FAB cria bomba capaz de romper concreto espesso

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A bomba de penetração BPEN desenvolvida pela Divisão de Sistemas de Defesa do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), órgão ligado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) do Comando da Aeronáutica, é capaz de romper uma estrutura de concreto reforçado com 1,5 metro de espessura.

O projeto do artefato já está finalizado e pronto para iniciar o processo de produção em série. “Em termos de benefícios econômicos, cabe ressaltar que pouquíssimos países desenvolveram artefatos como esses, cujas vendas são controladas e, em alguns casos, vedadas por aqueles que os detêm. Assim, a industrialização dos armamentos abre uma oportunidade de exportação de itens de alto valor e de difícil aquisição no mercado internacional”, explicou o chefe da Divisão de Sistemas de Defesa do IAE, engenheiro Paulo Cesar Miscow Ferreira, mestre em Materiais e Processos de Fabricação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

O artefato compõe os projetos de defesa da Força Aérea Brasileira (FAB). “As bombas de penetração possibilitarão à FAB empregar armamentos de alto valor estratégico, tendo em vista os tipos de alvos contra os quais esses artefatos são empregados”, ressaltou o engenheiro. A BPEN é um armamento concebido para ser empregado contra estruturas reforçadas de concreto, na superfície ou abaixo dela. O artefato pode ser empregado contra alvos como bunkers (tipo de abrigo militar), hangaretes de concreto, centros de comando, controle e comunicações protegidos por estruturas resistentes, entre outros.

Além de possuir um corpo mais reforçado, comparado com as bombas de emprego geral, esse tipo de artefato é configurado com espoletas especiais, geralmente programáveis. Esse mecanismo permite que a detonação seja iniciada somente após a bomba ter atingido a profundidade necessária para que o alvo seja destruído. Foram desenvolvidos dois tipos de bombas: uma de 500 Kg (BPEN-500) e outra de 1.000 Kg (BPEN-1000).

A garantia de precisão do ataque fica por conta de sistemas de guiamento ao alvo. “Como os alvos contra os quais uma bomba de penetração é empregada apresentam dimensões reduzidas, em comparação com os alvos de área, é determinante o guiamento para o cumprimento da missão”, detalhou o engenheiro. Com relação às tecnologias inerentes a esses artefatos, destacam-se a utilização de aços de elevada resistência mecânica e a eletrônica associada à espoleta.

Ivan Plavetz