O H145 – O próximo helicóptero multimissão das Forças Armadas

O Brasil, por meio do Ministério da Defesa, está avaliando a possibilidade de aquisição de um lote do helicóptero multimissão bimotor a turbina Airbus Helicopters H145, conforme já noticiado por Tecnologia & Defesa. O tipo, que pertence à categoria de quatro toneladas, realizou o voo inaugural em 1999 e entrou em serviço em 2002, poderá reforçar a capacidade operacional em missões de combate, transporte logístico e até voos VIP.

Histórico

O H145 nasceu da parceria entre a antiga Messerschmitt-Bölkow-Blohm (depois Eurocopter) e a Kawasaki Heavy Industries, que aproveitaram os aviônicos e a seção frontal da fuselagem do H135 com a seção traseira do BK 117 C1. O projeto passou por importantes aprimoramentos que ampliaram o alcance e reduziram a vibração e as emissões de poluentes e de ruído, além de aumentar ainda mais o espaço interno da cabine de cargas e passageiros. O tipo logo foi adotado por serviços de emergência e resgate, forças policiais e operadores de transporte de passageiros e executivo.

Em 2011, o projeto passou por uma transformação que agregou uma série de tecnologias, como FADEC digital duplo, aviônicos modulares, novo cockpit, piloto automático de quatro eixos, novos motores Safran Arriel 2E, de 894 shp cada, e rotor de cauda carenado (Fenestron), aumentando a segurança das operações enquanto o helicóptero está no solo ou durante aproximações, pousos e decolagens em áreas restritas.

A certificação do que ficou conhecido como EC145 T2 ocorreu em 2012, com entrada em serviço em 2014.

O H145

Em 2019, a Airbus Helicopters anunciou que estava desenvolvendo, em parceria com a Kawasaki, mais uma evolução do H145. A variante incorporaria outras mudanças ao modelo para torná-lo ainda mais eficiente. Externamente, o que mais se destaca é o rotor principal com cinco pás, que trouxe diversos benefícios. Os principais foram o aumento da estabilidade e a redução do nível de ruído, inclusive durante manobras com curvas mais fechadas, ampliando o conforto.

Além disso, a adição da quinta pá e a redução no peso do rotor em si possibilitou o aumento de 150 kg no peso máximo de decolagem, dando ao operador a possibilidade de ampliar a autonomia ou a capacidade de carga (ou ambos).

O cockpit conta com aviônica Helionix, composta por três telas digitais coloridas de 10,4 polegadas, piloto automático de quatro eixos e homologação para operação com um ou dois pilotos. As operações militares, por doutrina, sempre contarão com dois pilotos, mas, para os demais serviços de emergência, incluindo os privados e os de segurança pública, essa versatilidade permite ao operador ganhar mais espaço para equipamentos médicos e de resgate ou aumentar a autonomia.

Os assentos utilizam tecnologia de absorção de impacto, enquanto o compartimento de cargas, de 6,03 m³, se destaca pelo amplo vão livre e pelo acesso facilitado por meio de portas corrediças de 216 x 113 cm (laterais) e duas portas traseiras tipo concha de 140 x 99 cm. Internamente, o compartimento tem 3,44 m de comprimento, 1,57 m de largura máxima e 1,27m de altura.

O modelo é versátil e foi desenvolvido para ser reconfigurado rapidamente para cumprir diversos tipos de missão. Além de os acessos à cabine serem amplos, o assoalho é equipado com sistema de engate rápido para assentos ou suportes de sistemas.

Para voos de transporte, é capaz de levar até 10 soldados equipados, além de permitir outras configurações. Em missões de resgate, é possível transportar duas macas, dois pilotos e três profissionais de saúde, além dos equipamentos de suporte à vida.

Em missões policiais, pode transportar um time tático equipado ou adotar uma configuração mista, com um operador de sensor para missões de inteligência e comando e controle.

Para operações com carga, a aeronave pode içar até 1.600 kg no gancho ventral ou resgatar pessoas por meio do guincho, que suporta até 303 kg e possui cabo de 90 metros de comprimento.

Versões armadas

A Airbus Helicopters oferece o sistema HForce, que transforma o H145 em uma plataforma apta para missões de apoio de fogo, escolta, ataque leve e inteligência.

São, ao todo, quatro opções. A 0 não inclui o armamento em si, mas a aeronave já é produzida com reforços estruturais, pontos de fixação dos pilones, interfaces e instalação elétrica completa. 

A opção 1 é voltada para escolta armada, com armamento convencional composto por uma combinação de pod de metralhadora FN Herstal HMP400 calibre .50, com 400 tiros; canhão Nexter NC621 de 20 mm, com 180 tiros; e pods Thales FZ231 para 12 foguetes de 70 mm e LR 68-12 L para 12 foguetes de 68 mm. Os pilotos têm à disposição o capacete com mira acoplada Thales Scorpion.

A opção 2 abrange os sistemas da primeira, agregando o sensor eletro-óptico L3 Wescam MX-15, que amplia a capacidade de busca e aquisição de alvos, além de possibilitar a condução de missões de reconhecimento e inteligência.

A opção 3 é a mais completa. Somando-se aos recursos das anteriores, nela a tripulação conta com armamento guiado ar-solo. Até o momento, foram testados e integrados os foguetes guiados a laser Thales FZ275, de 70 mm, e o míssil Rafael Spike ER2. Caso os helicópteros sejam adquiridos pelo Brasil, por meio de um contrato negociado com o Ministério da Defesa para 50 exemplares, o pacote do H145M mais o HForce poderá suprir os planos de desenvolvimento do programa Sistema de Armamento Axial e Imageamento para Helicóptero (SiAAIH) do Exército que contempla a adoção de mísseis guiados, sensores para aquisição de alvos e capacetes com mira montada para a frota de Fennec e Pantera.

As missões operacionais de ataque e apoio de fogo exigem que a plataforma seja equipada com sistemas de guerra eletrônica e de contramedidas. O H145M recebeu sensores que alertam para emissões de radar e laser, além de sistemas de alerta de aproximação de mísseis. Para aumentar a capacidade de sobrevivência diante dessas ameaças, o H145M pode dispor de lançadores de “chaff” e “flare”, além de proteção balística, tanques autosselantes e supressores de assinatura infravermelha instalados nas saídas dos gases dos motores.

As características

H145M

Rotor principal: cinco pás, 10,8 m de diâmetro
Altura: 3,98 m
Largura da fuselagem: 2,72 m
Distância do solo: 0,45 m
Peso vazio: 1.792 kg
Peso máximo de decolagem: 3.800 kg
Carga externa/interna: 1.600 kg / 1.905 kg
Velocidade máxima: cerca de 240 km/h
Alcance: 638 km
Autonomia: 3h32 (ou 4h20 com tanque externo)
Teto operacional: 20.000 pés

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