Às vésperas de completar quatro anos resistindo à invasão russa, a Ucrânia mantém de pé o ambicioso plano de modernizar profundamente sua Força Aérea com caças europeus. A intenção de adquirir até 150 Saab Gripen e cerca de 100 Dassault Rafale voltou a ser reforçada por declarações recentes do presidente Volodymyr Zelensky, que reafirmou a aviação militar como um dos pilares centrais da estratégia de defesa e reconstrução do país.
No último domingo (8), Zelensky participou de um evento no Instituto de Aviação de Kyiv, em homenagem aos 120 anos do nascimento do projetista Oleg Antonov. Na ocasião, além de conceder à instituição o status de universidade nacional, o presidente destacou que a modernização da Ucrânia passa, necessariamente, pelo fortalecimento da indústria aeronáutica e pela renovação das capacidades aéreas militares, consideradas essenciais tanto para a guerra em curso quanto para o futuro do país.
Falando a estudantes e professores, Zelensky citou diretamente os acordos firmados com Suécia e França para a aquisição de caças de geração 4.5. “Hoje temos acordos para a entrega de 150 aeronaves militares Gripen e 100 aeronaves Rafale. Estas são, na nossa opinião, as melhores aeronaves que existem no mundo”, afirmou. O presidente ressaltou ainda que, embora a aviação militar seja prioridade no atual contexto, o setor civil também faz parte dos planos de longo prazo, com apoio às universidades e à formação de novos profissionais.
Os entendimentos citados por Zelensky foram firmados no segundo semestre de 2025. Em outubro daquele ano, o presidente ucraniano visitou a Suécia, conheceu as instalações da Saab e o Gripen E, e assinou um acordo para o fornecimento de até 150 aeronaves. Pouco depois, em novembro, esteve na França, onde formalizou, junto do presidente Emmanuel Macron, a intenção de adquirir cerca de 100 caças Rafale. O pacote negociado com Paris também inclui sistemas de defesa antiaérea SAMP-T, radares de longo alcance e outros meios associados.

Segundo o governo ucraniano, a eventual entrega desses aviões integra um programa mais amplo de garantias de segurança e transformação estrutural da defesa aérea do país. No início da guerra, em fevereiro de 2022, a Força Aérea da Ucrânia operava majoritariamente aeronaves de origem soviética, como os caças MiG-29 Fulcrum e Su-27 Flanker, além dos jatos de ataque Su-24 Fencer e Su-25 Frogfoot.
Atualmente, embora esses modelos ainda formem a espinha dorsal da UAF, a frota já passou por um processo inicial de ocidentalização. A Ucrânia recebeu caças F-16 Fighting Falcon e Mirage 2000 por meio de doações e acordos com países aliados, ampliando suas capacidades de defesa aérea, ataque e interoperabilidade com a OTAN. Kiev também espera receber novas unidades desses modelos nos próximos anos, conforme abordado por T&D recentemente.
Apesar do discurso otimista de Zelensky, o plano de aquisição de Gripen e Rafale é visto com cautela por analistas. Estimado em cerca de US$ 60 bilhões, segundo o portal The New Voice of Ukraine, o programa enfrenta desafios financeiros, logísticos e industriais significativos, além da necessidade de formação de pilotos, técnicos e infraestrutura de apoio. A implementação, caso avance, deverá ocorrer ao longo de muitos anos, por meio de contratos faseados.
Ainda assim, se a Ucrânia conseguir levar adiante a compra dos caças europeus, o impacto será histórico. A iniciativa representaria a maior modernização já realizada pela aviação militar ucraniana, transformando completamente a forma de operação da UAF e consolidando a transição definitiva para uma frota de combate totalmente ocidentalizada, alinhada aos padrões tecnológicos e doutrinários das forças aéreas da Europa e da OTAN.
Uma resposta
Só acredito quando os primeiros pousarem na Ucrânia .