Aurélio Giansiracusa, Ares Osservatorio Difesa (*)
A empresa espanhola GDELS-Santa Bárbara Sistemas fez uma demonstração do sistema de defesa antidrone (C-UAS) instalado nas viaturas blindadas de combate de fuzileiros (VBC Fuz) ASCOD Hunter. O evento, que ocorreu hoje (27/10) na base militar de Ādaži, na Letônia, apresentou sistemas de defesa passivos e ativos, incluindo veículos terrestres não tripulados (UGV).
Os sistemas antidrone foram integrados a bordo Hunter, que serão entregues às Forças Armadas Nacionais a partir de outubro deste ano, para permitir a seleção das melhores soluções de defesa antidrone.
O “Mednieks” (“Caçador”, em letão), nome dado ao ASCOD Hunter na Letônia, é uma versão aprimorada para operações modernas de infantaria mecanizada, com alto poder de fogo e proteção modular. Em janeiro do ano passado, o Ministério da Defesa da Letônia assinou um contrato com a GDELS-Santa Bárbara Sistemas para 42 desses veículos, seguido por um novo pedido de mais 42 unidades, em junho de 2025.
O Mednieks será equipado com um sistema de armas remotamente controlado (SARC) UT30 MK2, armada com um canhão Bushmaster Mk44, 30x173mm, um lançador de mísseis antitanque de torre dupla Spike LR2 da Rafael Advanced Defense Systems e com o sistema de proteção ativa (APS) IRON FIST da Elbit Systems.
Cada veículo equipado com proteção de nível 4, operado por uma tripulação de três pessoas, poderá transportar um esquadrão de seis soldados totalmente equipados.
O programa Mednieks-Hunter prevê a construção de 84 veículos VBC Fuz Hunter pela General Dynamics European Land Systems (GDELS)-Santa Bárbara Sistemas (SBS) em colaboração com o Grupo Patria, com a participação da indústria local da Letônia na execução do contrato em pelo menos 30%.


(*) Ares Osservatorio Difesa é uma Associação Cultural italiana, fundada em 12 de abril de 2019, em Roma, para a análise e estudo de questões nacionais e internacionais relacionadas as áreas de defesa e segurança, e parceira de Tecnologia & Defesa no intercâmbio de informações, para manter os leitores atualizados das notícias importantes que ocorrem entre os dois países.
Uma resposta
Blindados x drones: esse é o tema do momento e que o Brasil está em condições e precisa debater.
Não é novidade que veículos grandes, pesados, ruidosos, lentos e com poder de fogo concentrado são alvos fáceis para os drones.
As soluções imediatas passam por sistemas APS, blindagem reativa explosiva, artilharia, barreiras improvisadas (gaiolas de proteção) e interferidores de rádio. Mas, ainda assim, o espaço de manobra dos blindados está muitíssimo reduzido e contestado.
China e Turquia já desenvolvem tanques mais leves, de alta mobilidade e tecnológicos, como, por exemplo, o ZTZ-201 e o ALKA-KAPLAN. Adiciona-se o já conhecido ALPAR da Otokar.
Os EUA já adaptam seus blindados para serem transportadores de veículos terrestres não tripulados, como o FireAnt.
A solução, como sempre, parece estar na construção do melhor sistema de defesa e da doutrina de cada nação. A capacidade de adaptação será vital, ainda mais diante dos drones de baixo custo com IA embarcada.
Sem dúvidas, enlaces de dados; realidade virtual e aumentada; interfaces homem-máquina; e diferentes níveis de autonomia, comunicação e controle de múltiplos veículos não tripulados (VANTs) serão temas cruciais e comuns às FAAs.
A pergunta que fica para o Brasil é a seguinte: considerando o amplo acordo de defesa existente com a Turquia, a melhor solução é adquirir o que existe ou cooperar em soluções para o futuro do domínio terrestre (e também o aéreo e o naval)? O que priorizar e em qual medida dimensionar a colaboração eficaz entre humanos e máquinas?