A Aviação de Caça da FAB através das décadas – e o que cada avião agregou em tecnologias

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Em 2021, a Força Aérea Brasileira (FAB) vai completar os seus 80 anos de existência. Tendo sido criada em 20 de janeiro de 1941, a sua missão constitucional é de manter a soberania do espaço aéreo brasileiro e integrar o território nacional.

A aviação de caça é uma das ferramentas utilizadas pela FAB para cumprir essa missão nas 24 horas do dia, em qualquer lugar e tempo.

E ao longo desses quase 80 anos, a Força operou com vários modelos de aviões de caça que agregaram tecnologias e capacidades inéditas, mantendo-a atualizada para continuar realizando a defesa do espaço aéreo nacional.

Vamos conhecer quais foram esses aviões, adquiridos para a FAB a partir de 1941, desconsiderando aqueles que vieram das antigas Aviação Naval e Aviação Militar e também as variantes de treinamento, atendo-se aos tipos de superioridade aérea.

Curtiss P-36A

A FAB operou, de fevereiro de 1942 a dezembro de 1943, 10 caças Curtiss P-36A em localidades no nordeste brasileiro. As aeronaves vieram dos estoques do United States Army Air Force (USAAC), chegavam a 471km/h e tinham duas metralhadoras .30 polegadas nas asas e duas .50 polegadas na fuselagem.

Por problemas logísticos, os aviões deixaram a missão de defesa aérea e foram transferidos para serem usados na instrução de mecânicos na Escola de Especialistas de Aeronáutica, de janeiro de 1944 até 1946.

Curtiss P-40

Com o Curtiss P-40, a FAB conseguiu dispor de um maior número de caças modernos para a época.

Foto: FAB

Os primeiros a chegar foram seis P-40E a partir de 1942 e que permaneceram em serviço até 1954. O P-40E era mais veloz que o P-36A, chegava a 569km/h e dispunha de seis metralhadoras .50 polegadas e a possibilidade de transportar quase 500kg de bombas e tanques de combustível sob as asas e fuselagem.

O P-40K, do qual a FAB recebeu 29 exemplares a partir de 1942, era mais potente, proporcionando velocidade de 582km/h. Tinha a mesma configuração de armamento e levava pouco mais de 450kg de bombas e tanques subalares.

Já o P-40M, recebido a partir de 1942, apresentava maior manobrabilidade e desempenho, apesar de ter o motor menos potente. Nove exemplares foram recebidos.

Enfim, o P-40N foi representou a maior frota da FAB deste modelo com 41 exemplares recebidos a partir de 1944. Levava 680kg de carga externa além das seis metralhadoras .50 polegadas e tinha sistemas mais modernos se comparado com as versões anteriores.

Republic P-47D Thunderbolt

O P-47 é, e sempre será, um caça mítico na história da FAB. Com ele, voluntários foram até a Itália e combateram em missões de ataque ao solo na 2ª Guerra Mundial.

Foto: FAB

Foram recebidos, ao todo, 117 exemplares e operados de 1944 a 1967.

De fato, o P-47 proporcionou um salto tecnológico para FAB. Tinha oito metralhadoras calibre .50 polegadas, podia chegar a quase 700km/h, tinha teto operacional de quase 13 mil metros e levava aproximadamente 700kg de armamento sob as asas, entre foguetes e bombas. Era extremamente robusto e tinha um supercompressor para melhorar o seu desempenho em elevadas altitudes.

Gloster FMk.8

A chegada dos primeiros dos 61 Gloster Meteor FMk.8 a partir de 1953, marcou o primeiro grande salto tecnológico para a FAB.

Foto: FAB

A partir daquele momento, a Força passou a voar com uma plataforma a jato, com assentos ejetáveis, que atingia quase 1.000km/h, com cockpit pressurizado e elevado poder de fogo com quatro canhões de 20mm cada, duas bombas de 454kg cada ou até oito foguetes de 27kg cada.

Essas aeronaves foram operadas até 1971.

Lockheed F-80C

De 1958 a 1973, a FAB operou 33 exemplares do caça tático norte-americano F-80C, que teve amplo uso principalmente na Guerra da Coreia.

Uma de suas principais características era a ampla capacidade de carga bélica externa, podendo levar até 900kg de bombas ou foguetes, além das seis metralhadoras .50 polegadas.

Em relação aos demais caças até então operados pela FAB, tinha o maior alcance, em torno de 2.200km, além de atingir altitude de até 14.200 metros.

 Dassault Mirage IIIE

No início da década de 1970 o Dassault Mirage III era mundialmente conhecido pela Guerra dos Seis Dias, travada em 1967 entre israelenses e árabes. Com asas em formato delta, a FAB optou por adquirir o Mirage IIIE recebendo os primeiros exemplares em 1972.

Foto: FAB

Com o Mirage IIIE a FAB entrou na era supersônica, já que o tipo atingia 2.500km/h. O teto de serviço era de 17.700 metros e podia levar até 1.360kg de carga externa além dos canhões internos de 30mm.

O Mirage trouxe para a FAB a doutrina do uso do radar e do míssil de curto alcance guiado por infravermelho. Além disso, compôs toda uma estrutura de defesa aérea baseada em radares do recém instalado Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDACTA). Os últimos exemplares saíram de operação em 2005.

Northrop F-5E

Foto: FAB

A partir de 1975 o Brasil iniciou a operação com os Northrop F-5B/E, de fabricação norte-americana, que diferente dos Mirage IIIE, introduziram a estratégica doutrina do reabastecimento em voo e a possibilidade de operar em missões de ataque ao solo, algo mais restrito em relação ao delta francês.

Os F-5E, por um período, também executaram missões de guerra eletrônica com o uso do pod CT-51F Caiman, instalado sob a fuselagem. Ao todo foram operados, em lotes distintos, 58 F-5E, considerando que os oito exemplares adquiridos da Jordânia não entraram em operação.

Embraer AMX A-1

Foto: João Paulo Moralez

O caça-bombardeiro do consórcio binacional envolvendo a Aermacchi e Aeritalia, na Itália, e a Embraer no Brasil, foi uma das plataformas de caça que mais agregou tecnologia para a FAB.

Com o AMX foi introduzido o Head-up Display (HUD), sistema Hands on Throttle and Stick (HOTAS, onde os principais sistemas e comandos estão concentrados na manete de potência e no manche); interferidor ativo de guerra eletrônica; lançadores de chaff/flare; Radar Warning Receiver (RWR), que alerta sobre emissões de radar contra a aeronave; Identification Friend or Foe (IFF), que avisa se o radar que o identificou é de uma força amiga ou inimiga; o conceito de Line Replaceable Unit, em que módulos aviônicos defeituosos são facilmente trocados, aumentando a disponibilidade na linha de voo; o planejamento de missão aérea no computador; modos de ataque CCIP e CCRP; pod designador laser; pod digital de reconhecimento tático e bomba laser.

Ao todo, a partir de 1989, a FAB recebeu 55 AMX que podem levar 3,8 toneladas de armamentos, tem dois canhões de 30mm e possui alcance estratégico, sem reabastecimento em voo e com elevada quantidade de carga bélica.

 

Dassault Mirage 2000C

De 2006 a 2013 a FAB operou com 10 Dassault Mirage 2000C como uma solução temporária até a definição do programa F-X2.

Foto: FAB

O caça francês substituiu o Mirage IIIE e agregou importante capacidade do uso de mísseis além do alcance visual (BVR) Matra Super 530D, com guiagem de radar semi-ativo.

 

 

Northrop F-5EM

Foto: FAB

No início dos anos 2000 a FAB optou pela modernização da sua frota de F-5E/F. Foram 43 F-5E que incorporaram cockpit totalmente digital, com três telas multifuncionais coloridas, HUD, RWR, IFF, lançadores de chaff/flare, HOTAS, datalink e novo radar.A modernização incluiu novas doutrinas para a FAB como o helmet-mounted display (HMD), um visor acoplado no capacete e que exibe informações de voo e dos sistemas de armas, além de fazer a mira em alvos na direção em que o piloto estiver olhando.

AMX A-1M

Foto: João Paulo Moralez

A FAB começou a receber, a partir de 2013, o primeiro dos 14 AMX modernizados pela Embraer. Além de ter recebido cockpit digital, novos sistemas de navegação, comunicação, de guerra eletrônica, capacidade de operação com óculos de visão noturna (OVN), radar e datalink, o caça recebeu o sistema de Missile Approach Warning System (MAWS), que alerta sobre o disparo e aproximação de mísseis contra a aeronave; NAV-Flir, que auxilia na navegação em voo noturno; e o interferidor ativo de guerra eletrônica SkyShield, para ataque eletrônico nas defesas dos inimigos.

Saab Gripen E

O Gripen E representa um dos maiores saltos tecnológicos que a FAB já teve. O caça incorpora radar de varredura eletrônica ativa (AESA); Infrared Search and Track System (IRST), que faz a aquisição de alvos de maneira passiva, sem detectar a sua posição, através da busca da assinatura de calor do inimigo; cockpit com painel panorâmico, de tela única; capacidade de supercruise, em que o caça ultrapassa a barreira do som sem precisar utilizar o pós combustor, reduzindo o consumo de combustível; HUD de grandes dimensões; sistema avançado de guerra eletrônica e auto proteção, incluindo Laser Warning System, que alerta a posição de emissão laser contra o Gripen, MAWS, chaff/flare e RWR; 10 pontos para fixação de armamentos e sensores; unidade auxiliar de energia para partida sem a necessidade de fonte externa; capacidade de operação com armamentos avançados; 10 minutos para reabastecer e rearmar a aeronave para um nova missão de defesa aérea, com uma equipe de apenas cinco militares; e capacidade de pousos e decolagens em apenas 600 metros de pista.

Uma das principais características do Gripen é a possibilidade de operar a partir de rodovias ou aeródromos com pouquíssima infraestrutura, permitindo o uso de pistas situadas na região de fronteira e ampliando a capacidade dissuasória da FAB.

O Brasil adquiriu 28 Gripen E e oito Gripen F, que serão entregues para a sua primeira unidade operacional no final de 2021. Um exemplar já está no Brasil, continuando a campanha de ensaios em voo.

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