O mais novo porta-aviões nuclear da Marinha Francesa vai se chamar France Libre. O nome foi anunciado pelo presidente Emmanuel Macron na última quarta-feira (18), durante um evento na sede da Naval Group, em Nantes.
No discurso, Macron destacou que a escolha resgata o legado do general Charles de Gaulle, que liderou a França após a invasão alemã na década de 1940. Exilado, de Gaulle articulou a resistência ao regime nazista, organizando a chamada Resistência Francesa — um movimento decisivo para a derrota alemã na Europa Ocidental.
“É por isso que nosso novo porta-aviões se chamará ‘France Libre’. Nesse nome vive a memória de homens e mulheres que se levantaram contra a barbárie, unidos para salvar a pátria e defender um ideal de nação”, afirmou Macron. O presidente também associou o batismo à necessidade de ուժ militar e dissuasão: segundo ele, manter a liberdade exige preparo, força e capacidade de resposta.
A fala reforça o momento de rearmamento vivido pela França, que busca ampliar suas capacidades militares diante de tensões na Europa, África e Oriente Médio. Ao mesmo tempo, Paris tem adotado uma postura mais assertiva frente à política externa do presidente americano Donald Trump, especialmente após críticas recorrentes aos países da OTAN.

Antes do nome oficial, o projeto era conhecido como Porte-avions de nouvelle génération (PA-NG). O programa foi anunciado em 2018 pela então ministra das Forças Armadas, Florence Parly. Em 2025, Macron autorizou a fase de realização, encerrando o ciclo de desenvolvimento.
O France Libre será construído pela MO Porte-Avions, uma joint venture que reúne a Naval Group e a Chantiers de l’Atlantique, com participação da TechnicAtome, responsável pelos reatores nucleares.
Maior que o atual Charles de Gaulle (R91), o novo navio terá cerca de 310 metros de comprimento, 90 metros de boca e deslocamento aproximado de 80 mil toneladas. A capacidade estimada é de até 40 aeronaves, incluindo caças Dassault Rafale M na versão F5, aeronaves de alerta antecipado E-2 Hawkeye e helicópteros NH90 Caiman. Há ainda a intenção de integrar o caça de nova geração do programa Future Combat Air System (FCAS), embora o projeto enfrente impasses industriais entre a Dassault Aviation e a Airbus.
A construção deve começar em 2032, com a montagem do casco nos estaleiros da Chantiers de l’Atlantique. A etapa final ocorrerá na base naval de Toulon, onde o navio será equipado e receberá o combustível nuclear. Os testes de mar estão previstos para 2036, com entrada em serviço estimada para 2038 — período em que o Charles de Gaulle (R91) deve iniciar sua desativação. A expectativa é que o novo porta-aviões permaneça em operação por cerca de 45 anos.