Translado dos restos mortais de Heróis da Marinha para o Comando do 5º Distrito Naval.

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O Comando do 5º Distrito Naval (Com5ºDN) realizará, no próximo dia 11 de junho, o translado dos restos mortais de dois heróis navais brasileiros, o Comandante Felinto Perry e o Almirante Joaquim Francisco de Abreu, e de Pulcena Dias, mãe do Imperial Marinheiro Marcílio Dias para as suas instalações.
  • Por meio dessa iniciativa, a Marinha do Brasil visa a preservar a memória desses heróis rio-grandinos. 
Exposto no Palácio Pedro Ernesto, o quadro “Batalha do Riachuelo”, de Victor Meirelles (biografia abaixo).

A cerimônia de translado será realizada dentro da programação do 153º Aniversário da Batalha Naval do Riachuelo, ocorrida em 1865 durante a Guerra da Tríplice Aliança, considerada uma das mais importantes batalhas da história das Forças Armadas brasileiras e que contou com a bravura dos referidos heróis. 
Os restos mortais do Almirante Abreu, sua esposa e do Comandante Felinto Perry estão no cemitério católico da cidade de Rio Grande-RS.
Pulcena Dias está sepultada junto ao monumento em homenagem ao Marinheiro Marcílio Dias, na Praça Marinha do Brasil, também situada na cidade-sede do Com5ºDN.
O sepultamento de seu filho, o Imperial Marinheiro Marcílio Dias, ocorreu nas águas do Rio Paraná, durante a Guerra. 
O translado ocorrerá em duas etapas, a primeira será da Capela do Cemitério Católico de Rio Grande, local onde serão concentrados os restos mortais de todos, para a Catedral de São Pedro, no dia 10 de junho, onde acontecerá uma vigília.
Os féretros permanecerão no referido local até a manhã do dia seguinte, quando será realizada uma missa de corpo presente e a segunda etapa do translado, quando serão, então, transferidos para o seu destino final, as instalações do Comando do 5º Distrito Naval. 
Os restos mortais dos honrados heróis navais rio-grandinos permanecerão junto ao Panteão do Almirante Tamandaré no Comando do 5º Distrito Naval, numa área rodeada por centenárias figueiras, onde encontram-se: o túmulo do Almirante Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré e Patrono da Marinha do Brasil, de sua esposa Maria Eufrásia Lisboa, a Sala de Memória do Almirante Tamandaré e o Monumento em homenagem aos heróis navais. 

Após o término da cerimônia de sepultamento, será realizada, na mesma data, a Cerimônia Alusiva ao aniversário dos 153 anos da Batalha Naval do Riachuelo com imposição da Medalha da Ordem do Mérito Naval.
A Medalha é destinada a premiar os militares da Marinha que se tenham distinguido no exercício da sua profissão e personalidades civis que prestaram relevantes serviços à Marinha do Brasil. 

A programação de todos os eventos alusivos à data encontra-se no site do Comando do 5º Distrito Naval (www.com5dn.mar.mil.br). 

Conheça um pouco sobre a história das três personalidades que passarão a compor o Panteão do Com5ºDN. 

Almirante Abreu 
Filho de Antônio Francisco dos Santos Abreu e de Perpétua da Silva Santos Abreu, o Almirante Joaquim Francisco de Abreu nasceu na cidade de Rio Grande– RS, em 13 de março de 1836. 
Ingressou na Marinha do Brasil em 1851, sendo, sucessivamente, promovido até o posto de Vice-Almirante em 20 de abril de 1893. Por decreto de julho de 1893, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Militar. 
 
Durante a Batalha Naval do Riachuelo, o Almirante Abreu era o Comandante da Corveta “Belmonte”, navio que sofreu intenso ataque de artilharia. No entanto, mesmo com 37 rombos no seu casco e estando ferido, o herói naval encalhou seu barco para serem remendados os buracos e pudesse seguir no combate. 
Além da Guerra do Paraguai, o Almirante Abreu participou da tomada de Paysandu, em 2 de janeiro de 1865, sob o Comando direto do Almirante Tamandaré e, em seguida, participou do cerco de Montevidéo. Pouco depois da Batalha Naval do Riachuelo, combateu em Mercedes, em 18 de junho e em 12 de julho, em Cuevas.

No ano seguinte, participou da jornada Curupaiti e Curuzu e, em 1868, empenhou-se em batalhas pela passagem de Humaitá (16 a 25 de julho); Timbó (27 de julho) e Tebiquari (de 20 a 30 de agosto). Almirante Abreu faleceu aos 59 anos, em 14 de julho de 1895, em sua cidade natal. 

Comandante Felinto Perry 
Nascido em Rio Grande, em 16 de janeiro de 1844, Felinto Perry era filho do português José Maria Perry de Carvalho e de Maria das Dores Bastos Perry. Ingressou na Escola da Marinha aos 15 anos de idade, tornando-se Guarda-Marinha em 28 de julho de 1864. 

O Comandante Felinto Perry desempenhou diversas comissões em diferentes navios nos mais diferentes pontos do território brasileiro. Em 25 de julho de 1864, passou a integrar a tripulação da canhoneira “Mearim”, na qual participaria da Batalha Naval do Riachuelo em 11 de junho 1865.
Na ocasião, o então Segundo-Tenente foi citado em documento oficial dirigido ao Almirante Barroso, o qual comentava: “O Segundo-Tenente Felinto Perry, Comandante da 2ª bateria, é um oficial distinto por sua coragem e ardor no combate”. Além disso, por ocasião de sua morte, em 1892, o Almirante Tamandaré o chamou de “bravo entre os bravos”, em um artigo publicado no “Diário do Rio Grande”. 

Na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, atuou como administrador da Barra, tendo se destacado no controle das entradas e saídas dos navios, ao tempo em que ela apresentava grandes dificuldades de acesso. Atuou intensamente no salvamento de tripulantes em naufrágios.
Foi, também, Diretor da Escola de Aprendizes-Marinheiros do Rio Grande e Capitão do Porto da Província, cargo que ocupava como Capitão de Mar e Guerra, quando veio a falecer em 2 de abril de 1892. O Comandante Felinto Perry recebeu inúmeras condecorações, como a do Mérito Militar e de Oficial de Ordem de Aviz. 
Casado com a também rio-grandina Carolina Generosa Perry, com quem teve três filhos, Felinto Perry deu a seu primeiro filho o seu nome. Este alcançou o posto de Almirante e também faz parte da história da Marinha do Brasil por ter sido submarinista pioneiro, fiscalizado e acompanhado a construção dos primeiros submarinos brasileiros.

Foi empossado no cargo de Comandado a Força de Submarinos criada em 1914. Atualmente, o Navio de Socorro Submarino “Felinto Perry” é uma homenagem da Marinha do Brasil ao filho primogênito do herói naval. 

Pulcena Dias 

Filha de Manoel Ventura e Joana Dias, negros oriundos da Costa da África, Polocena Maria Dias, que com o passar dos anos ficou conhecida como Pulcena Dias, entrou para a história como a mãe do Imperial Marinheiro Marcílio Dias.
Antes de 1830, casou-se com Joaquim Francisco. Dessa união, nasceram suas três filhas: Cesaria, Joaquina e Luiza.
Após ficar viúva, continuou a trabalhar como lavadeira, frequentando casas de famílias tradicionais da cidade do Rio Grande. 
Em 1838, nascia Marcílio Dias o filho caçula de Pulcena Dias e Manuel Fagundes, marítimo, de naturalidade portuguesa. Conta a história que, em 1855, a lavadeira foi presa injustamente e, preocupada com o mau comportamento do filho durante seu período no cárcere, decidiu pedir ao compadre que entregasse Marcílio Dias aos “menores”, como era conhecida a escola de Grumetes situada no Rio de Janeiro.
Aos 17 anos, em julho de 1855, Marcílio Dias ingressou na Armada Imperial como Grumete (Recruta), sendo Praça no Corpo de Imperiais Marinheiros em 5 de agosto do mesmo ano. Em 27 de junho de 1856, a então encarcerada Pulcena Dias foi libertada, sendo absolvida da injusta acusação que lhe foi acometida. 
Faleceu, vítima de enfermidade cerebral, em 23 de maio de 1865, aos 68 anos de idade, vinte dias antes da Batalha Naval do Riachuelo, que imortalizaria seu filho. Foi sepultada no cemitério da localidade onde nascera e vivera.
O Imperial Marinheiro Marcílio Dias sagrou-se herói naval, em 11 de junho de 1865, ocasião que travou uma luta corpo a corpo com quatro inimigos, abatendo dois deles. Na luta, teve seu braço decepado na defesa da Bandeira do Brasil.

Os ferimentos sofridos causaram-lhe a morte, com apenas 27 anos de idade, em 12 de junho. Foi sepultado, em 13 de junho de 1865, com as honras de cerimonial marítimo nas próprias águas do Rio Paraná.