A Força Aérea dos Estados Unidos alcançou um marco simbólico no processo de retirada dos A-10 Thunderbolt II. Na semana passada, a última turma de pilotos do modelo concluiu o chamado Mission Qualification Training (MQT), curso conduzido pelo 357th Fighter Squadron na Base Aérea de Davis-Monthan, no Arizona — principal unidade responsável pela formação de novos pilotos do Warthog.
O voo final do treinamento ocorreu no dia 3 de abril, em uma missão conjunta de apoio aéreo aproximado. Já a cerimônia de formatura foi realizada na sexta-feira (10), marcando oficialmente o encerramento de um ciclo de décadas na formação de tripulações para o A-10. Em publicação nas redes sociais, a base destacou o momento como o fechamento de um legado marcado por uma aeronave “inesquecível” e por uma nova geração de pilotos preparada para operar em cenários de combate.

A trajetória do 357º Esquadrão remonta à Segunda Guerra Mundial, quando operava o P-47 Thunderbolt no teatro europeu. A unidade também atuou no Vietnã com o F-105 Thunderchief e, a partir de 1971, passou a operar na Base de Davis-Monthan, inicialmente com o A-7D Corsair II. Em 1979, o esquadrão recebeu o A-10, aeronave que permanece em operação até hoje.
Apesar do encerramento da formação de novos pilotos, o A-10 ainda deve seguir ativo por mais algum tempo. A USAF continua empregando o jato em operações no Oriente Médio, com destaque para missões contra drones e ações contra milícias iraquianas apoiadas pelo Irã. Mesmo em um cenário de retirada gradual, a aeronave segue demonstrando relevância em ambientes permissivos.
🇮🇶🇺🇸✈️ Iraq, northern sector of Mosul city — US Air Force ground support attack aircraft, A-10 THUNDERBOLT II, is targeting the locations of pro-Iranian Shiite groups with its GAU-8 30mm cannon… pic.twitter.com/6VmoKnQJkZ
— Visioner (@visionergeo) March 28, 2026
Como observa o The Aviationist, a aposentadoria do A-10, no entanto, é alvo de debates há anos nos Estados Unidos. A Força Aérea já tentou retirar o modelo de serviço em diferentes ocasiões, mas enfrentou resistência do Congresso, que vê no Thunderbolt II uma plataforma essencial para missões de apoio aéreo aproximado. Ainda assim, o planejamento atual da USAF prevê a retirada dos 162 exemplares remanescentes até o fim do ano fiscal de 2026, sob o argumento de que a aeronave não possui capacidade de sobrevivência em cenários modernos marcados por sistemas de negação de acesso (A2/AD).
Paralelamente, a Força Aérea tem buscado ampliar a flexibilidade operacional do A-10. Um exemplo recente foi o teste de uma sonda adaptada para reabastecimento em voo pelo método “probe and drogue”, permitindo que o jato seja abastecido por aeronaves como o C-130 Hercules, uma alternativa que amplia suas opções em operações expedicionárias.

O fim do treinamento de novos pilotos simboliza mais do que uma etapa administrativa: marca o início do encerramento de uma era para uma das aeronaves mais icônicas da aviação de combate moderna.
Mesmo sendo relevante em conflitos de baixa intensidade, o A-10 enfrenta um ambiente operacional em transformação, onde a sobrevivência em cenários altamente contestados se torna cada vez mais determinante. Nesse contexto, mesmo o lendário Warthog precisa inevitavelmente dar lugar ao futuro.