Retrospectiva aeroespacial brasileira 2015

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Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas.

O ano de 2015 foi marcado por esforços de vários setores e instituições com vistas aos preparativos para lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), acontecimento previsto para o segundo semestre de 2016.

Este é o principal projeto da área espacial em andamento. O equipamento vai atender as demandas de comunicações no âmbito do Ministério da Defesa (MD) e ao Plano Nacional de Banda Larga do Ministério das Comunicações.

Em São José dos Campos (SP), principal pólo de tecnologia aeroespacial brasileiro, também ocorreram diversos outros fatos ligados à área aeroespacial. Os centros de lançamento localizados em Alcântara (MA) e Natal (RN) também foram palco de importantes efemérides.

Satélite brasileiro

A partir do próximo mês de março inicia no Brasil a capacitação dos profissionais que vão operar o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Nos últimos três anos, a preparação dos operadores ocorreu em centros da Europa, Canada e Chile. Intercâmbios de informações técnicas também foram efetuados com França e Itália na busca de referências para estabelecer o modelo brasileiro de operação. O satélite brasileiro, que vai atender a comunicações de defesa e ao plano nacional de banda larga, tem previsão de ser lançado ao espaço no segundo semestre de 2016. As antenas de envio e recebimento de dados e os centros de operação primário e secundário serão construídos pela Telebras dentro de áreas militares.

Em 2016, o Núcleo do Centro de Operações Espaciais Principal (NuCOPE-P) também deve desenvolver, junto com a Telebras, acordo específico para a operação do SGDC. “Deveremos definir o que será responsabilidade de quem, como se dará a tomada de decisão em situações críticas, como será a divisão de tarefas no controle do SGDC, como se dará a divisão dos gastos do COPE entre os partícipes, dentre outras coisas”, afirmou o coronel Hélcio Vieira Júnior, comandante do NuCOPE-P.

O Núcleo também terá a atribuição de estudar e propor a ativação do Comando de Sistemas Espaciais. A nova unidade da Aeronáutica terá como subordinados os centros de operação principal, em Brasília (DF), e secundário, no Rio de Janeiro (RJ).

Jornada Espacial e o futuro astronauta brasileiro

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Pedro Nehme foi selecionado para ser o futuro astronauta brasileiro. (Imagem: FAB – Esquadrão Pampa)

A formação das futuras gerações de pesquisadores e profissionais do setor aeroespacial foi foco da Jornada Espacial realizada em novembro. Promovida pela Agência Espacial Brasileira (AEB), a 13ª edição do evento reuniu 45 alunos e 33 professores de ensino médio de todo o Brasil ao longo de uma semana em São José dos Campos. “O trabalho na área espacial é muito pouco divulgado no Brasil. Queremos demonstrar a importância do que vem sendo feito e tentar sensibilizar os jovens para que trilhem caminhos profissionais e desenvolvam conhecimento”, afirmou um dos organizadores, José Bezerra Pessoa Filho, engenheiro do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

Os participantes foram selecionados a partir do seu desempenho na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), que envolveu mais de 800 mil alunos e 60 mil professores de todo o País.

Em junho, o futuro astronauta brasileiro, Pedro Henrique Dória Nehme, de 23 anos, fez um voo de 50 minutos numa aeronave de caça supersônica F-5. O voo faz parte da preparação do jovem para a viagem que fará ao espaço. A viagem ainda não está agendada. Ele venceu o concurso da empresa aérea holandesa KLM quando concorreu com 129 mil candidatos de todo o mundo. O estudante de engenharia elétrica da Universidade de Brasília também passou por treinamento no Instituto de Medicina Aeroespacial (IMAE).

CLBI 50 anos

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O CLBI completou 50 anos no dia 16 de dezembro. (Imagem: Agência Força Aérea)

Em outubro, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), localizado no Rio Grande do Norte, completou 50 anos com a marca de aproximadamente 3 mil foguetes lançados, bem como rastreamento de mais de duzentos veículos espaciais lançados a partir da Guiana Francesa, entre eles os foguetes Ariane, Soyuz e Vega. “O CLBI tem direcionado seus esforços e projetos não somente aos lançamentos, mas a ações de comprometimento social e educacional”, afirmou o diretor do Centro, coronel Maurício Lima de Alcântara. Em novembro, a unidade conquistou a certificação ISO 14.001, norma para sistema de gestão ambiental, registrando o comprometimento e a excelência nas ações nessa área.

Ano da luz

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“Feira Itinerante: Luzes para a Educação”, projeto desenvolvido pelo IEAV (Imagem: Agência Força Aérea)

Para celebrar o Ano da Luz, data celebrada pela Unesco, o grupo de pesquisa em óptica e fotônica do Instituto de Estudos Avançados (IEAV) desenvolveu o projeto “Feira Itinerante: Luzes para a Educação”. A demonstração composta por dez experimentos lúdicos percorreu escolas de São José dos Campos. A ideia promoveu os conceitos de óptica e incentivar as crianças a entender como funciona esse fenômeno. “Com isso esperamos despertar a visão de que as ciências exatas também são interessantes”, explicou o coordenador do projeto, o professor doutor Jonas Jakutis Neto.

A área de óptica e fotônica do IEAV tem mais de 30 anos. Foi responsável, por exemplo, pelo desenvolvimento de alguns dos primeiros lasers do Brasil, como o que utiliza vapor de cobre e CO2 (gás carbônico), com várias aplicações na área industrial.

Pesquisadores e indústria

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Empresas, institutos de pesquisas e universidades discutiram soluções para desenvolvimento de tecnologias nacionais. (Imagem: INPE)

A comunidade aeronáutica pensou como transferir tecnologia para fabricação nacional de componentes. Por isso, empresas, instituições de pesquisa e universidades com competências estiveram reunidos por diversas vezes ao longo do ano para encontrar soluções para desenvolver tecnologia nacional.

Grupos também discutiram efeitos da radiação sobre componentes de uso aeroespacial. No Laboratório Nacional de Astrofísica, em Itajubá (MG), iniciaram em fevereiro os estudos para monitoramento de radiação cósmica.

Da mesma forma, um workshop procurou aproximar os ambientes operacional e técnico-científico com a troca de experiências entre os centros de pesquisa e desenvolvimento da Marinha, Exército e da Aeronáutica.

Sensoriamento remoto

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CBERS-4 satélite sino-brasileiro de observação da terra. (Imagem: INPE)

O sensoriamento remoto foi tema de livro. O guia “Calibração de sensores orbitais” aborda os procedimentos necessários para garantir a qualidade e a acurácia das informações fornecidas por satélites. O livro foi produzido por Flávio Jorge Ponzoni (do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE), e a pesquisadora Cibele Teixeira Pinto (INPE e Instituto de Estudos Avançados – IEAV).

De acordo com a pesquisadora, a carreira acadêmica desenvolvida dentro do Instituto de Estudos Avançados (IEAV) foi fundamental. Depois de nove anos de estudos e qualificação, Cibele tornou-se responsável pela caracterização da câmera Mux do CBERS-4, satélite sino-brasileiro de observação da terra lançado em dezembro de 2014. Caracterizar significa verificar o funcionamento e estabelecer parâmetros de calibração da imagem.

Planejamento de operações aéreas

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O Sistema de Planejamento de Missões Aéreas (PMA) recebeu novas atualizações em 2015. (Imagem: Agência Força Aérea)

Neste ano, o Instituto de Estudos Avançados (IEAV, um dos institutos do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial-DCTA), atualizou e incrementou com novos recursos o Sistema de Planejamento de Missões Aéreas (PMA II). O sistema é empregado pelo Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR) para planejar atividades de voo, em missões conjuntas, manobras ou ações rotineiras. O software também serve para realizar debriefings (revisão critica das missões) após os voos, como, por exemplo, validar o resultado de um combate.

Com os recursos tecnológicos da aeronave A-29 Super Tucano, a Esquadrilha da Fumaça (denominação informal atribuída ao Esquadrão de Demonstrações Aéreas da Força Aérea Brasileira-FAB) também passa a usar o programa que permite visualizar os dados em 2D, em que é possível ver o voo com as referências no solo, e em 3D. A nova aeronave da “Fumaça” possui computador de bordo, cujos arquivos podem ser interpretados pelo PMA.

Projetos SARA e VLS

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Tecnologias desenvolvidas para o VLS são empregadas em outros foguetes. (Imagem: CLA)

Em novembro, uma explosão no motor, ocorrida no momento da ignição, destruiu o foguete VS-40M, durante a Operação São Lourenço, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Ninguém se feriu. A operação envolveu 300 profissionais e tinha por objetivo testar o Satélite de Reentrada Atmosférica (SARA), o qual tem potencial de viabilizar experimentos em ambiente de microgravidade, contribuindo para ganhos de qualidade da indústria nacional e para o desenvolvimento do País em importantes áreas do conhecimento, tais como processos biológicos, produção de fármacos e materiais especiais, e “deverá ser retomado o mais rapidamente possível” de acordo com o diretor-geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, tenente brigadeiro-do-ar Alvani Adão da Silva.

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Foguete VS-40M (Imagem: IAE)

Em relação ao Programa Espacial Brasileiro, vimos como as tecnologias desenvolvidas em 25 anos para o Veículo Lançador de Satélites (VLS) estão sendo aplicadas em outros setores da economia, como o petrolífero e a geração de energia eólica.

Ivan Plavetz