Jaques Wagner: “Domínio do combustível nuclear é um salto tecnológico”

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Foto 1 Cerimonia-com.MB.
Jaques Wagner (centro) ao lado do novo comandante da Marinha, almirante Leal Ferreira (esquerda) ,e seu antecessor, almirante Moura Neto (direita). (Imagem: Ministério da Defesa)

O domínio do ciclo do combustível nuclear em escala industrial pela Marinha do Brasil foi o ponto de atenção da mensagem do ministro da Defesa, Jaques Wagner, na última sexta-feira (06), durante cerimônia de passagem de comando da Marinha do Brasil. Jaques Wagner disse que tal fato “é um dos dois grandes projetos do programa nuclear da Marinha, e seus avanços significam uma alternativa energética e comercial valiosa e um grande salto tecnológico”.

Na cerimônia, o ministro ressaltou também a autonomia do Brasil no que diz respeito ao enriquecimento de urânio. “O Brasil já domina o ciclo do combustível nuclear e, com a conclusão da unidade de produção de hexafluoreto de urânio (USEXA), localizada no Centro Experimental Aramar (CEA) em Iperó (SP), prevista para agosto deste ano, passará a produzir urânio enriquecido em escala industrial”, destacou.

Jaques Wagner presidiu a cerimônia que conduziu o almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira ao posto de comandante da Marinha. O evento aconteceu no Grupamento dos Fuzileiros Navais, em Brasília. Na mesma mensagem, o ministro citou programas que estão em curso no âmbito da Marinha. Ele destacou, por exemplo, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), iniciado em 2008 pelo almirante-de-esquadra Julio Sores Moura Neto, substituído na recente passagem de comando.

“O PROSUB viabilizará a produção do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear e de mais quatro submarinos convencionais”, destacou.

Jaques Wagner informou também que “a inauguração do prédio do complexo de Estaleiro e Base Naval de Itaguaí, em dezembro do ano passado, foi um passo muito importante no desenvolvimento desse programa”. E acrescentou: “o desenvolvimento nacional da capacidade tecnológica de projetar, construir, operar e manter o reator nuclear que será empregado na propulsão do primeiro submarino nuclear brasileiro é um legado de soberania e independência, que deve ser consolidado”.

Mudança de comando

Ao despedir-se do comando da Marinha, o almirante Moura Neto destacou o empenho em prol da tropa e os avanços conquistados pelo segmento feminino “por meio da recomposição parcial dos vencimentos e a elaboração da política de remuneração e a valorização da mulher, representada, de forma pioneira, pela promoção da primeira almirante e pelo ingresso na

Escola Naval de aspirantes femininas”.

Segundo o almirante, a participação na área de defesa no campo internacional foi fundamental para acordos com nações amigas como, por exemplo, “a contribuição para a expansão da Base Industrial de Defesa (BID), a presença no Haiti e à frente da Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) e a participação em operações com as nações amigas, em particular na América do Sul e na África Atlântica”, contou Moura Neto.

A Marinha atualmente está presente em missões de paz como UNIFIL, criada em 2006, sendo que desde 2011 são almirantes brasileiros que estão no comando da missão. Já no Haiti, a Força participa com militares no Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais. A Marinha também realiza apoio logístico da Missão de Paz com o transporte de pessoal e material por meio de navios.

Com 44 anos de carreira militar, o almirante Leal Ferreira irá chefiar uma Força que possui cerca de 78 mil servidores entre militares e civis, sendo 13% deles mulheres. Em seu discurso, o novo comandante destacou a dimensão e a complexidade do cargo que assume e reafirmou o compromisso de zelar por um legado de valores e tradições centenárias. Para ele, é fundamental “racionalizar esforços, complementar capacitações e buscar soluções conjuntas para cenários (…) e ambiente multifacetado que exigirá aprimorar a interoperabilidade”.

Estiveram na cerimônia os comandantes do Exército, general de exército Eduardo Villas Bôas, e da Aeronáutica, tenente brigadeiro-do-ar Nivaldo Luiz Rossato, bem como o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general de exército José Carlos De Nardi, e da secretária-geral do Ministério da Defesa, Eva Chiavon.

Ivan Plavetz