Saab quer voar demonstrador de caça não-tripulado em 2027

Saab quer voar demonstrador não-tripulado em 2027.

Ao mesmo tempo em que amplia as capacidades do Gripen E e busca novos clientes para o caça, a Saab avança em estudos voltados ao futuro da aviação de combate. Durante uma apresentação no Singapore Airshow, na quinta-feira (5), a fabricante sueca revelou a intenção de realizar, no próximo ano, o voo de um demonstrador de caça não tripulado.

A informação foi divulgada por Per Nilsson, chefe da área de programas avançados de aeronáutica da Saab. Segundo ele, a iniciativa faz parte do programa Future Fighter System (KFS), financiado pelo governo sueco e voltado à avaliação de diferentes conceitos para um caça de próxima geração.

De acordo com o executivo, a Saab está envolvida atualmente em cerca de 150 projetos relacionados ao Futuro Sistema de Combate Aéreo (FCAS). O voo previsto para 2027 marcaria a transição de uma fase predominantemente conceitual para testes práticos, com um demonstrador pensado como uma plataforma flexível, capaz de receber diferentes sensores, computadores de missão e novas soluções tecnológicas ao longo do tempo.

Nilsson também destacou que uma decisão estratégica sobre o futuro caça sueco deverá ser tomada até 2030. Estocolmo avalia três caminhos possíveis: o desenvolvimento independente de uma nova aeronave, a cooperação internacional ou a aquisição de sistemas prontos no exterior. O executivo não indicou preferência por nenhuma das opções nem apresentou prazos para uma eventual entrada em serviço de novas aeronaves.

Futuro Sistema de Combate Aéreo (FCAS verá aeronaves voando integradas. Imagem: Saab.
Futuro Sistema de Combate Aéreo (FCAS verá aeronaves voando de forma integrada. Imagem: Saab.

Os estudos conduzidos pela Saab incluem ainda o emprego combinado de diferentes plataformas. Além do Gripen E e de um eventual caça de nova geração, o conceito prevê aeronaves colaborativas avançadas (alas leais), tripuladas ou não, subsônicas e supersônicas, bem como uma plataforma subsônica de menor custo. Também estão em avaliação tecnologias como aumento de autonomia, inteligência artificial, nanotecnologia, prototipagem rápida e manufatura aditiva.

Outro ponto abordado foi o desenvolvimento de soluções de baixa observabilidade mais compatíveis com a doutrina sueca de operações dispersas. A ideia, segundo Nilsson, é permitir que futuras aeronaves mantenham baixos níveis de assinatura mesmo operando a partir de rodovias ou pistas improvisadas, sem depender de infraestrutura especializada. Parte dessas tecnologias deve ser demonstrada já no próximo ano, embora não necessariamente integrada de imediato ao demonstrador voador.

O projeto também fará uso do chamado “núcleo de software dividido”, arquitetura já empregada no Gripen E, que separa os sistemas operacionais das funções críticas de voo. Esse modelo permite atualizações mais frequentes de software e reduz o tempo em que a aeronave precisa ficar fora de operação para receber novas capacidades.

Por fim, Nilsson não revelou maiores detalhes sobre o projeto e afirmou que ainda é cedo demais para estimar quando alguma das novas aeronaves entrará em operação.

COMPARTILHE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *