Três acidentes com aeronaves militares são registrados em dois dias

Uma sequência de acidentes envolvendo aviões militares foi registrada entre terça e quarta-feira, 22 e 23 de setembro, noo Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. Os três casos envolveram aeronaves de treinamento ou utilizadas em missões de treinamento militar e, até o momento, não há registro de mortes entre os ocupantes.

O episódio mais recente ocorreu nesta quarta-feira (23), quando um jato de treinamento avançado BAE Hawk T2 da Royal Air Force (RAF) caiu nas proximidades da RAF Valley, em Anglesey, no País de Gales. Os dois tripulantes conseguiram ejetar antes da queda e foram encaminhados para atendimento médico com ferimentos considerados leves.

De acordo com a Polícia de North Wales, o acidente aconteceu na região de Pencarnisiog, próximo à instalação militar. Equipes de emergência da RAF e serviços de segurança locais foram mobilizados para o local. Não houve, até o momento, relatos de outras pessoas feridas ou de danos significativos além da aeronave.

A RAF confirmou o acidente, afirmando que uma investigação foi aberta para determinar as circunstâncias do fato, mas não divulgou detalhes sobre uma possível falha técnica ou sobre a sequência de eventos que levou à queda. Relatos de testemunhas indicam que a aeronave apresentou problemas pouco depois da decolagem. Um dos observadores afirmou ter visto uma chama na aeronave, posteriormente, movimentos bruscos antes da ejeção dos dois tripulantes. Essas informações, contudo, ainda não foram confirmadas pela investigação oficial.

F-16 cai na Alemanha

Um dia antes, na terça-feira (22), foi a vez de um F-16 Fighting Falcon da Força Aérea dos Estados Unidos se acidentar na Alemanha. A aeronave pertencia à 52nd Fighter Wing, sediada na Base Aérea de Spangdahlem, no oeste do país.

O caça estava retornando para a base após uma missão de treinamento quando caiu durante a aproximação para pouso, por volta das 14h30 no horário local. O piloto conseguiu ejetar e foi levado para atendimento médico. A Força Aérea dos EUA não divulgou inicialmente detalhes sobre a extensão dos ferimentos.

Segundo informações da autoridade alemã de controle de tráfego aéreo, quatro F-16 participavam da atividade. Dois ainda estavam na área de treinamento enquanto outros dois retornavam para Spangdahlem. Um deles se acidentou durante a aproximação, enquanto a outra aeronave prosseguiu para pousar em segurança na Base Aérea de Ramstein.

O sinistro ocorreu dentro da área da própria instalação militar. Imagens divulgadas após a ocorrência mostraram uma grande quantidade de destroços e uma coluna de fumaça escura sobre a região da base.

A 52nd Fighter Wing opera o F-16CM/D e mantém na Europa uma capacidade especializada em supressão das defesas aéreas inimigas, conhecida pela designação Wild Weasel. O acidente também representou a segunda perda de um F-16 da Força Aérea dos EUA em poucos dias. Em 17 de setembro, outro Fighting Falcon da USAF havia caído durante uma missão de treinamento em Michigan, com ejeção segura do piloto. Apesar da proximidade temporal entre os dois acidentes, não há qualquer indicação oficial de uma relação entre os casos.

Hawker Hunter cai no litoral da Califórnia

Também na terça-feira (22), um Hawker Hunter empregado em atividades de treinamento militar caiu no Oceano Pacífico, nas proximidades de Morro Bay, na Califórnia.

O clássico jato de combate, matrícula N345AX, havia decolado da Naval Air Station Point Mugu e estava sendo operado pela Airborne Tactical Advantage Company (ATAC), empresa contratada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos para fornecer aeronaves e serviços de treinamento adversário.

Segundo a Guarda Costeira dos EUA, o acidente ocorreu aproximadamente seis milhas a noroeste de Morro Bay. O piloto foi localizado e resgatado por um helicóptero MH-60 da Marinha dos EUA. Naquele momento, entretanto, as autoridades ainda não haviam divulgado informações sobre seu estado de saúde.

Hawker Hunter Mk.58 da ATAC (Divulgação)
Hawker Hunter Mk.58 da ATAC (divulgação)

O próprio avião não havia sido localizado nas primeiras horas após o acidente, e as autoridades orientaram embarcações que navegavam na região a permanecerem atentas a possíveis destroços ou sinais de poluição.

Desenvolvido no Reino Unido após a Segunda Guerra Mundial, o Hawker Hunter entrou em serviço em uma época em que os caças a jato começavam a substituir definitivamente as aeronaves de combate de primeira geração. Apesar de sua idade, exemplares ainda são empregados por empresas especializadas em treinamento militar, justamente por suas características de voo e pela possibilidade de representar ameaças aéreas em exercícios.

No caso da ATAC, os Hunter são utilizados em missões de treinamento ar-ar e ar-solo, proporcionando às forças americanas uma aeronave adversária durante exercícios de combate aéreo e treinamento integrado de unidades navais e de outras forças.

Investigações em andamaento

Nos três acidentes, as causas serão apuradas pelas autoridades competentes. A despeito de comentários sobre informações preliminares sobre falhas mecânicas, problemas durante o voo ou outros fatores devem ser tratadas com cautela até que os investigadores tenham acesso aos dados de voo, registros de manutenção, destroços e demais evidências.

Apesar da destruição das três aeronaves, a ejeção bem sucedida dos tripulantes evitou consequências mais graves.

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