A Marinha dos Estados Unidos (US Navy) está em busca de um novo míssil antirradar com alcance e letalidade superiores aos modelos atualmente em serviço, além de uma capacidade pouco comum para esse tipo de armamento: engajar alvos aéreos. Na última quarta-feira (18), a força publicou uma notificação de busca por fontes para o chamado “Advanced Suppression of Enemy Emissions Missile – Enhanced Capabilities” (AESM), que deverá equipar os caças Boeing F/A-18E/F Super Hornet e Lockheed Martin F-35 Lightning II.
O movimento ocorre enquanto a Marinha conclui os testes da versão mais recente do consagrado AGM-88 “HARM”, o AGM-88G “AARGM-ER”. Embora o novo modelo ainda nem tenha entrado oficialmente em operação, a USN já avalia um complemento com desempenho ainda maior. O comunicado não esclarece se o futuro AESM substituirá o AGM-88G ou atuará de forma complementar.
De acordo com o “Naval Air Systems Command”, a pesquisa de mercado busca identificar fornecedores capazes de desenvolver um sistema antirradar com alcance superior ao atualmente disponível no arsenal da Marinha e da Força Aérea dos Estados Unidos, incluindo engenharia, fabricação, testes e suporte logístico. A expectativa é de uma demanda de até 300 mísseis por ano, com entrada em serviço dois anos após a assinatura do contrato. Segundo o Defense News, o AGM-88E AARGM, antecessor do AARGM-ER, possui alcance estimado em cerca de 80 milhas náuticas, enquanto o AGM-88G apresenta desempenho significativamente superior.
Entre as exigências estão a capacidade de neutralizar radares modernos e avançados, navegação e guiagem de alta precisão com resistência a interferências, elevada probabilidade de acerto e arquitetura de Sistema Aberto de Armas.

Um dos requisitos mais interessantes da Marinha é que o novo míssil “tenha a capacidade de engajar alvos ar-ar e ar-solo”. Tradicionalmente, mísseis antirradar são empregados contra alvos em solo durante missões de Supressão de Defesas Antiaéreas Inimigas (SEAD), neutralizando antenas de busca e orientação para cegar baterias de mísseis terra-ar, por exemplo. No entanto, incidentes no passado, como o do B-52 “In HARM’s Way”, mostraram na prática que um míssil do tipo pode acertar alvos aéreos.
Ao que tudo indica, a Marinha quer que o míssil tenha a capacidade de engajar ativos de alto valor estratégico, especificamente aeronaves de Alerta Antecipado e Controle (AEW&C). Popularmente chamados de aviões-radar, são plataformas que operam de posições mais profundas do território inimigo, fornecendo informações importantes do teatro de operações. Neutralizar ativos dessa natureza representa impacto econômico e estratégico considerável, ao degradar a consciência situacional inimiga.
Os requisitos para o novo míssil também refletem o cenário para um futuro conflito no Pacífico. Além das grandes distâncias presentes nessa equação, a China tem colocado diversos aviões-radar em serviço, como o KJ-600 (cópia do E-2 Hawkeye estadunidense) e o Xi’an KJ-3000, baseado no cargueiro pesado Y-20.