A divisão aeroespacial da Korean Air desenvolveu um sistema robotizado capaz de reduzir de 30 dias para apenas dois o tempo necessário para inspecionar as asas do M-UAV, veículo aéreo não tripulado de média altitude utilizado pela Coreia do Sul em missões de reconhecimento.
Segundo o Alert5, o sistema apresentado como NDI COLDBOND utiliza um braço robótico equipado com sensores ultrassônicos para realizar a inspeção não destrutiva das asas, que possuem mais de 10 metros de comprimento. A tecnologia foi desenvolvida para substituir parte do processo manual, no qual um inspetor precisava percorrer toda a estrutura utilizando uma sonda portátil.
Durante a inspeção, o braço robótico segue uma trajetória previamente programada pelas regiões das juntas das asas. O sistema utiliza ultrassom phased array, realizando a varredura de uma faixa de 64 milímetros de largura a cada passagem.
Os resultados são armazenados como imagens digitais, permitindo que os dados sejam analisados posteriormente. No processo convencional, o inspetor precisava interpretar um gráfico de forma de onda que era exibido somente enquanto a sonda manual estava em contato com a estrutura.
Segundo o gerente do departamento de Gestão da Qualidade da Korean Air, Cho Inho, a inspeção manual provoca muito esforço e fadiga, fatores que podem comprometer a capacidade de manter o mesmo nível de precisão durante todo o procedimento. O armazenamento das imagens também permite padronizar a análise e facilita a revisão dos resultados.
A empresa afirma que o novo método reduz o trabalho de um inspetor realizado ao longo de aproximadamente 30 dias para uma atividade que pode ser concluída por um único operador em cerca de dois dias. A redução do tempo de inspeção pode, consequentemente, aumentar a disponibilidade dos M-UAV para as operações da Força Aérea da República da Coreia.
Apesar do avanço na automação, algumas etapas do processo de inspeção do M-UAV continuam sendo realizadas manualmente. A Korean Air pretende incorporar inteligência artificial ao sistema como próximo passo, com o objetivo de avançar em direção a uma inspeção totalmente automatizada.
O sistema foi desenvolvido ao longo de aproximadamente três anos em parceria com uma empresa sul-coreana especializada em ensaios não destrutivos (NDI). Segundo uma apresentação exibida durante a demonstração, equipamentos semelhantes são empregados pelas Forças Armadas dos Estados Unidos na inspeção dos drones de reconhecimento RQ-4 Global Hawk, embora nesse caso a instalação e a movimentação do sistema ainda dependam de intervenção humana.
A iniciativa mostra como a automação pode atuar em uma etapa menos visível da operação de aeronaves não tripuladas. Em vez de aumentar diretamente o alcance ou a capacidade de sensores de um UAV, a tecnologia busca reduzir o tempo em solo e acelerar sua liberação para novas missões, um fator especialmente relevante para frotas que dependem de elevada disponibilidade operacional.