Brasil e o General Atomics Predator

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A comitiva brasileira. (Imagem: General Atomics Aeronautical Systems Inc)

No final de 2015, uma comitiva de cinco militares do Comando de Aviação do Exército (CAvEx), visitou a sede da General Atomics Aeronautical Systems Inc em San Diego (Califórnia), onde foram recebidos pelo Sr. Linden Blue, e pelo Sr. Frank Pace, respectivamente CEO e presidente da empresa.

Durante a visita, os oficiais receberam detalhada apresentação sobre os Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) da General Atomics e aproveitaram para visitar a linha de produção da família Predator® e Gray Eagle, empregados pelas Forças Armadas dos EUA e de outros países.

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A linha de montagem dos SARP Predator da General Atomics Aeronautical Systems Inc em San Diego, Califórnia. (Imagem: General Atomics Aeronautical Systems Inc)

Além disso, foram transportados até uma base de testes da General Atomics em Castle Dome (Arizona), onde puderam acompanhar o voo e operação do Predator XP a partir de sua Estação de Controle de Solo. Também tiveram a oportunidade de verificar a infraestrutura de apoio necessária à operação nem tal nível de complexidade dos SARP, bem como observar a sua manutenção.

Predator no Brasil?

As aplicações típicas previstas para emprego dos SARP no Exército estão, entre outras, relacionadas a comando e controle, obtenção de informações, vigilância da faixa de fronteira, proteção de estruturas estratégicas e ações interagências.

De acordo com a doutrina do Exército, o CAvEx é o responsável pela capacitação dos operadores, pela condução das operações e pela gestão do apoio logístico de SARP enquadrados nas categorias 3 e superiores.

A operação de SARP mais complexos, com maiores alcance, autonomia e capacidade de carga, como é o caso dos Predator, é um encargo da Aviação do Exército. Em setembro de 2015, no Centro de Instrução de Aviação do Exército, a General Atomics proferiu uma palestra sobre o desenvolvimento e a aplicação de SARP, dirigida a operadores de diversas Organizações Militares e oficiais do CAvEx e do Comando de Operações Terrestres (COTer), além de engenheiros do Instituto de Estudos Avançados (IEAv) e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) da Força Aérea Brasileira.

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Instalações de treinamento e testes da General Atomics em Castle Dome (Arizona): tudo sobre a operação e mantenimento do SARP Predator reunido no mesmo local. (Imagem: General Atomics Aeronautical Systems Inc)

O Predator XP é a mais recente de uma extensa linha de SARP que leva o nome Predator, começando com o bem-sucedido Predator RQ-1, voado pela Força Aérea dos Estados Unidos pela primeira vez em 1995. Desde então, o Predator acumulou mais de 3,5 milhões de horas de voo oferecendo confiabilidade sem precedentes, pois a aeronave tem a maior taxa de prontidão operacional na Força Aérea dos Estados Unidos.

Os SARP da família Predator são também operados pelas Forças Armadas Americanas, Homeland Security, NASA e várias Forças internacionais. A General Atomics Aeronautical Systems, Inc. (GA-ASI), afiliada da General Atomics, é a fabricante líder de sistemas de aeronaves remotamente pilotadas, radares, e soluções relacionadas a sistemas de missão.

Roberto Caiafa

Nota do autor: No momento em que a Embraer Defesa & Segurança anuncia o fim da Harpia Sistemas e a Avibras assume todo o esforço industrial e tecnológico para colocar a SARP Falcão em serviço, ao menos como parte integrante das baterias Astros MK6 (Astros 2020), é digno de nota essa visita de militares brasileiros a mais conhecida fabricante norte-americana de SARP. O futuro dos programas de aeronaves remotamente tripuladas de desenvolvimento nacional pode estar em jogo no curto prazo.