FAB recebe primeiro Gripen montado pela Embraer no final deste mês

F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira. Foto: Sgt. Müller Marin/FAB/Divulgação.

A Força Aérea Brasileira confirmou, nesta terça-feira (11), através das redes sociais, que o primeiro F-39E Gripen montado no Brasil será entregue no final de março. A aeronave, produzida pela Embraer em Gavião Peixoto (SP), será apresentada oficialmente no dia 25 de março, às 10h30, em cerimônia que marca mais um importante passo na implantação do novo caça na aviação de combate da FAB.

A entrega já havia sido antecipada por Tecnologia & Defesa no final de fevereiro. Na ocasião, o chefe de marketing da Saab, Mikael Franzen, afirmou que o Gripen montado no Brasil seria entregue ainda no primeiro trimestre. Ao anunciar a data da apresentação, a FAB classificou o momento como histórico, destacando o avanço tecnológico, o fortalecimento da indústria nacional e a evolução da defesa aérea do país.

A publicação também confirmou a matrícula da aeronave: FAB 4109. O número já era especulado desde o ano passado, quando a Saab entregou dois novos caças à FAB – os FAB 4110 e 4111 – deixando a matrícula 4109 em aberto. O primeiro Gripen montado no Brasil alcançou a fase de montagem final em 2024 e, inicialmente, a expectativa era de que sua entrega ocorresse no final de 2025.

Linha de produção do Gripen na Embraer deve entregar primeiro avião até o próximo mês.
Linha de produção do Gripen na Embraer deve entregar primeiro avião no final deste mês. (Divulgação)

A produção local do F-39 é um dos pilares do amplo pacote de transferência de tecnologia previsto no Programa FX-2, considerado um dos elementos mais relevantes do projeto. Dos 36 caças adquiridos em 2014 — sendo 28 F-39E monoplace e oito F-39F biplace — 15 aeronaves serão produzidas no Brasil pela Embraer.

A Saab implantou no país linhas de produção de componentes, capacitou profissionais brasileiros na Suécia e conduz uma série de ensaios e processos de certificação em território nacional. O Gripen brasileiro também incorporou sistemas desenvolvidos localmente, como o Head-Up Display e o Wide Area Display, produzidos pela AEL Sistemas, sediada em Porto Alegre (RS).

Além de atender à encomenda da Força Aérea Brasileira, a linha de produção estabelecida no Brasil deverá contribuir para futuros contratos de exportação. Um exemplo é o recente acordo com a Força Aérea Colombiana, que adquiriu 17 aeronaves Gripen. A Saab pretende ampliar significativamente o ritmo de fabricação do caça, com a meta de ultrapassar 36 aeronaves produzidas por ano, esforço que deverá contar também com a participação da Embraer.

A entrega do primeiro F-39 fabricado no Brasil soma-se a uma série de marcos recentes do programa. Como destacado na edição 181 de Tecnologia & Defesa, o caça conquistou a certificação para reabastecimento em voo com o Embraer KC-390 Millennium, realizou os primeiros disparos reais do míssil de longo alcance MBDA Meteor e participou de seu primeiro exercício de tiro aéreo na Base Aérea de Santa Cruz.

Mais recentemente, em fevereiro, FAB, Saab e Embraer concluíram a Operação Thor, quando o Gripen realizou seus primeiros lançamentos de bombas no país. Ainda no final do mesmo mês, o F-39 passou a cumprir o Alerta de Defesa Aérea na Base Aérea de Anápolis, ampliando gradualmente sua participação nas missões operacionais da Força Aérea Brasileira.

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Respostas de 10

  1. Boa noite,
    Vejo com muita cautela essa implantação do novo caça GRIPEN e do KC-390, não deveríamos depender apenas desses vetores como se fosse uma revolução sem precedentes na FAB, infelizmente, e vejo com tristeza essa sinuca de bico que nossa gloriosa Força Aérea Brasileira se meteu, abraço fraternal a todos!!

  2. programa prevê 36 aeronaves até 2032, com destaque para a transferência de tecnologia, armamentos avançados (míssil Meteor) e capacidade de reabastecimento em voo, garantindo a soberania do espaço aéreo brasileiro. PARCERIA TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA MEUS CAROS. QUEM VÊ COM CAUTELA É PORQUE NÃO LÊ OS FATOS

    1. isso mesmo , o Brasileiro aprendeu a duvidar de tudo , porque costumamos a ser passado pra trás, mas dessa vez, mesmo que o caça seja de geração anterior aos mais modernos , e que não seja espetacular assim, ainda assim demos um grande salto tecnológico, depois disso poderemos caminhar com as próprias pernas , uma vez que a Embraer dominar o conhecimento sobre caças de guerra, a mesma coisa acontece com o submarino e a fragata que estão construindo com transferência de tecnologia, agora a dúvida é o investimento que o país vai ou não fazer pra manter essa máquina funcionando

      1. As vezes há certa confusão nessa questão da Embraer no caso do Gripen. Cada empresa busca o que crê ser o melhor p/ si, quando da discussão do que abrangeria a Transferência de Tecnologia p/ o Brasil, a Embraer não se interessou na fabricação de partes do Gripen (até porque sendo realista, ela não partirá p/ fabricação de um caça supersônico sozinha pelo altíssimo custo disso e por pouca chance de sucesso no mercado internacional altamente competitivo dominado por países c/ peso político muito maior que o nosso – veja nem a Saab que fabrica esse tipo de caça desde os anos 50 conseguiu vender muitos Gripens – e se eventualmente entrar nesse mercado será em parceria c/ algum fabricante já estabelecido nele) a unidade de fabricação no Brasil é da própria Saab. Ela optou por receber os conhecimentos referente a integração de sistemas avançados como são os do Gripen E, incluindo acesso aos códigos fonte p/ no futuro ser capaz de realizar atualizações e integração de novos armamentos nacionais ou importados.

    2. 36 caças comprados quando? Programa com um baita atraso por falta de pagamento!! Pagamos o equivalente a 6 caças só de multas pelos atrasos e renegociações. A “linha de montagem” do Gripen na Embraer parece segredo de estado. Só aparece a foto de um único avião, e que está pronto a muito mais tempo do que o anunciado. Um país continental como o nosso precisa de muito mais do que 36 caças, e quando recebermos o trigésimo sexto, já estará na hora da atualização de meia vida…

  3. A independência vai ser soberana mesmo, só quando tivermos nossos próprios motores, ao invés dos GE americanos . Essa é peça que falta pra Embraer se igualar aos Ingleses, Russos, Chineses , Coreanos e americanos ! Os indianos e sul africanos estão desenvolvendo os seus , e estão na nossa frente.🤔🤔🤔

  4. concordo com o Aristides…transferência de tecnologia? certos leitores estão mal informados…o componente crítico de qualquer avião…notadamente um caça…sao seus motores….que nem a saab fabrica….sao todos adquiridos dos EUA. quando a embraer desenvolver um avião 100% nacional ai sim terá adquirido tecnologia.

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