A iniciativa visa o desenvolvimento tecnológico e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa
Com o propósito de estabelecer bases para uma cooperação institucional voltada ao desenvolvimento de estudos técnicos e análises de viabilidade de novos materiais de emprego militar, a Marinha do Brasil (MB), por meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), celebrou Protocolo de Intenções com a empresa Taurus Armas S.A., na terça-feira (10), na Fortaleza de São José, no Centro do Rio de Janeiro. A parceria conta com o apoio institucional do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O acordo nasce com a missão de estudar e viabilizar equipamentos que atendam às reais necessidades de quem está na linha de frente. O foco principal está no desenvolvimento de estudos de novos sistemas de armas leves e coletivas e drones armados, projetados especificamente para os diversos ambientes onde a Marinha opera, em consonância com as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa (END).
Desse modo, caberá ao CFN o papel estratégico de traduzir a realidade do combate em requisitos técnicos. A instituição será responsável por identificar as necessidades específicas da tropa e orientar o desenvolvimento, garantindo que as soluções estejam alinhadas aos objetivos da Força Naval. Além disso, o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) conduzirá a avaliação prática dos produtos em seu ambiente operacional, visando homologar os novos materiais, assegurando, assim, que eles suportem as exigências das missões reais.
A Taurus atuará como o braço industrial e tecnológico dessa aliança. A empresa mobilizará sua equipe técnica especializada para propor soluções inovadoras que atendam aos requisitos definidos pelo CFN. O compromisso vai além do projeto: a fabricante dará suporte direto à execução dos testes, disponibilizando suas instalações laboratoriais para garantir a qualidade e eficiência dos produtos.
Durante a cerimônia, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do seu presidente Aloizio Mercadante, formalizou a importância estratégica da iniciativa por meio de um documento oficial. A instituição destacou que a parceria entre a Marinha e a Taurus está em plena sintonia com as missões da Nova Indústria Brasil (NIB), política na qual o banco atua como protagonista. Ao reforçar o compromisso com o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID), o BNDES se colocou à disposição para discutir futuras ações conjuntas e analisar, conforme seus ritos de governança, o apoio financeiro a projetos que assegurem avanços tecnológicos e maior conteúdo local.
“Um dos esforços grandes que o BNDES precisa fazer é o resgate da Indústria Nacional de Defesa. Hoje estamos trabalhando com a tropa de pronto emprego, representada pelos Fuzileiros Navais, a única 100% profissional, que trabalha nas mais diversas situações e que tem um destacamento de elite. Nós precisamos que essa tropa se debruce sobre a produção junto com a Taurus, que possui tecnologia secular desenvolvida. Eu vejo isso como uma semente promissora, inclusive para equipamentos mais pesados e mais sofisticados que possam ser desenvolvidos nessa parceria”, afirmou o presidente do BNDES.
Conforme o CEO Global e diretor Presidente da Taurus, Salesio Nuhs, a parceria com o CFN é fundamental: “Essa colaboração com os Fuzileiros Navais para nós é extremamente importante. Estamos dando um passo decisivo dentro da Taurus, indo em direção ao mercado de armamento militar, que são as metralhadoras de calibre 5.56 mm, 7.62 mm e .50. Isso é uma tecnologia que nós estamos desenvolvendo. O Brasil, a nossa Base Industrial de Defesa, tem que ampliar os seus horizontes, tem que ampliar a sua área de atuação”.
Sobre a importância da parceria, o comandante-Geral do CFN, almirante de esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, destacou que a assinatura desse Protocolo é uma conquista coletiva: “O armamento empregado pelo Fuzileiro Naval deve ser sempre o mais confiável. Disso depende a segurança dele, de todas as pessoas que estão à sua volta e daqueles que ele está protegendo. Assim, a busca por armamento desenvolvido especificamente para atender plenamente aos nossos requisitos operacionais representa uma excelente oportunidade”.
FOMENTO À INDÚSTRIA NACIONAL
A iniciativa busca contribuir diretamente para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID), priorizando o uso de produtos de alta qualidade fabricados no Brasil. O objetivo é fomentar o desenvolvimento conjunto de tecnologias ainda inexistentes no mercado nacional.
O protocolo, que possui vigência de dois anos, prevê a realização de reuniões técnicas periódicas para avaliar o andamento dos estudos. As atividades serão conduzidas em regime de cooperação mútua, sem transferência de recursos financeiros entre os participantes. Caso os estudos apontem soluções viáveis, poderão ser propostos futuramente novos instrumentos jurídicos para a aquisição das tecnologias desenvolvidas.

Texto: primeiro-tenente (RM2-T) Jéferson Cristiano e segundo-tenente (RM2-T) Edvane Lima / Agência Marinha de Notícias
Fotos: suboficial Roberto Sousa / Agência Marinha de Notícias
Uma resposta
Em um país com recursos – muito – limitados para investimento em defesa , não faz sentido as 3 forças terem o mesmo armamento básico de infantaria , sejam infantaria da FAB , EB ou Fuzileiros Navais .
Aqui nao advogo que sejam todos da IMBEL , porém sim um só padrão para as três forças .