PROSUB – Os progressos e ganhos do mais importante programa estratégico da Marinha

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Por Angelo Nicolaci (*)

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos, mais conhecido como PROSUB, teve início nos idos de 2008, quando foi firmada a parceria entre Brasil e França, objetivando a aquisição não apenas dos quatro submarinos Classe Riachuelo (Projeto S-BR, o qual tem como ponto de partida a Classe Scorpéne), mais toda uma capacidade industrial e tecnológica envolvendo todo processo de construção do submarino convencional (diesel/elétrico), com a transferência de diversas tecnologias, as quais serão de suma importância para alcançarmos um novo patamar rumo a obtenção de nosso primeiro Submarino Nuclear (SN-BR), a Classe Álvaro Alberto (SN-10).

Passados 12 anos desde o primeiro passo nesse que é apontado como um dos mais ousados e importantes programas de defesa brasileiro, o que se conquistou até aqui? Como está o andamento do PROSUB e quais as perspectivas futuras?

Um dos grandes ganhos que o PROSUB trouxe, com toda certeza foi a capacitação tecnológica, resultando na criação de um moderno complexo industrial em Itaguaí, no Rio de Janeiro, onde a NUCLEP, o maior mais importante dos centros de usinagem do país, recebeu novas e importantes capacidades em seu já vasto leque de domínios tecnológicos, passamos a contar também com uma moderna unidade de fabricação de estruturas, a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), contando com uma área de 96 mil m², sendo 57 mil m² de área construída, está equipada com modernos equipamentos de construção, os quais possibilitam levar a cabo toda fase de preparação e montagem das seções dos novos e modernos submarinos brasileiros. Capacidade esta que pode ser direcionada também a futuros programas de construção naval.

Atualmente estamos na fase final de construção da última seção do terceiro submarino da Classe Riachuelo (S-BR3), o S-42 Tonelero, e em avançado estágio construtivo das seções do quarto exemplar, o S-43 Angostura. Há perspectivas de um quinto exemplar da Classe Riachuelo, este ainda em estudo de viabilidade orçamentária, tendo em vista a necessidade de se manter o ciclo produtivo nas instalações, mantendo as capacidades conquistadas e garantindo a ampliação e modernização da nossa Esquadra.

Outro importante ganho foi a criação do Estaleiro Itaguaí Construções Navais (ICN), este contando com uma moderna estrutura, localização estratégica e contando com capacidade de atender toda e qualquer demanda que no Marinha venha a apresentar, seja para atender o PROSUB (seu objetivo inicial) quer seja para atender outras demandas da nossa Esquadra ou demais programas navais.

O PROSUB não se limita apenas a construção dos quatro submarinos da Classe Riachuelo e o Submarino Nuclear (SN-BR), mas abre as portas para um novo mercado à nossa indústria de defesa, nos possibilitando adentrar um seleto mercado onde poucos players atuam, a construção de submarinos convencionais e serviços correlatos a estes, passando a contar com o maior e mais moderno centro da América Latina, e já atrai os olhos de potenciais clientes na região, com o Peru se mostrando como potencial cliente.

Apesar de todo os ganhos citados acima, ainda existem alguns críticos ao programa, os quais invariavelmente questionam sobre a necessidade deste vultoso investimento, porém, estes mesmos críticos ignoram importantes dados relativos aos retornos gerados pelo bilionário investimento no PROSUB, o qual não se limita à capacidade de dominar a construção de meios complexos e modernos como é o caso dos submarinos, ou ainda a abertura de um novo nicho de exportações que tem sido trabalhado e tudo indica que logo resultará em seu primeiro contrato de exportação. Mas há todo um ganho no campo social e econômico, o qual beneficia não apenas a Base Industrial de Defesa e seus fornecedores, mas a sociedade como um todo e nossa economia, quer seja pela geração de milhares de empregos diretos e indiretos, quer seja pela arrecadação de impostos. Tudo isso somado a capacitação profissional e investimentos na região.

O Complexo de Itaguaí, ainda oferece uma grande perspectiva de crescimento e desenvolvimento daquela região, onde recentemente foi ativada a Base Naval da Ilha da Madeira, a qual receberá a Força de Submarinos, sendo parte da estratégia da Marinha do Brasil de retirar o grosso da Esquadra da cidade do Rio de Janeiro, onde já existem estudos em andamento no intuito de avaliar a possibilidade de atracação das futuras fragatas da Classe Tamandaré no Complexo Naval de Itaguaí. Há elevada probabilidade de que isso aconteça, e com isso surge a demanda da criação de toda uma estrutura voltada a operação desses meios naquela região, pois envolve mais do que apenas as facilidades para os meios em si, mas toda uma infraestrutura para receber todos tripulantes e demais militares envolvidos, com a construção de casas e todo suporte necessário a estes.

Outra questão que envolve o Complexo Naval de Itaguaí, diz respeito a outro importante programa da Marinha, o qual prevê a retirada de boa parte do poder naval da cidade do Rio de Janeiro, o que não significa sair do estado, mas sim se adequar às novas necessidades estratégicas identificadas pela Marinha.

Não é nada contra a cidade do Rio de Janeiro, é que não existe no mundo uma Marinha do porte da nossa, numa cidade como Rio de Janeiro. Não existe Marinha dos EUA em Los Angeles ou Nova York, a Marinha inglesa não está em Londres, porque as grandes cidades de certa maneira impõem desafios de mobilidade e segurança. Então, nossa intenção é paulatinamente, na medida do possível fazer essa transição“, disse o Comandante da Marinha, almirante de esquadra Ilques Barbosa Junior, comandante da Marinha do Brasil.

No dia 16 de outubro, a ICN realizou a operação de transferências da seção S2A, do Submarino S-42 Tonelero, seguida pelas seções de vante, as S2B, S3 e S4, na última quinta-feira (22), com previsão de ainda este mês ser transferida a última seção de ré, a S1, que resultará no início do processo de montagem final do Submarino, previsto para ser integrado em dezembro de 2020 e lançado ao mar no segundo semestre de 2021.

É motivo de grande orgulho poder acompanhar o programa desde o início, ter acompanhado de perto a montagem do primeiro exemplar da Classe Riachuelo e os demais navios da classe. Em breve novas matérias e informações sobre nossa Marinha do Brasil e seus programas.

 

(*) Angelo Nicolaci é jornalista, palestrante e consultor de defesa, editor do website GBN Defense e agora colaborador de Tecnologia & Defesa.
Seja bem-vindo às nossas páginas.

 

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1 Comentário

  1. Como gostam de rodas e estradas nesse país.
    Não seria mais prático, útil e eficaz um sistema de trilhos e trens para transporte dos submarinos ?

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