Quase três anos após anunciar negociações para a venda de um lote de caças F-15 Eagle II à Indonésia, a Boeing decidiu encerrar oficialmente o processo. As tratativas com Jacarta já se encontravam estagnadas há mais de um ano, sem avanços concretos rumo à assinatura de um contrato.
A intenção de compra havia sido formalizada em agosto de 2023, quando a Boeing e o Ministério da Defesa da Indonésia assinaram um Memorando de Entendimento. Na ocasião, o então ministro da Defesa e atual presidente indonésio, Prabowo Subianto, visitou a linha de produção do F-15EX na fábrica da Boeing em St. Louis, no Missouri, onde foi anunciada a intenção de adquirir 24 caças, designados como F-15ID.
Durante o Singapore Airshow, na terça-feira (3), o vice-presidente de desenvolvimento de negócios e estratégia da Boeing Defense, Bernd Peters, afirmou à Reuters que a venda dos F-15 para a Indonésia “não é mais uma campanha ativa” para a empresa, confirmando que as negociações com o país asiático foram encerradas.

Em 2022, a Agência de Cooperação em Segurança e Defesa dos Estados Unidos (DSCA) havia aprovado a possível venda de até 36 aeronaves para Jacarta. Avaliado à época em US$ 13,9 bilhões, o pacote incluía 15 motores sobressalentes, pods de designação de alvos AN/AAQ-33 “Sniper Advanced Targeting Pod”, capacetes com sistema de mira e display integrado “Joint Helmet Mounted Cueing System” (JHMCS), além de treinamento, suporte logístico e serviços associados.
O fim das negociações com a Boeing ocorre em um momento de reavaliação mais ampla dos programas de modernização da Força Aérea da Indonésia. Nos últimos anos, o país diversificou seus fornecedores e avançou em acordos com outros fabricantes, incluindo a aquisição de caças 42 Dassault Rafale e a manutenção do interesse em programas de cooperação internacional para o desenvolvimento de aeronaves de combate de nova geração.
A aprovação da venda dos F-15ID ocorreu logo após o anúncio da aquisição dos caças franceses Rafale, movimento que, segundo observou o portal The War Zone, teria como objetivo incentivar a Indonésia a adotar uma frota mista composta pelo Eagle II e pelo Rafale. Desde então, porém, a Dassault avançou de forma consistente na produção das aeronaves e já entregou as primeiras unidades, enquanto as negociações envolvendo o F-15 permaneceram paralisadas.
Indonesia received its first Rafale fighter jets.
Dassault Aviation in Mérignac to hand over the first three of 42 Dassault Rafale F4 series fighter jets to the Indonesian Air Force.
Three two-seat Rafale fighter jets (the exact serial designation of the modification is still… pic.twitter.com/I2qc9H6s4R
— Austin (@AustinAJoseph76) December 6, 2025
Com a entrada em serviço iminente dos Rafale, a Indonésia passará a operar uma frota de caça ainda mais heterogênea. Atualmente, o país conta com 33 caças F-16 Fighting Falcon, 16 aeronaves da família Sukhoi Flanker, entre Su-27SK e Su-30K, além dos aviões de ataque BAE Hawk Mk.209 e Embraer A-29B Super Tucano.
Paralelamente, Jacarta mantém uma participação de 20% no programa do caça de geração 4.5 KF-21 Boramae, desenvolvido pela Coreia do Sul por meio da Korean Aerospace Industries (KAI). A expectativa inicial é de que a Indonésia adquira 50 unidades da aeronave, embora atrasos recorrentes nos pagamentos tenham levantado incertezas sobre a continuidade e o nível de envolvimento do país no projeto.
Para a Boeing, a retirada da campanha indonésia representa a perda de um potencial cliente estratégico no Sudeste Asiático, região considerada prioritária para a expansão de exportações de defesa dos Estados Unidos. Ainda assim, a empresa segue focada na produção do F-15EX Eagle II para a Força Aérea dos EUA e em oportunidades com outros operadores internacionais, enquanto a Indonésia avalia os próximos passos para recompor e modernizar sua frota de caça.