TULPAR com HITFACT MkII de 120mm: sucesso na campanha de testes do sistema de armas que pode ser a solução para o Brasil

Após a realização com sucesso de uma campanha de testes, a viatura blindada de combate carro de combate (VBC CC) TULPAR, equipada com a torre HITFACT MkII, foi aprovada na Itália.

Antes dos testes de tiro real, equipes de engenharia da Otokar e da Leonardo realizaram um extenso programa de integração, abrangendo as interfaces mecânicas, elétricas, eletrônicas e de software entre a plataforma e a torre. Verificações funcionais completas, inspeções de segurança e atividades de validação do sistema confirmaram o desempenho, a confiabilidade e a interoperabilidade do sistema integrado.

Após a conclusão bem-sucedida da fase de integração, a plataforma foi submetida a uma série de testes de tiro real em condições tanto estáticas quanto dinâmicas no centro de testes e polígono militar UTTAT (Ufficio Tecnico Territoriale Armamenti Terrestri) Nettuno, próximo à Roma. A campanha avaliou o desempenho do sistema de armas integrado em diversos cenários operacionais representativos. Ao longo dos testes, a torre e a plataforma demonstraram uma integração perfeita, enquanto o sistema de armas, o sistema de controle de tiro, o desempenho da estabilização e a funcionalidade geral do sistema atenderam com êxito a todos os objetivos de teste planejados.

O TULPAR equipado com a HITFACT MkII, no UTTAT Nettuno, em 02 de abril de 2026 (Fotos: Giacomo Gabrielli/Sintesi, via Leonardo)

Sedef Vehbi, chefe da Divisão Militar da Otokar, afirmou: “A conclusão bem-sucedida deste programa demonstra a capacidade do TULPAR de integrar sistemas avançados de torres de grande calibre, ao mesmo tempo em que oferece a mobilidade, a capacidade de sobrevivência e o poder de fogo exigidos pelas forças armadas modernas. Isso também reflete a excelência em engenharia da Otokar e nosso compromisso com o desenvolvimento de uma arquitetura modular, permitindo a rápida integração de sistemas de armas específicos para cada missão, a fim de atender às diversas necessidades operacionais de nossos clientes. Essa conquista reforça a sólida colaboração em engenharia entre a Otokar e a Leonardo e destaca a capacidade de ambas as empresas de fornecer soluções integradas de combate terrestre de alto desempenho para clientes internacionais”.

Já Luca Perazzo, diretor-geral adjunto da Unidade de Negócios de Sistemas de Defesa da Leonardo, disse: “Estamos satisfeitos com o resultado e orgulhosos de demonstrar a excelência tecnológica de nossos sistemas. A integração da nossa torre HITFACT MkII ao Tulpar comprova ainda mais a modularidade do equipamento. A torre HITFACT é, atualmente, o único sistema no mundo equipado com um canhão de alma lisa de 120 mm que oferece o mesmo poder de fogo de um sistema de Carro de Combate Principal (MBT), sendo capaz de ser integrada a plataformas leves ou médias e de utilizar a nova munição guiada Vulcano 120 para engajamentos de precisão. Esta torre é apenas um dos sistemas de armas que a Leonardo pode oferecer atualmente, juntamente com a família de torres de médio calibre HITFIST, que podem ser equipadas com a tecnologia proprietária X-GUN de 30 mm da Leonardo”.

A VBC CC TULPAR é um integrante de uma moderna família de blindados de combate médios projetada pela empresa turca Otokar. Com pesos que variam de 28 a 45 toneladas, tem como pontos fortes a mobilidade em diferentes terrenos e arquitetura modular.

Já a HITFACT MkII é considerada a mais moderna torre de sua categoria. Armada com o canhão OTO-Melara de 120mm e 45 calibres, é capaz de disparar todas as munições de padrão da OTAN (STANAG 4385), sendo o sistema de armas que equipa a viatura blindada de combate de Cavalaria (VBC Cav) 8X8 CENTAURO II, da CIO, recém adquirida pelo Exército Brasileiro (EB) e que, em breve, será produzida no Brasil.

Atualmente, somente o CENTAURO II e o TULPAR estão aptos a utilizar a HITFACT MkII.


O SUCESSOR DO LEOPARD

A substituição das VBC CC LEOPARD 1A5 BR representa hoje um dos principais desafios para a renovação da força blindada da Força Terrestre. Mais do que simplesmente encontrar uma nova viatura para ocupar o lugar de uma plataforma que se aproxima do final de seu ciclo de vida, o desafio é estruturar toda uma nova geração de meios sobre lagartas, capaz de devolver às Brigadas Blindadas uma capacidade de combate compatível com o campo de batalha moderno.

Nesse contexto, dentro do Programa Estratégico do Exército Forças Blindadas (Prg EE F Bld), foi iniciado um projeto para a obtenção de uma nova família de blindados sobre lagartas, incluindo a futura VBC CC e a viatura blindada de combate de fuzileiros (VBC Fuz). A ideia é que esses veículos compartilhem componentes, sistemas e conceitos de manutenção, reduzindo a complexidade logística, permitindo uma evolução progressiva da força e servindo de base para toda uma nova classe de blindados.

O processo ganhou maior importância à medida que a disponibilidade dos Leopard 1A5BR passou a sofrer com a dificuldade de obtenção de componentes. O próprio EB vem realizando esforços para manter esses carros em operação, inclusive com iniciativas de nacionalização de peças, enquanto a definição de seu sucessor avança. Várias propostas foram feitas, sendo pré-selecionadas a do CV90 da BAE Systems, o ASCOD da GDELS, o LYNX da Rheinmetall e o TULPAR da Otokar, sendo que o EB chegou a consultar os países fornecedores desses blindados para uma parceria em nível de governo, aqui chamada de G2G (Government-to-Government).


PARCERIA TURCA

Dentre as propostas apresentadas, o TULPAR se destacou não só por suas capacidades técnicas, mas por suas capacidades operacionais, mas pela proposta da empresa turca de não só produzir as viaturas no Brasil, utilizando componentes brasileiros, como é a intenção do EB, mas da total transferência de tecnologia e da possibilidade de passar a propriedade intelectual das versões brasileiras para Força Terrestre. Além disso, toda sua cadeia produtiva é considerada “ITAR free” e “BAFA free” (referindo-se aos órgãos de controle de exportação dos Estados Unidos da América e da Alemanha, respectivamente), garantindo total independência logística.

Comparada a empresas dos Estados Unidos ou de alguns países europeus, a indústria de blindados de combate da Turquia pode até ser classificada como recente, já que ela começou a ser estruturada, inicialmente concentrada na produção sob licença e na adaptação de projetos estrangeiros, no início da década de 80, ou seja, na mesma época do Brasil também começou a se aventurar nessa área. Porém, ao contrário de nós, evoluiu rapidamente de uma posição de dependência tecnológica para a completa autonomia, tornando-se uma indústria de ponta e altamente competitiva, que consegue suprir as Forças Armadas turcas e se tornando uma grande exportadora, trazendo importantes divisas para o país. E uma das marcas desse sucesso é o ALTAY, uma das VBC CC mais modernas da atualidade.

O ALTAY é MBT (“main battle tank”) extremante avançado: com peso de combate da ordem de 65 toneladas, possui armamento, blindagem e sensores de última geração, e cujo projeto foi fortemente influenciado pelo K2 Black Panther, da sul-coreano Hyundai Rotem, que também participou do projeto turco. Todo o seu processo de desenvolvimento se deu sob a coordenação da empresa privada Otokar, que produziu e testou seus protótipos em sua moderna fábrica de Sakarya, considerada uma das mais sofisticadas e completas da Europa, porém teve sua produção transferida para a empresa BMC, que tem forte participação estatal.

De acordo com informes oficiais turcos, nos últimos cinco anos, foram produzidas cerca de 2.000 viaturas blindadas apenas para exportação, sendo que, no final de 2024, a empresa Otokar assinou um contrato com a Romênia, no valor aproximado de 857 milhões de euros, para fornecer 1.059 blindados COBRA II, com a maior parte destes produzidas localmente, pela empresa romena Automecanica Mediaș, com total transferência de tecnologia.

Outra grande exportação recente foi para o Cazaquistão, que deverá produzir o TULPAR na fábrica de Besqaru, incluindo a versão com torre HITFACT, nos próximos meses e também com transferência de tecnologia. E esses exemplos, mais o fato de que as exportações da indústria de defesa da Turquia vêm aumentando ano a ano, e que, segundo o artigo da mídia parceira TurDef, entre julho de 2025 e julho de 2026 atingiram a cifra US$ 11,2 bilhões, demonstra esse grande potencial dessa indústria, aliado a toda a tradição do país.

Com todo esse histórico, uma parceria entre as indústrias de defesa do Brasil e da Turquia, que já foi autorizada entre os dois países, somada a atual parceria com a Itália, poderia garantir não só a aquisição de uma nova família de viaturas blindadas de combate, que atendem todos os nossos requisitos atuais, mas a possibilidade de, no futuro, o Brasil possa partir para o desenvolvimento de um blindado genuinamente nacional, aproveitando de toda a expertise da empresa turca. E essa possibilidade vai pesar na escolha do sucessor do LEOPARD.

Um painel na fábrica de Besqaru, no Cazaquistão, com os veículos planejados para a produção (via TurDef)

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Respostas de 5

  1. O Tulpar tirou há alguns meses o lugar do CV90120 como favorito, que já estava nesta posição há anos.
    Penso que só uma reviravolta muito grande poderia fazer o Tulpar não ser escolhido. Os turcos estão com a faca nos dentes e sem dúvidas oferecerão bons preços e offsets.
    Sabemos das dificuldades financeiras e da inexistência de previsibilidade orçamentária, caro Bastos, mas existe uma chance, mesmo que mínima, de termos um high-low com Tulpar e Altay? Suas fontes comentam algo?

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