Portugal deu luz verde para o processo de compra de três aeronaves de transporte Embraer KC-390 Millennium, destinadas à Grécia, acelerando a expansão do cargueiro multimissão brasileiro na Europa. A Resolução do Conselho de Ministros nº 207/2026 autoriza despesas de até € 589,98 milhões, sem IVA, para a aquisição dos aviões e dos serviços associados. A medida representa uma etapa importante da negociação, ainda que o contrato definitivo entre os dois países não tenha sido assinado ainda.
A operação será realizada por meio de um acordo governo a governo (G2G). Nesse modelo, Portugal contratará as aeronaves diretamente da Embraer e ficará responsável por fornecê-las à Grécia, junto com o pacote de equipamentos e suporte necessário à entrada em serviço.
O mecanismo utiliza uma estrutura contratual estabelecida em 2025, quando Portugal – parceiro de longa data do programa – formalizou a aquisição de uma sexta aeronave para sua Força Aérea e obteve a opção de comprar até dez unidades adicionais para atender a futuros pedidos de países parceiros. A Grécia avançou nessa direção após assinar, em junho de 2025, uma carta de intenções para estabelecer uma parceria estratégica com Portugal na área de transporte aéreo militar.

A resolução portuguesa divide as despesas em duas parcelas. A primeira, de até € 532,89 milhões, acrescidos de IVA, destina-se à compra das três aeronaves e ao apoio logístico inicial. A segunda, de até € 57,08 milhões, também acrescidos de IVA, contempla equipamentos de guerra eletrônica, treinamento, suporte técnico na Grécia e gestão do programa.
Os encargos estão distribuídos entre 2026 e 2031. O documento determina que as despesas sejam integralmente financiadas pelas receitas da venda à Grécia, com os recursos reinvestidos no programa KC-390, incluindo aeronaves, equipamentos complementares e serviços. A resolução não estabelece o calendário definitivo de entrega. O ministro da Defesa grego, Nikos Dendias, afirmou, porém, que o país espera receber o primeiro avião em 2027.
Rinocerontes
Lisboa contratou inicialmente cinco KC-390 em 2019, incluindo simulador de voo e serviços de suporte. Em 2025, formalizou a compra de uma sexta unidade, elevando para seis o total destinado à Força Aérea Portuguesa. Até outubro de 2026, quatro aeronaves haviam sido entregues.
A quarta unidade, recebida em janeiro de 2026, foi equipada com o sistema removível de reabastecimento em voo. Os KC-390 portugueses operam a partir da Base Aérea nº 11, em Beja, com a Esquadra 506, conhecida como “Rinocerontes”.

Além de operar a aeronave, Portugal participa do programa desde 2010 e mantém envolvimento industrial por meio da Embraer Portugal e da OGMA. A experiência operacional e a estrutura de suporte no país são elementos importantes para viabilizar o fornecimento a outros operadores europeus.
Renovação da frota grega
A Grécia opera atualmente seis aeronaves de transporte Lockheed Martin C-130 Hercules e mais oito Leonardo C-27J Spartan. A incorporação do KC-390 ampliará as capacidades de transporte militar do país, que poderá empregar o modelo em missões de transporte de tropas e cargas, lançamento de paraquedistas, evacuação aeromédica e ajuda humanitária. Conforme a configuração, a aeronave também pode realizar reabastecimento em voo.
Com capacidade para transportar até 26 toneladas, o KC-390 combina velocidade de cruzeiro elevada com aptidão para operar em diferentes tipos de pista, dentro dos limites estabelecidos para cada missão.
A Grécia também busca desenvolver capacidade local de manutenção. Em maio de 2026, a Embraer e a Hellenic Aerospace Industry (HAI), empresa grega do setor aeronáutico, assinaram um memorando de entendimento para estudar a implantação de serviços de manutenção, reparo e revisão das aeronaves e de seus motores no país.

Expansão na Europa
A negociação reforça o papel de Portugal como parceiro da Embraer na expansão internacional do KC-390. Além de operar o modelo, o país passa a utilizar sua estrutura contratual e sua experiência para facilitar futuras aquisições por outras nações europeias.
Para a fabricante brasileira, a operação pode ampliar a presença do KC-390 em um mercado no qual a interoperabilidade entre forças aéreas, o suporte logístico e a capacidade de manutenção são fatores importantes nas decisões de compra.
A conclusão da venda ainda depende da formalização dos contratso. Se concretizado, o acordo também poderá servir de referência para futuras exportações brasileiras de equipamentos militares por meio de parcerias entre governos, combinando aeronaves, treinamento e suporte logístico.