EUA e Canadá mobilizam 12 aviões para interceptar russos no Alasca

Tu-142 é a versão de patrulha marítima do bombardeiro nuclear russo Tu-95 Bear.

Ao mesmo tempo em que desloca dezenas de aeronaves para sustentar operações no Oriente Médio, os Estados Unidos ainda precisam manter vigilância constante sobre seu próprio espaço aéreo e áreas de interesse próximas ao continente. Em alguns casos, a quantidade de meios empregados pode chamar atenção. Foi o que ocorreu na última quarta-feira (4), quando o North American Aerospace Defense Command (NORAD) mobilizou 12 aeronaves da Força Aérea dos EUA (USAF) e da Real Força Aérea Canadense (RCAF) para interceptar dois aviões de patrulha marítima russos Tupolev Tu‑142 no extremo norte do continente.

Segundo comunicado oficial, o par de turboélices de longo alcance operava dentro das Zonas de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ) do Alasca e do Canadá. Como resposta, o NORAD deslocou seis caças para identificar e acompanhar os aviões russos: dois Lockheed Martin F‑35 Lightning II e dois Lockheed Martin F‑22 Raptor da USAF, além de dois McDonnell Douglas CF‑188 Hornet da RCAF. A missão foi classificada como uma interceptação padrão, destinada a monitorar a atividade das aeronaves e garantir que permanecessem fora do espaço aéreo soberano.

A operação envolveu ainda um robusto aparato de apoio. Para sustentar o tempo de permanência dos caças no ar, foram acionados quatro aviões-tanque Boeing KC‑135 Stratotanker da USAF e um Airbus CC‑150 Polaris canadense, além de um avião de alerta antecipado Boeing E‑3 Sentry. Esse tipo de estrutura permite que os interceptadores operem por longos períodos em regiões remotas do Ártico.

Março de 2025. Um F-35 norueguês intercepta um Tu-142 russo.  (Foto: OTAN).
Março de 2025. Um F-35 norueguês intercepta um Tu-142 russo. (Foto: OTAN).

De acordo com o NORAD, os Tu-142 permaneceram o tempo todo dentro da ADIZ, sem violar o espaço aéreo dos Estados Unidos ou do Canadá. A organização também destacou que atividades desse tipo ocorrem regularmente e não são consideradas uma ameaça direta. A ADIZ começa onde termina o espaço aéreo soberano e corresponde a uma faixa de espaço aéreo internacional onde aeronaves devem se identificar imediatamente por razões de segurança nacional.

Derivado do bombardeiro estratégico Tu-95, o Tu-142 é um dos principais aviões de patrulha marítima de longo alcance da Rússia. A aeronave é empregada em missões de vigilância oceânica e guerra antissubmarino, sendo frequentemente vista operando no Atlântico Norte, Pacífico e regiões próximas ao Ártico. Esses voos fazem parte de rotinas de presença estratégica e coleta de informações, prática comum entre as grandes potências militares.

Intercepções desse tipo fazem parte do cotidiano do NORAD desde a Guerra Fria. Embora raramente representem uma escalada militar direta, episódios envolvendo bombardeiros ou aeronaves de patrulha russas continuam servindo como demonstrações de presença e capacidade operacional, tanto por Moscou quanto pelas forças aéreas norte-americanas e canadenses que mantêm vigilância permanente sobre o continente.

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