Um AK incrementado no RJ

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Este AK apreendido no Rio de Janeiro estava equipado com um sofisticado quebra-chamas/compensador na boca do cano e carregador do tipo tambor, com capacidade para 75 cartuchos. (Imagem: Robert Draiks)

Desde que foi criado por Mikhail Kalashnikov (1919-2013) e oficialmente adotado pela então União Soviética na segunda metade da década de 1940 como 7.62mm Avtomat Kalashnikova, o famoso fuzil AK, em calibre 7,62x39mm, foi evoluindo ao longo das décadas seguintes, surgindo as versões AKS (coronha metálica rebatível) e AKM (caixa da culatra em estampagem). Na metade dos anos de 1970, o cartucho 5,45x39mm foi oficialmente adotado pela URSS e, para ele, surgiram os fuzis AK. Ainda assim, o comumente chamado “AK-47” (tal designação, na verdade, somente foi usada nas fases iniciais de testes da arma) alcançou projeção e notoriedade mundial, vindo a ser fabricado por muitos países originalmente dentro da esfera de influência soviética. Números exatos não existem, mas, as estimativas colocam entre 50 e 70 milhões o número de AK fabricados até hoje.

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A profusão de trilhos Picatinny existente na arma encontrada permitiria a acoplagem de variados acessórios, como lanternas táticas, miras optrônicas ou lunetas. (Imagem: Robert Draiks)

Como não poderia deixar de acontecer, o “Kalashnikov” passou a ser encontrado em todos os cantos do mundo, tanto em guerras como em conflitos de menor intensidade, além do uso por grupos criminosos. O Brasil não é exceção. Fuzis AK das mais variadas origens têm caído nas mãos de autoridades policiais brasileiras com bastante frequência, tanto em suas configurações originais como em versões modificadas pelos usuários. Este exemplar, apreendido pela PMERJ este ano no Rio de Janeiro, mostra bem uma série de itens incorporados à arma, como longos trilhos do tipo Picatinny, para acessórios, em cima do cilindro de gases, nas laterais e em baixo do guarda-mão. O freio de boca/compensador existente na boca do cano é de desenho elaborado, um dos muitos modelos disponíveis no mercado internacional, enquanto que o carregador é do tipo tambor, com capacidade para 75 cartuchos, componente originalmente feito para a metralhadora RPK, também russa. Como o exemplar não foi examinado por T&D, não foi possível determinar seu país de origem.

Ronaldo Olive