Com a frota de A-4 Skyhawk se aproximando do limite operacional até 2030, a Marinha do Brasil (MB) precisa definir se manterá sua aviação de caça e como essa capacidade poderá apoiar a esquadra.
Em um cenário internacional marcado pelo rápido avanço tecnológico, proliferação de drones e mísseis de longo alcance e o aumento da competição estratégica entre potências (nem sempre leais), o poder naval depende cada vez mais da integração entre forças de superfície e seus meios aéreos de combate. Nesse ambiente, marinhas que perdem sua aviação de combate reduzem significativamente sua capacidade de projeção de poder e de proteção de suas forças no mar.
A aviação de caça da MB se aproxima de um ponto de decisão estratégico. O 1º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque (VF-1), o “Esquadrão Falcão”, opera o veterano McDonnell Douglas A-4KU Skyhawk (designados AF-1 Falcão). Uma aeronave projetada na década de 1950, cuja vida útil está cada vez mais próxima do fim. A Marinha precisa decidir se pretende preservar sua capacidade de aviação de combate ou permitir que essa competência, que foi recuperada com muito esforço, desapareça nos próximos anos.
NO LIMITE OPERACIONAL
Os A-4 foram adquiridos do Kuwait no final da década de 1990 e desempenharam um papel importante ao longo das últimas décadas, capacitando toda uma geração de pilotos navais, mantendo viva a doutrina de aviação de caça e oferecendo capacidade de ataque contra alvos de superfície. Entretanto, mesmo com programas de modernização e revitalização realizados nos últimos anos, trata-se de uma aeronave concebida há mais de sete décadas, cuja manutenção se torna cada vez mais complexa e onerosa. Apesar das melhorias introduzidas na modernização, os limites estruturais da aeronave são inevitáveis. Avaliações indicam que a frota dificilmente poderá operar além do ano 2030.
Enfrentando baixa disponibilidade operacional, a manutenção dessas aeronaves tornou-se progressivamente mais difícil devido à escassez de peças, à idade das estruturas e à necessidade de intervenções técnicas cada vez mais frequentes. Além do impacto financeiro, a continuidade da operação de uma aeronave tão antiga também levanta preocupações naturais relacionadas à segurança de voo.
Diante desse cenário, a discussão sobre a substituição do A-4 não é apenas uma questão de modernização tecnológica ou aumento da capacidade operacional (como deveria ser), mas de sobrevivência da aviação de asa fixa naval. A MB precisa decidir – e logo – se pretende preservar essa capacidade ou aceitar sua perda, que reduziria significativamente a possibilidade de, no futuro, voltar a operar um navio-aeródromo. Por essa razão, a manutenção da doutrina de aviação de caça naval continua sendo um elemento importante para a evolução do poder naval brasileiro.
BASES AERONAVAIS E APOIO ÀS FORÇAS DE SUPERFÍCIE
A discussão sobre o futuro da aviação de caça naval muitas vezes é associada exclusivamente à existência de um porta-aviões. No entanto, essa é visão uma limitada.
Em um país com mais de 7.400 quilômetros de litoral e uma vasta área marítima de responsabilidade, aeronaves de combate podem desempenhar um papel fundamental operando a partir de bases aéreas e aeronavais distribuídas ao longo da costa brasileira.
Bases localizadas no Nordeste, Sudeste e Sul do país — além de posições estratégicas como Fernando de Noronha — poderiam apoiar operações navais em amplas áreas do Atlântico Sul. Esse modelo ampliaria significativamente o alcance das forças de superfície, permitindo cobertura aérea, vigilância e capacidade de ataque em apoio direto à esquadra. Assim, a aviação de combate continuaria sendo um importante multiplicador de poder naval, ampliando a capacidade de vigilância marítima, oferecem proteção aérea para navios e permitem o engajamento de alvos de superfície a grandes distâncias.
Nesse contexto, a integração de novos armamentos também representa um fator estratégico relevante. O desenvolvimento do míssil antinavio MARSUP – versão ar-superfície do MANSUP – e sua integração em caças navais, mesmo que operando de bases costeiras ou insulares, ampliaria de forma substancial o poder ofensivo da esquadra.
A partir dessas bases poderiam realizar ataques “stand-off” contra alvos de superfície a grande distância, aumentando a capacidade de dissuasão naval brasileira e, em um cenário de crise ou conflito, essa capacidade permitiria conduzir operações de negação de área no Atlântico Sul, dificultando a aproximação de forças hostis em regiões de interesse estratégico.
Além disso, aeronaves armadas com mísseis antinavio poderiam operar de forma integrada com navios da esquadra, executando ataques coordenados contra forças navais adversárias, aumentando a complexidade tática enfrentada pelo inimigo.
Outro aspecto cada vez mais relevante é a defesa contra drones. A proliferação de veículos aéreos não tripulados armados e de baixo custo já demonstrou seu impacto em conflitos recentes, e aeronaves de caça podem atuar como uma camada adicional de defesa da esquadra, interceptando drones e outras ameaças aéreas antes que se aproximem dos navios, como já foi demonstrado pela própria MB no ano passado.
Além disso, aeronaves de combate desempenham um papel fundamental em missões de reconhecimento armado e designação de alvos a longa distância, ampliando a consciência situacional e a eficácia das forças navais.
Diversas marinhas ao redor do mundo continuam investindo na integração entre forças navais, aviação de combate e sistemas não tripulados. Países como Estados Unidos, França, Reino Unido, Índia e China mantêm ou ampliam suas aviações embarcadas, enquanto outras marinhas operam aeronaves de combate a partir de bases costeiras para apoiar suas esquadras.
O poder naval moderno depende cada vez mais da integração entre diferentes domínios — submarino, superfície, ar, espaço e ciberespaço — formando uma arquitetura de combate cada vez mais conectada.
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Respostas de 36
Penso que a força aeronaval merecia no mínimo 12 caças FA-50 Golden Eagle da KAI. Seriam aeronaves muito próximas ao Gripen e que seria um belo complemento como vetor de defesa do nosso mar territorial e Ilhas Oceânicas. Claro que o ideal seria um caça bimotor e capacidade de pousar em PA como o Rafale ou o F-18… Ambos capazes de receberem a integração de um Missil colo o MANSUP na sua niva versão Ar-Mar. Contudo voltando para a nossa realidade de orçamento estrangulado pelo mercado, já estará de bom tamanho se conseguirmos uma dezena de AT-29 NG para Aviação Naval n
uma solução rápida e de baixo custo, Gripens C alugados, ou até os AMX Italianos, que estão em bom estado, aguardando co.prafores, alguns super Tucanos para defesa da costa, atacando drones Navais, ou stones aéreos, com foguetes guiados, fazendo o papel de um super Cobra, dando cobertura aérea .
No mínimo uns 50 caças deverão ser adquiridos.
DEVERIAM MAIS NEM A FAB QUE MAIS PRECISA ADIQUIRIU 50 GRIPENS
QUEM DIRÁS A MARINHA!
EMBORA, EU CONCORDE QUE DEVESSE SIM….
Distribuir aeronaves ao longo da Costa pode ser feito pela aeronáutica. Deixando a força Naval com aeronaves de asa móvel operando partir dos Navios.
Foi com essa mentalidade que a Argentina perdeu a guerra das Malvinas. Sem uma aviação naval disponível, mas apenas com caças partindo do continente, eles não tiveram capacidade de antagonizar o poder aeronaval da Inglaterra na ilha, com isso os ingleses garantiram a supremacia aérea, o que contribuiu para a vitória inglesa.
A Fab, nunca deu a devida importância ao patrulhamento e defesa do mar territorial, essa atribuição deve ser da Marinha. inclusive com caças armados com mísseis ar mar.
A COSTA OCEANICA BRASILEIRA É MUITO EXTENSA IMAGINE COMIGO
PAISES MINUSCULOS UTILIZAM POR QUE UM PAÍS COM TAIS DIMENSÕES COMO O BRASIL
IRIA SE APOIAR EM CATADOS DA FAB?
NÃO DÁ….
Está na hora de encarar a realidade. O porta aviões se foi e não faz mais sentido a aviação de caça na mb. Em breve a era dos porta aviões também entrará em colapso em razão dos drones e mísseis supersônicos. A Mb deveria direcionar recursos p submarinos e demais meios navais, além de buscar integração com a fab.
Seria interessante uma adaptação dos nossos Gripens para carregar misseis antinavio ar-superfície, como o MANSUP
concordo inteiramente. Esses super navios aeródromos estão com os dias contados, alvos muito grandes e fáceis. Sem interesse em projeção de ataque internacional, cabe menos ainda. Investir em submarinos é mais vantagem.
A decisão não tem sido fácil. Não é apenas questão orçamentária mas de custo geopolítico. No ocidente o modelo com a melhor relação custo benefício seria o M-346 da Leonardo, com possibilidade de ter uma versão navalizada futuramente. O JF-17 do Paquistão tem um custo político alto. O KF-21 da Coreia que poderia ser interessante para estreitar laços com a Coreia do Sul. As decisões precisam ser tomadas rápidamente. A medida que conflitos se ampliam mais difícil será realizar essas aquisições no curto prazo.
M-346 É UM JATINHO DE TREINAMENTO QUE PODE SER ADERIDO A ATAQUES LEVES É UM SUPER TUCANO UM POUCO MAIS VELOZ!
DIFICIL MESMO É TUDO CHEGAR AO LIMITE NA DEFESA E AINDA SIM ELES MANTEREM…
O MAIS VIAVEL SERIA ADERIR TUCANOS NAVAIS OU KF-21 DA COREIA COMO DITO
A marinha pode adquirir o F-18 Super Hornet via FMS da US Navy junto com helicópteros SH16 ou o Rafale M da França e adquirir adestramento operacional,ambos os caças são equipados com mísseis anti navio e são supersônicos para vigiar todo o litoral e podem ficar baseados além de São Pedro da Aldeia,também em Natal,Belém,Santos e Florianópolis.
Natal, São Pedro da Aldeia e Florianópolis seria uma distribuição bem equilibrada… 12 aeronaves em cada base, apoiadas por KC390, nas versões REVO e de Patrulha Maritima de longo alcance e de alerta antecipado…
Excelente texto! Parabéns!
Com certeza a MB não pode rescindir de seu poder aéreo com a aviação de caça, fundamental na defesa da força naval e da Amazônia Azul!!!
Hora de pensar talvez no F39 versão naval, ou até mesmo um caça chinês modelo naval.
Na minha opinião a aquisição de aeronaves A-29 Super Tucano com desenvolvimento específico para as necessidades da marinha, complementado com caças Gripen produzidos na Embraer também adaptados as necessidades da marinha, são plataformas eficientes com custos mais apropriados as nossas realidades e ainda utilizariamos fornecedor nacional.
força de submarinos dieseleletrico e nuclear em maio quantidade carreado com missil anti navio de longo alcance, e na costa baterias moveis com missil anti navio de longo alcance
Mais Brasil com o Brasil,os super tucanos são a melhor opção pois não dependeremos de nações “amigas” quase que totalmente e ainda contribuirá para o crescimento tecnológico e crianção de empregos para tempos de paz,(tomara que para sempre),e tempos de guerra na indústria de defesa brasileira.
Não vejo lógica ter uma Aviação de caça sem Porta Aviões. Para proteger o espaço aéreo nacional já tem a FAB como missão principal. É um gasto muito alto para manter uma tradição Naval e se um dia voltarmos a ter um
Porta aviões que embarque esse tipo de Aeronave, aí sim teremos caças para embarcar!
Brasil precisa de política de estado a médio e longo prazo para a sua defesa. Território extenso com vasta riqueza de recursos naturais, nossa indústria de defesa precisa de orçamento perene. Temos capacidade técnica, recursos materiais, base industrial de defesa e parque industrial diversificado que deve ser ampliado. Temos que desenvolver projetos para as 3 forças, fabricando no país embarcações para diversas atividades de superfície (fragatas, aeródromo, desembarque, transporte de combustível, equipamentos, suprimentos, hospital, navios patrulha), submarinos, caças para aviação embarcada, aviões de alerta antecipado, helicópteros de ataque, drones para diferentes atividades aéreas e subaquáticas, sistemas antiaéreo/mísseis, radares, satelites, veículos anfíbios, caças de nova geração, caças leve de ataque e treinamento avançado, aeronaves tanque, aeronaves de transporte, lanchas de patrulha, veículos blindados, tanques pesados, veículos de transporte terrestre, sistema de artilharia autopropulsada, veiculos de apoio às atividades de combate/manutenção. Parcerias com indústria de defesa de nações amigas também devem ser fomentadas e o financiamento do estado deve ser previsível e constante. Orçamento anual de defesa deve garantir percentual mínimo para que os projetos não sofram atrasos impactando na capacidade de defesa do país e na atividade de desenvolvimento tecnológico e na produção da indústria de defesa brasileira.
As guerras da Ucrânia e Iran demonstram que as coisas mudaram. Brasil tem mísseis? Brasil tem Drones? Deveríamos ao menos mudar nossa doutrina de defesa. Não adianta ficar comprando, devemos ter nossa própria indústria de defesa. Lógico que dentro das nossas limitações. Já nas Malvinas vimos o que faz a dependência tecnológica, agora então….
Não adianta sonhar. Embora defesa, tenha alto custo no mundo inteiro, sabemos que nossa estrutura de custo é inviável se quisermos ter uma força crível. Não faz o menor sentido por exemplo, a MB ter um efetivo mais que o dobro, da marinha britânica. Não temos navios nem bases para isso. Então eu entendo, que há necessidade de se repensar toda essa estrutura, para termos uma força moderna, enxuta e altamente treinada.
O M346FA cairia como uma luva para a substituição dos A4
A marinha precisa manter a capacidade da asa fixa. Acho que o avião italiano seria ideal. Depois futuramente quando tivéssemos um navio aeródromo partir para o F35
Fui militar da MB e desde aquela época era aparente uma situação hierárquica referente a aeronaves embarcadas no Nael Minas Gerais . O Brasil tem condições de construir aviação de combate e armamento para dar condições a essas aeronaves de combater. Penso que adquirir aeronaves de países aliados é bom ,porém o armamento não vêm junto. Digo isso porque ao longo do tempo a MB adquiriu Contra Torpedeiros nos anos 90 que tinham lançadores Asroc e os misseis , não vieram juntos…
Manter gastos milionários para manter uma doutrina se… um dia… Tivermos… um Porta-aviões…. Gasto de dinheiro absurdo, digno de CPI e numa Marinha que vez por outra não tem Diesel para os navios… O que a Marinha teria de operar antes de tudo era um moderno patrulha/ataque submarino e superfície de longo curso substituindo a força aérea nesta tarefa, no Mar a Marinha, se ela assumir o substituto do P-3 aí sim poderia pleitear Gripens para interceptação, esclarecimento sobre o oceano e ataque anti navio e anti submarino em grande velocidade longe da costa. Mas antes de aviões a Marinha tem de focar em navios, drones e principalmente submarinos!
gostaria muito de ver o Gripen nas cores da nossa Marinha! 🇧🇷
Existe um conceito chamado Saab Sea Gripen, que seria uma versão naval do Saab JAS 39 Gripen.
Ele teria:
Trem de pouso reforçado
Gancho de parada
Estrutura adaptada para catapultas
Resistência à corrosão marinha
A Saab chegou a estudar a aeronave pensando em países como Brasil e Índia, inclusive avaliando a possibilidade de operar em porta-aviões médios.
A Marinha brasileira inclusive acompanhou o programa Gripen da FAB justamente pensando em uma eventual versão naval. Mas nada que tenha saído do papel.
A penúria que as forças armadas estão passando é grave
Na minha humilde opinião, a MB deveria abandonar de vez essa caríssima história de ter caças e obter, no mínimo, três esquadrões de aviões de guerra antinavio/antisubmarino, equipados com mísseis antinavio, torpedos, sonoboias e sensores no estado da arte; a Embraer poderia participar convertendo aeronaves E-190/195, com alcance otimizado para patrulhas armadas de longo alcance; o apoio aéreo cerrado para os fuzileiros navais, poderiam ser realizados com a aquisição de hélis de ataque.
Nossa, eu lendo os comentários e vendo o povo viajando!
A MB tem que ser realista. Não há condições orçamentárias para manter uma aviação de caça agora e no futuro. Hoje, seriam apenas alvos. Ela tem que investir em drones e reforçar significativamente a força de helicópteros. Investir em armas de dissuasão como submarinos.
Hoje os porta-aviões se tornaram GRANDES ALVOS para uma diversidade gigante de mísseis… E os americanos sabem disso. A era dos grandes porta-aviões esta chegando ao seu fim.
Não sei o que a Marinha vai decidir. Pode adquirir novos caças, pode optar por aeronaves de patrulha, pode simplesmente não fazer nada e abrir mão dessa capacidade, enfim, é uma questão de escolha. Fatos que a Marinha não deveria ignorar:
1) Confiar à FAB a defesa aeroespacial das águas brasileiras é ignorar que o esforço da Força Aérea na defesa de terra já é hercúleo e a tendência é piorar a questão de ameaça.
A FAB nunca vai admitir isso, mas ela simplesmente não tem perna para tudo.
2) Dizer que numa área marítima do tamanho da brasileira é possível vigiar e defender com drones, ou pior, com helicópteros, é realmente coisa de quem não acredita que pode haver uma ameaça à soberania brasileira vinda do mar.
Drones e helicópteros têm muito a contribuir e são peças essenciais nessa engrenagem, mas nem de longe possuem capacidades de ataque, alcance, velocidade e detecção necessárias para fazer frente à uma força naval antagônica de médio porte numa área tão grande e com tantos eixos de ameaça.
Inicialmente a MB deveria abarcar pra si as missões de patrulha e esclarecimento naval. Coisa que não faz, por desinteresse ou política. Depois, adquirir belonaves que complementassem as bases aeronaves que porventura estariam distribuídas ao longo da costa. A aeronave? Qualquer coisa que tivesse autonomia e pudesse lançar mísseis e bombas guiadas. Opções existem.
Com 9 avioes ultrapassados podemos dizer que nao ha aviçao de asa fixa na marinha, oque temos eh um desperdício de dinheiro . Antes de pensar em comprar devemos rever nosso generais que nao tem condições nenhuma de gestao a exemplos A 12 Sao Paulo comprado e aposentado bem antes do previsto , ou o caso dos traker que foi gasto milhões e no fim abandonado o projeto .