Projeto de revitalização dos carros de combate Leopard 1A5 começa a entregar as primeiras unidades

Prolongar a vida útil da frota de blindados do Exército Brasileiro (EB) é o principal objetivo do Projeto de Revitalização dos Carros de Combate Leopard 1A5, que, em janeiro de 2026, concluiu o trabalho nas duas primeiras unidades.

Incluído no Programa Estratégico Forças Blindadas (Prg EE F Bld), lançado no segundo semestre de 2025, o Projeto é gerido pelo Estado-Maior do Exército (EME), coordenado pelo Comando Militar do Sul (CMS) e pelo Comando Logístico (COLOG) e executado pelo Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar (Pq R Mnt/3).

O diretor do Parque, coronel Idunalvo Mariano, pontua que a revitalização faz com que os Leopard 1 A5 possam continuar sendo empregados em pleno desempenho até 2040, “a revitalização do Leopard vai fazer com que o Exército ganhe uma sobrevida do seu poder de combate, por mais 15 anos, isso favorece a projeção de poder do Exército Brasileiro”. 

Nos pavilhões do Pq R Mnt/3, localizado em  Santa Maria (RS), a atividade de revitalização é minuciosa, envolve uma equipe qualificada e especializada, como explica o subtenente Luciano Rauber, que compõe a equipe de militares que trabalha no Projeto, “a revitalização é um processo diferente da manutenção preventiva e corretiva que se faz periodicamente nos veículos, com a revitalização pretende dar uma longevidade ao carro de combate”.

Os Leopard 1 A5 têm como origem os regimentos de cavalaria blindados dos três estados do âmbito do Comando Militar do Sul. Ao chegarem ao Parque passam por um diagnóstico de problemas e, então, o foco do trabalho é dividido em duas grandes partes: no chassi e na torre. A 2º tenente Letícia Moreira, chefe do Pavilhão de Manutenção, explica que “são feitos testes iniciais para identificar as peças que precisam ser trocadas e então fazemos o trabalho de revitalização e os testes finais para devolver o veículo para as unidades militares”. 

Para otimizar processos e reduzir custos, o Parque de Manutenção possui uma seção de Estudos e Projetos onde engenheiros formados no Instituto Militar de Engenharia (IME) desenvolvem peças exclusivas para serem utilizadas na manutenção dos blindados. “Eles fazem o desenvolvimento de materiais para que a gente possa nacionalizar componentes e dar solução na manutenção que a gente executa”, destaca o coronel Mariano.   

A previsão é de que, em 2026, cinco viaturas Leopard 1A5 sejam revitalizadas, totalizando 52 unidades em dez anos, duração do Projeto. A revitalização de cada viatura leva, pelo menos, dois meses de trabalho intenso. Após a troca de peças e componentes eletrônicos necessários são feitos os testes finais que incluem, entre outros, verificação de arranque, aceleração, frenagem, além da estabilização da torre e do armamento. “Somente quando aprovado em todos os testes e estiver funcionando por completo, o blindado está apto para ser entregue de volta para a unidade”, explica o 1º sargento Volnei Della Flora, integrante da equipe de revitalização. 

Nas unidades militares, os Leopard 1A5 são empregados em operações reais e em exercício de adestramento das tropas. As unidades que serão revitalizadas integram a frota do Comando Militar do Sul, que detém cerca de 80% dos blindados do EB, configurando o CMS como a elite do combate convencional.


CARACTERÍSTICAS DO LEOPARD 1A5 

Mobilidade e poder de fogo com proteção blindada são características do Leopard 1 A5.  De origem alemã, o carro de combate é empregado mundialmente em áreas de conflito e ações de defesa. No EB, a viatura está em operação desde 2009, nos regimentos de cavalaria. 

Um carro de combate de 42 toneladas, motor com potência de 830HC e autonomia para percorrer 600 quilômetros de distância, conta com avançado sistema de controle de tiro, com visão térmica que possibilita alcance e precisão mesmo à noite. O Leopard 1 A5 tem alto poder de fogo e é equipado com canhão 105mm, além da possibilidade de acoplar metralhadoras antiaéreas e MG3.


Fonte: Comando Militar do Sul
Texto: 2º tenente Alice Pavanello

Fotos: cabo Carlos Eduardo Cruz da Silva e soldado Felipe Wenceslau Ávila

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