Artilharia Autopropulsada: A revolução a caminho

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Na Eurosatory 2014, a maquete do M109 A5 + BR foi exposta no estande da BAE Systems América (Imagem: Roberto Caiafa)

A tropa blindada do Exército Brasileiro passou por grande modernização na última década, especialmente com o surgimento e consolidação do Centro de Instrução de Blindados (C I Bld), unidade de ensino localizada em Santa Maria (RS). Esse processo acaba de abrir uma nova etapa, com a iminente entrega das “novas” Viaturas Blindadas de Combate Obuseiro Autopropulsado (VBCOAP) M109 A5 + BR modernizadas.

Partes das mudanças introduzidas anteriormente diziam respeito à Função Combate de Movimento e Manobra (MBTs), como a aquisição das Viaturas Blindadas de Combate KMW Leopard 1A5 BR. Já a Função de Combate por Fogos (obuseiros autopropulsados) ganhou uma nova dimensão com a aquisição da VBCOAP2 M109 A5 + BR dentro do Projeto Estratégico do Exército OCOP (Obtenção da Capacidade Operacional Plena). O CI Bld ministra cursos de operação das diversas plataformas blindadas, inclusive o Curso de Operação da VBCOAP M108 e M109 A3 existentes no Exército Brasileiro.

Para atender à adoção da nova plataforma, o curso será bastante modificado, pois o M109 A5 + BR está trazendo uma série de alterações técnicas que impactam profundamente no emprego da Viatura Blindada de Combate Obus Autopropulsado, especialmente na forma de emprego das Seções e das Baterias. Segundo a Portaria Nº 131-EME, de 22 de junho de 2015, que aprova a Diretriz de Implantação Projeto da VBCOAP M109 A5+ BR, o CI Bld assumirá diversas tarefas voltadas à especialização de oficiais e sargentos de Artilharia e sargentos de Material Bélico. Caberá ao Centro realizar cursos de operação e de manutenção, além de um novo curso, destinado aos Comandantes de Linha de Fogo.

A modernização realizada nos M109 A5 adquiridos pelo Brasil está sendo feita pela empresa BAE Systems América, com previsão de chegada do primeiro lote, com 16 (dezesseis) viaturas, em 2016 e do segundo lote, em 2018. Dentre outros avanços, os novos M109 A5+ BR virão individualmente equipados com um medidor de Velocidade Inicial (V0 – Muzzle Velocity Radar System) e um sistema de travamento automático do tubo (Remote Actuated Travel Lock) similares aos usados nos M109 A6 Paladin, mais um sistema rádio Falcon III (Harris). Serão, ainda, acrescidos equipamentos de navegação inercial, GPS; sistema eletrônico de pontaria e computador de tiro, aumentando a precisão, proporcionando maior agilidade na entrada em posição e execução do primeiro disparo, bem como trará maior agilidade nas medidas de proteção contra fogos de contrabateria. Alguns componentes do modelo A5 serão mantidos, como o tubo M284, o reparo M182, o sistema hidráulico e o patim (esteira) T154.

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Os M109 A5 selecionados, estocados em instalações militares estadunidenses. (Imagem: Exército Brasileiro)

Toda essa tecnologia agregada ao carro será aliada ao AFATDS (Advanced Field Artillery Tactical Data System), sistema que automatiza as comunicações entre os subsistemas da Artilharia, no Exército dos Estados Unidos, e que no Brasil será chamado de SISDAC (Sistema Digitalizado de Artilharia de Campanha). O SISDAC proporcionará maior integração entre os elementos de busca de alvos, os controladores de apoio de fogo, as centrais de tiro e as linhas de fogo, dando a possibilidade de simultaneidade de execução de missões de tiro pela mesma linha de fogo, aumentando sobremaneira as capacidades da Artilharia de Campanha do Exército Brasileiro.

Roberto Caiafa