Conhecido por operar os helicópteros Mil Mi-35M Hind (designados AH-2 Sabre no Brasil), o Esquadrão Poti (2º/8º GAV) da Força Aérea Brasileira voltará a voar com outro modelo de asas rotativas: o H-60 Black Hawk. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (17) pela FAB à redação de Tecnologia & Defesa.
Sediado na Base Aérea de Porto Velho (RO), o Poti está fora de operação desde a baixa dos AH-2 Sabre, em 2022. A unidade, contudo, não foi formalmente desativada, simplesmente deixando de voar por estar sem meios aéreos.
Em nota à T&D, o Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) diz que “o Segundo Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (2º/8º GAV – Esquadrão Poti) está em processo de preparação para receber os H-60, passando a atuar em ações de Busca e Salvamento (SAR), Busca e Salvamento em Combate (CSAR) e Escolta.”

A retomada das operações da unidade com o Black Hawk representa uma mudança significativa em relação ao emprego anterior. O Poti foi um dos pioneiros no uso armado de helicópteros UH-50 Esquilo (HB-350B), desenvolvendo a doutrina de emprego ofensivo desse tipo de aeronave. Com a chegada dos AH-2, o esquadrão passou a operar uma plataforma altamente blindada, veloz e muito bem armada com foguetes, mísseis anticarro e um canhão de 23mm.
Apesar das excelentes características, a logística acabou sendo o calcanhar de Aquiles do Mi-35 no Brasil, sendo aposentado prematuramente. Dos 12 helicópteros comprados, dois foram preservados no Museu Aeroespacial no novo Museu Aeroespacial Paulista. As 10 aeronaves restantes seguem estocadas na BAPV e no Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa, em Minas Gerais.

Black Hawks em modernização
Em setembro de 2025, a FAB adquiriu 11 UH-60L usados dos Estados Unidos, em uma negociação avaliada em R$ 1,2 bilhão. As aeronaves serão modernizadas pela empresa norte-americana ACE Aeronautics LLC, contratada também para atualizar os 13 Black Hawks já operados pela Força Aérea.
Atualmente, os H-60 estão distribuídos entre os esquadrões Pantera (5º/8º GAV), Harpia (7º/8º GAV) e Pelicano (2º/10º GAV), sediados, respectivamente, em Santa Maria (RS), Manaus (AM) e Campo Grande (MS). Quanto à distribuição dos Black Hawks, a FAB diz que o processo “seguirá critérios técnicos, sem detalhamento definido no momento.”


Entre os principais itens do pacote está a instalação da suíte aviônica Garmin G5000H. O sistema substituirá os instrumentos analógicos por quatro displays coloridos de 12 polegadas, ampliando a apresentação das informações de voo e a consciência situacional das tripulações.
Em março deste ano a FAB enviou, a bordo de um KC-390 Millennium, o primeiro Black Hawk para modernização nos Estados Unidos. A aeronave de matrícula FAB 8909 será utilizada como protótipo do programa de modernização da frota. Segundo o EMAER, o primeiro H-60 modernizado será entregue em 2027, “devendo as demais unidades serem modernizadas de forma gradual ao longo da vigência do contrato.”
Sem armamento externo
Apesar da modernização, os H-60 da FAB não receberão armamento externo. A informação foi confirmada pelo EMAER após especulações sobre a possibilidade de algumas aeronaves serem entregues em configurações semelhantes aos AH-60L Arpía, da Colômbia, ou aos MH-60 DAP, do Exército dos Estados Unidos.
Nestes modelos, conjuntos de asas laterais chamados External Stores Support System (ESSS), ou Lightweight Armament Support Structure (LASS) nas versões mais novas, carregam diversos armamentos. Entre eles estão mísseis Hellfire e Spike, metralhadoras GAU-19/A e lançadores de foguetes guiados e convencionais.


Seria uma importante capacidade, mas segundo a Força Aérea, não há “previsão de sistemas de armamento externo ou de outras integrações.” Atualmente, os Black Hawks da FAB usam um par de metralhadoras M134 Minigun, calibre 7,62 x 51 mm, instaladas nas janelas laterais.
Questionada sobre a aquisição de mais H-60 ou de outros modelos de helicópteros no curto ou médio prazo, o EMAER informou que “não há, além do contrato mencionado, outros processos de aquisição de aeronaves H-60 ou de outros modelos de asas rotativas em curso.” Em paralelo, no mês passado o Ministério da Defesa criou um Grupo de Trabalho (GT) para formular o Conceito de Operações Conjunto para um novo Helicóptero Multimissão destinado às Forças Armadas.