O Hospital de Campanha (HCamp) empregado pelo Brasil no atendimento às vítimas dos terremotos ocorridos na Venezuela, em junho deste ano, foi um dos destaques do II Seminário Internacional de Operações Humanitárias e Resposta a Desastres, realizado nesta sexta-feira (28), no Rio de Janeiro.
Promovido no Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval (COpPazNav), na Ilha do Governador, o evento reúne representantes das Forças Armadas, órgãos públicos, instituições de ensino e organizações internacionais para discutir o emprego de meios militares e civis em situações de emergência e desastres ambientais.
Durante o seminário, os participantes conheceram a estrutura do HCamp brasileiro, um complexo médico-expedicionário projetado para operar em regiões afetadas por calamidades. A unidade dispõe de 30 leitos de enfermaria e quatro de UTI, além de centro cirúrgico, laboratório de análises clínicas, equipamentos de raio-X e ultrassom, farmácia, odontologia e estrutura de fisioterapia.
O hospital ainda tem capacidade para atendimento em pediatria, ortopedia, obstetrícia e assistência psicológica e social. Entre os recursos está uma sala de parto equipada para procedimentos operatórios. Para garantir a autonomia em operações prolongadas, o complexo conta ainda com estação própria de tratamento de água, cozinha de campanha e sistema de comunicação por satélite.
A programação também deu destaque à Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA), tropa de pronto emprego do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) criada para atuar em calamidades públicas e desastres. A iniciativa foi estabelecida durante a COP30, a partir de uma parceria entre a Marinha do Brasil, o BNDES e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Nos últimos seis anos, o CFN foi empregado em mais de 11 crises humanitárias. A experiência brasileira inclui ainda a participação dos Fuzileiros Navais em operações de resposta aos terremotos que atingiram o Haiti e o Chile.
O seminário teve mais de 1.000 participantes, entre civis e militares, incluindo estudantes da Escola de Guerra Naval (EGN), UFF, UFRJ, UERJ e UFRRJ. A programação incluiu debates sobre medicina operativa, emprego das Forças Armadas em desastres, gerenciamento de riscos, atuação da Força Nacional do SUS e o papel do BNDES diante de eventos extremos.