proteger das intempéries. E a sua utilização na linha de frente, em alguns casos inseridos na área quente dos combates, reduziu a exposição dos combatentes.
A própria Ucrânia desenvolveu uma linha de drones terrestres para aplicação militar. A versatilidade chama a atenção. A modularidade desses sistemas permite que a mesma plataforma seja configurada para múltiplas tarefas, como evacuação de pessoas ou feridos, apoio de fogo, reconhecimento, transporte, comunicação, guerra eletrônica e operações antiminas.
A Termit, com sede em Kiev, possui o seu drone em serviço em mais de 20 brigadas das Forças Armadas da Ucrânia, transportando uma média de 30 toneladas por mês. O sistema pesa 280 kg, tem autonomia de 12 horas, se desloca a 10 km/h e pode ser controlado a uma distância de até 20 km. Em termos de carga paga, pode levar até 300 kg.


A DevDroid possui uma linha de sistemas voltados para o apoio de fogo, podendo receber metralhadoras calibre 7,62 mm, 12,7 mm ou lançadores de granadas de 40 mm.
O drone da DevDroid se desloca com velocidade de 7 km/h, tem raio de operação de 5 km e alcance de 25 km. A empresa destaca que os modos de operação, além do manual, incluem um automático usando inteligência artificial (IA). Apesar de não detalhar esse funcionamento, fica claro que o sistema tem autonomia para atuar em ambientes com forte interferência eletrônica, engajando alvos por meio do seu software embarcado.
A Ratel, por sua vez, é a que possui a maior linha de sistemas terrestres. O Ratel H é um drone com alcance de 60 km, raio de ação de até 50 km, carga paga de 400 kg e peso vazio de 1.100 kg.
A sua velocidade de deslocamento é de 8 km/h. Montado sobre seis rodas, tem 2,30 m de comprimento e 1,90 m de altura e cumpre tarefas de transporte logístico pesado em geral.
O Ratel M, por sua vez, é mais leve e menor, com 1,4 m de comprimento e 1,14 m de altura. Montado sobre quatro rodas, pesa 800 kg e tem carga paga de 300 kg, sendo projetado para transporte logístico em geral.
De tipo menor, o Nurse TB usa esteiras e pesa 120 kg vazio, podendo levar até 150 kg de carga paga. O alcance é menor, com 8 km quando controlado por rádio ou 20 km por fibra ótica, deslocando-se mais rapidamente, a 10 km/h.
Entrando nos modelos especializados, o Ratel S é um drone de ataque capaz de empregar minas terrestres ou outros sistemas pesando até 20 kg. A sua própria massa é de 75 kg e as dimensões não ultrapassam os 83 cm de comprimento e 1 m de altura.
Para o trabalho antiminas, o Ratel Deminer tem alcance de 2 km quando controlado por rádio e 6 km com a presença de antenas repetidoras. Tem autonomia de 10 km e a velocidade de deslocamento é de 4 km/h durante os trabalhos de desminagem.
Por fim, há um drone específico para evacuar soldados, o Electric Stretcher. Com alcance de 8 km, tem 2,2 m de comprimento e apenas 40 cm de altura, demonstrando baixo perfil e silhueta, reduzindo a sua exposição ao inimigo. Pode transportar até 150 kg e o fato de ser montado sobre esteiras facilita o seu deslocamento mesmo em terrenos de lama.






COMUNICAÇÃO DE PRECISÃO
Além dos materiais e das novas soluções de engenharia, a comunicação via satélite possibilitou a proliferação desses sistemas no campo de batalha. Em quase todos eles é possível observar a presença da antena da Starlink, permitindo o uso desses drones mesmo em áreas rurais ou remotas.