Novas imagens: Gripen F da FAB em voo na Suécia

F-39F fez seu voo inaugural em agosto; modelo de dois assentos dispensa aquisição de aeronaves intermediárias de treinamento

A Saab divulgou novas imagens do primeiro Gripen F da Força Aérea Brasileira (FAB) em voo na Suécia. Os registros, feitos pelo fotógrafo Jörgen Ericsson e publicados no banco de imagens da empresa, mostram o F-39F matrícula FAB 4000 durante a campanha de ensaios que teve início em agosto após o voo inaugural.

Nas fotografias, também é possível observar um detalhe da configuração adotada pela FAB: o piloto no assento dianteiro utiliza o capacete TARGO II, da israelense Elbit Systems. O sistema, equipado com display integrado, já é empregado como padrão pelos pilotos do 1º Grupo de Defesa Aérea, o Esquadrão Jaguar.

Jörgen Ericsson/SAAB

O FAB 4000 realizou seu primeiro voo em 28 de agosto, a partir das instalações da Saab em Linköping. A aeronave foi pilotada pelo Tenente-Coronel Aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da FAB, e por Jakob Högberg, piloto-chefe de testes da Saab.

Com duração de aproximadamente 40 minutos, o voo marcou o início da campanha de ensaios do modelo biposto. O Gripen F representa oito das 36 aeronaves adquiridas pela FAB no primeiro lote do programa brasileiro, composto majoritariamente por aeronaves da versão monoposto Gripen E.

Desde o primeiro voo, as equipes brasileiras e suecas vêm avançando gradualmente na abertura do envelope de voo da aeronave. A campanha permitirá avaliar o comportamento do F-39F em diferentes condições e testar seus sistemas antes da entrada em operação no Brasil.

Jörgen Ericsson/SAAB

O Gripen F foi desenvolvido inicialmente para atender aos requisitos brasileiros. A participação do país no desenvolvimento da variante também foi significativa, com destaque para a atuação da Embraer em áreas como o projeto da fuselagem dianteira e a integração de sistemas.

A configuração biposta acabou despertando interesse de outros compradores do Gripen. A Colômbia incluiu duas aeronaves de dois lugares em sua encomenda do caça, enquanto a Tailândia também selecionou uma unidade da versão F.

Além da função de conversão e formação de pilotos, o que dispensa a aquisição de aeronaves intermediárias, a plataforma foi desenvolvida para conduzir missões em cenários contestados e de alta complexidade. A presença de um segundo tripulante permite coordenar diversas ações na profundidade do território inimigo, com uso de sistemas de ponta de guerra eletrônica e de armamentos que visam destruir a infraestrutura crítica de operação do adversário.

Jörgen Ericsson/SAAB

Em outro cenário, pode ser usado como um vetor de comando e controle no céu, conduzindo missões em conjunto com aeronaves não tripuladas, coordenando ataques massivos de drones ou gerenciando sistemas não tripulados de combate aéreo.

O desenvolvimento do F-39F também reforça a posição da indústria brasileira dentro do programa Gripen. A participação da Embraer e de outras empresas nacionais fez com que o Brasil assumisse responsabilidades que vão além da operação do caça, envolvendo desenvolvimento, produção e integração de tecnologias.

Enquanto o FAB 4000 avança na campanha de ensaios na Suécia, a FAB se aproxima de receber a primeira unidade da variante biposta. A chegada do F-39F, prevista para 2027, acrescentará uma nova configuração à frota brasileira de Gripen e permitirá ampliar as capacidades de treinamento e emprego operacional do caça.

Leia mais sobre o Gripen F aqui.

Jörgen Ericsson/SAAB

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