A crescente ameaça dos drones tem mudado a forma de fazer guerra. Seja as ondas de plataformas como o Shahed iraniano ou drones FPV amplamente usados na Guerra Russo-Ucraniana, essas pequenas aeronaves se tornaram uma das principais ameaças dos conflitos modernos, especialmente por conta de seu custo baixo e alta disponibilidade. Diante dessa necessidade, um grupo de engenheiros britânicos liderados pela BAE Systems está desenvolvendo uma nova solução para neutralizar drones hostis, em resposta ao aumento das ameaças contra infraestruturas civis e militares.
Denominado BAE Systems Anti Threat System (BATS), o sistema foi projetado para reduzir a dependência de mísseis de alto custo, combinando software inteligente, guerra eletrônica e meios cinéticos para enfrentar incursões de drones em fronteiras, instalações militares, aeroportos e centros urbanos.
O desenvolvimento teve início em outubro de 2025 e deve avançar rapidamente para a fase de testes, prevista para abril, com ensaios com emprego real programados para junho de 2026. Segundo a BAE, o cronograma reflete a urgência em disponibilizar novas capacidades diante da evolução acelerada das ameaças.
“Incursões de drones representam um desafio imediato, com impactos diretos sobre civis, militares e infraestruturas críticas. A tecnologia evolui em um ritmo superior ao dos sistemas de defesa tradicionais, com novos comportamentos, cargas úteis e táticas surgindo quase diariamente. Por isso, estamos acelerando o desenvolvimento de uma nova solução para apoiar nossos clientes”, afirmou Andrea Thompson, diretora-geral de Digital Intelligence da BAE Systems.

O BATS é um sistema escalável, baseado em software, com capacidades de comando e controle e apoio à decisão, projetado para detectar, identificar e neutralizar ameaças não tripuladas, incluindo drones, com rapidez e precisão. A solução tem arquitetura aberta, permitindo a integração de sensores e efetores de diferentes domínios, atuais e futuros, em um único sistema adaptável a múltiplos cenários operacionais.
Uma vez em operação, o sistema será capaz de identificar atividades hostis de forma antecipada, por meio da fusão de dados de sensores multicamadas, classificando o nível de ameaça em tempo real. A partir disso, suas ferramentas de apoio à decisão aplicam lógica de resposta rápida para auxiliar os operadores na escolha da ação mais adequada.
O desenvolvimento do BATS envolve especialistas de diversas áreas da BAE Systems, abrangendo os domínios aéreo, terrestre e marítimo.