Êxodo de venezuelanos em direção ao Brasil: Temer vai a Roraima

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Refugiada venezuelana, de origem indígena, sobrevive em terreno baldio na cidade de Boa Vista (RR).

A crise migratória que afeta o Estado fronteiriço de Roraima entrou na pauta de discussão oficial do Governo Federal na última segunda-feira (12/02), quando o presidente Michel Temer realizou uma reunião no Estado, para discutir a grave questão.

O discurso central foi a busca por apoio para conter a imigração de venezuelanos que sobrecarregam a estrutura de serviços públicos do Estado e principalmente, do município de Pacaraima. (Obs do autor: neste local existe inclusive uma pista de pouso duo, civil e militar)

O presidente Michel Temer é recebido pela governadora de Roraima, Suely Campos.

O encontro teve participação dos prefeitos de Pacaraima, Juliano Torquato; de Boa Vista, Teresa Surita; de Caroebe, Argilson Ribeiro e de Rorainópolis, Leandro Pereira.

A ida de Temer a Roraima ocorreu cinco dias após a visita dos ministros da Justiça, Torquato Jardim; da Defesa, Raul Jungmann; e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Sérgio Etchegoyen; que foram ao estado tratar dos refugiados venezuelanos.

As autoridades locais apresentaram a presidência demandas como a construção da estrada de Georgetown (ligando a capital da Guiana a capital do Estado, Boa Vista), a retirada das correntes do Jundiá ( a corrente foi imposta há décadas pelos indígenas da reserva Waimiri-Atroari na BR-174, fronteira com o Estado do Amazonas, impedindo a passagem de caminhões carregados de mercadorias entre as 18h até as 6h), a interligação com o Linhão de Tucuruí e a retirada da sede de Pacaraima da área da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol.

Ações das Forças Armadas

O Ministério da Defesa implementou uma coordenação humanitária comandada pelas Forças Armadas, determinou a instalação de um Hospital de Campanha em Pacaraima e o reforço da segurança na fronteira com o envio de tropas e logística.

O general Pazuello, da Base de Apoio Logístico do Exército, foi designado pelo comandante do Exército Brasileiro, general Villas Boas, como coordenador da Força Tarefa Logística Humanitária no Estado de Roraima.

Pazuello, na cadeia de comando, se reportará ao Comando Militar da Amazônia (CMA).

As ações operacionais na fronteira continuarão sob responsabilidade da 1ª Brigada de Infantaria de Selva (1ª Bda Inf Sl).

Refugiados venezuelanos em Boa Vista: centenas de milhares.

Também foi decidido o reforço da estrutura de segurança, com o deslocamento de agentes da Força Nacional de Segurança (FNS) para o Estado com veículos e equipamentos próprios.

A presença do Estado será intensificada, fortalecendo as ações de fiscalização na área de fronteira com a implantação de postos de triagem, identificação e inspeções sanitárias.

“Essa matéria já vem sendo debatida a muito tempo pelo Governo Federal. Quando se fala de interiorização, queremos diversificar a entrada no país. Aqui penso na questão territorial, mas também na questão humanitária. Vamos construir uma ação federal integrada com Roraima para solucionar esse problema que aflige o Estado e o Brasil. Para tanto, vamos editar uma Medida Provisória que tratará desse assunto e quero dizer a todos que não faltarão recursos para solucionar a questão dos venezuelanos, ou seja o aspecto humanitário, mas também a solução para o Estado de Roraima”, disse o presidente Michel Temer.