O Triste fim dos Super Étendard Modernisé da Aviação Naval Argentina

Por Hélio Higuchi

Acaba de ser publicado em postagens extraoficiais de que o Comando de Aviación Naval da Argentina (COAN) decidiu dar baixa em um avião que nunca conseguiram operacionalizar desde a aquisição: os caças Dassault Super Étendard Modernizé (SEM) S5.

Um total de cinco SEM foram adquiridos em 12 de maio de 2018, durante a gestão do presidente Mauricio Macri após uma negociação iniciada dois anos antes, com a finalidade de reforçar os 14 Super Étendard adquiridos em 1981, cinco dos quais tinham sido entregues quando iniciou a Guerra das Malvinas no ano seguinte, se destacando pelos excelentes resultados, afundando o destroyer HMS Sheffield (D80) e o cargueiro SS Atlantic Conveyor utilizando mísseis ar-superfície AM39 Exocet.

Os SEM adquiridos da Aviação Naval Francesa eram veteranos de várias guerras, sendo a última no Afeganistão, e estavam sendo desativados em favor dos Dassault Rafale. A Argentina adquiriu os aviões juntamente com um simulador, 8 motores e sobressalentes a um custo total de €12,5 milhões.

Desde a assinatura até a chegada dos aviões em solo argentino aconteceram muitos percalços, como:

  • A Argentina não dispunha de recursos para revisar os aviões antes da entrega, especificou-se no contrato de compra que os aviões estavam na condição “as is where is” isentando a França das condições operacionais dos aviões;
  • O contrato estipulava também que os aviões deveriam ser retirados até 2 de março de 2018, mas a Argentina só pagou em agosto de 2018, e retirou os aviões em abril de 2019, quando a França ameaçava cobrar uma taxa de armazenamento pela demora em retirar os aviões.


Durante uma verificação nos aviões recém-chegados, constataram uma série de equipamentos que requeriam uma substituição, sendo um dos itens mais críticos que estavam vencidos e demandavam a substituição eram pirotécnicos, isto é, os cartuchos de disparo do assento ejetável. Os assentos da marca Martin Baker são britânicos, e por causa de um embargo entre os dois países desde 1982, por causa da Guerra das Malvinas não era possível adquirir.

Diante da impossibilidade de adquirir os cartuchos, a COAN até tentou verificar se havia algum avião argentino cujos assentos fossem semelhantes aos utilizados pelos SEM, mas não obtiveram êxito. Os cartuchos dos assentos ejetáveis possuem uma vida útil de dois anos após serem instalados nos aviões e de cinco a sete anos quando armazenados em sua embalagem original. Em 2106 quando os SEM foram colocados à venda, seus cartuchos instalados ainda estavam na validade, mas só chegaram à Argentina, três anos depois.

Uma grande ironia dessa história, foi que, enquanto a Argentina estava às voltas com esse desafio, o seu vizinho Uruguai, resolveu revisar os assentos ejetáveis de cinco jatos Cessna A-37 Dragonfly (recentemente desativados), e o fez na sucursal argentina Martin!

Já a COAN procurou resolver o problema realizando várias licitações de empresas para substituir ou modificar os assentos, mas sempre recaía no mesmo problema, a falta de garantia bancária, ou a falta de recursos no orçamento, e os SEM, mesmo sem condições de voo, foram mantidos pelos técnicos da COAN fazendo manutenções periódicas, com exercícios de taxi, com a esperança de que o problema fosse sanado, até a recente determinação de desativar definitivamente o avião.

Em fevereiro deste ano, durante as festividades do 110º aniversário da Aviação Naval Argentina, tanto os veteranos Super Étendard como os Super Étendard Modernizé participaram de foram estáticas, pois atualmente nenhum dos dois modelos se encontra operacional.

Se a Fuerza Aérea Argentina recebeu uma importante modernização, com o recebimento de 24 caças F-16AM/BM de segunda mão da Dinamarca, está mais do que urgente e merecida a COAN também receber novos caças. 

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Respostas de 3

  1. La verdad es una gran pena. Es increíble que no hayamos podido como país construir esa pirotecnia, teniendo en cuenta la alta capacidad de determinadas instituciones estatales. Eso es falta de querer trabajar, no tiene otra explicación. La capacidad está. Fallan los mandos.!! La marina siempre lo mismo.

  2. Será uma perda irreparável caso a Armada Argentina perca a expertise da aviação de caça embarca. Quando o Brasil possuía o A-12 São Paulo, os pilotos argentinos treinaram naquela belonave.

    1. Eles já perderam faz tempo, assim como nós.
      E não faz nenhum sentido, dado que não terão um NAe nas próximas décadas.

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