Polônia avalia A-29 Super Tucano para substituir o Orlik

O Embraer A-29 Super Tucano está entre os candidatos avaliados pela Força Aérea da Polônia para substituir os treinadores turboélice PZL-130 Orlik. Segundo o major-general Ireneusz Nowak, comandante operacional da força, o modelo brasileiro passou por uma avaliação detalhada, assim como o suíço Pilatus PC-21.

Em entrevista ao portal Defence24, Nowak afirmou que a Polônia iniciou análises sérias para encontrar um substituto para o PZL-130 Orlik TC-II Advanced. Segundo o oficial, a aeronave apresenta limitações para atender às atuais necessidades de formação, especialmente diante da introdução de novas plataformas, como os caças de quinta geração, e da modernização de meia-vida dos F-16.

Em janeiro de 2026, Nowak integrou uma comitiva da Força Aérea Polonesa que visitou a Embraer para avaliar o A-29. A necessidade de substituição motivou voos de familiarização tanto com o Super Tucano quanto com o PC-21. O oficial afirmou que a força já chegou a algumas conclusões, mas não revelou detalhes sobre a avaliação ou os próximos passos do processo. “Certamente, são necessárias medidas decisivas adicionais para incorporar essas capacidades, sem demora”, afirmou o oficial-general.

Nowak fez parte de um comitiva que em janeiro deste ano esteve na Embraer avaliando o A-29. O grupo também conheceu de perto o KC-390 Millennium, que também chama atenção de Varsóvia. 

PZL-130 Orlik (foto: Łukasz Golowanow)
PZL-130 Orlik (foto: Łukasz Golowanow)

Desenvolvido na década de 1980 e introduzido em serviço a partir de 1994, o PZL-130 Orlik é o treinador básico da aviação militar polonesa e passou por diferentes programas de modernização. De acordo com o levantamento World Air Forces 2026, a frota conta com 27 unidades, operadas pela 4ª Ala de Treinamento, na Base Aérea de Radom.

O futuro treinador deverá se integrar à estrutura de formação que antecede a transição para o jato avançado Leonardo M-346 Master. Os pilotos formados nesse sistema poderão seguir para os F-16 Fighting Falcon Block 50, F-35 Lightning II e KAI F/A-50PL operados pela Polônia.

Além da formação de pilotos, a capacidade de enfrentar drones pode favorecer o A-29 na disputa. Projetado desde o início como uma aeronave de combate, o Super Tucano acumula experiência operacional em diferentes cenários de conflito. Embora ainda não tenha sido empregado contra alvos não tripulados, a Embraer vem trabalhando para ampliar sua capacidade de atuação contra essas ameaças, oferecendo uma alternativa potencialmente mais econômica para missões de combate a sistemas aéreos não tripulados, conhecidas pela sigla c-UAS.

Essa característica, contudo, não será necessariamente decisiva na escolha. Nowak afirmou que, no momento, a prioridade da Força Aérea polonesa é aprimorar a capacidade dos F-16 e F/A-50 já em serviço para enfrentar drones e mísseis de cruzeiro.

Major-general Nowak a bordo do A-29

Segundo o oficial, os foguetes guiados BAE Systems APKWS II deverão estar disponíveis para os dois modelos, embora a demanda pelo armamento ainda supere a capacidade de produção. Enquanto isso, a Polônia já fez atulizações de software no pod Lockheed Martin Sniper para a função. Os helicópteros Leonardo AW149 também deverão receber foguetes guiados, neste caso de fabricação da Thales. Uma das possibilidades é o FZ275 LGR, já testado nos F-16AM da Bélgica.

A escolha de um novo treinador ainda está em avaliação. O processo deverá considerar não apenas as necessidades de formação de pilotos para a frota de combate polonesa, mas também as capacidades adicionais que cada plataforma poderá oferecer diante da evolução das ameaças aéreas.

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