Super Tucano entra no radar da Letônia para combate a drones

Embraer/Divulgação

A Força Aérea das Forças Armadas Nacionais da Letônia está avaliando o A-29 Super Tucano como uma possível plataforma para defesa contra drones. O interesse pelo turboélice brasileiro foi confirmado pelo comandante da organização, coronel Viesturs Masulis, em entrevista ao podcast Droši ir zināt, do canal Sargs.lv.

Masulis afirmou que a Letônia iniciou contatos com a Embraer em julho, durante a conferência Global Air & Space Chiefs, realizada em Londres. Na ocasião, o comandante e outros oficiais se reuniram com representantes da indústria de defesa para discutir novas soluções destinadas ao combate de drones, além de alternativas de aeronaves leves para treinamento e missões de combate.

O interesse pelo Super Tucano, contudo, ainda não representa uma decisão de compra. Masulis ressaltou que a aquisição e operação de uma aeronave desse tipo exigiriam “recursos financeiros expressivos”. Mesmo assim, afirmou que pretende recomendar o A-29 ao seu sucessor, o coronel Edmunds Svenčas.

Entre jatos supersônicos veteranos e estreantes, Super Tucanos no SALITRE 2026 são reflexo do sucesso aeronáutico brasileiro
A-29 Super Tucanos da Colômbia e Chile.

“Ao passar o bastão para o próximo Comandante da Força Aérea, certamente o incentivarei a se concentrar nessas aeronaves, não como aeronaves clássicas, mas como plataforma de defesa aérea, especialmente para combater alvos de voo lento e drones”, afirmou.

A possibilidade de utilizar o Super Tucano nesse papel está relacionada à busca por alternativas de menor custo para combater sistemas aéreos não tripulados. A proliferação de drones em conflitos recentes demonstrou o impacto que aeronaves não tripuladas de baixo custo podem produzir, ao mesmo tempo em que expôs o problema da utilização de sistemas de defesa muito mais caros para interceptá-las.

Nesse cenário, uma aeronave tripulada equipada com sensores, armamentos e sistemas de apoio apropriados poderia complementar os sistemas convencionais de defesa aérea, especialmente contra alvos lentos e de menor valor.

Segundo Masulis, o governo letão já destinou mais de € 1 bilhão ao fortalecimento da defesa aérea do país. Parte desse investimento poderá ser direcionada a soluções aéreas, incluindo uma eventual plataforma como o Super Tucano. “Assim que os cálculos financeiros e de fornecimento específicos forem recebidos dos fabricantes, uma análise detalhada e um plano de ação subsequente serão elaborados”, afirmou o comandante.

Primeiro avião de combate desde os anos 1990

Criada em 1919, desativada após a ocupação soviética em 1940 e restabelecida em 1992, a Força Aérea Letã não possui atualmente caças ou aeronaves de combate de alto desempenho em seu inventário.

Sua frota é composta por poucos biplanos de transporte Antonov AN-2, treinadores Pelegrin Tarragon e helicópteros Mil Mi-17 e UH-60 Black Hawk. A defesa do espaço aéreo letão é realizada pela OTAN desde 2004, por meio da missão de Policiamento Aéreo do Báltico, que mantém destacamentos de caças de diferentes países membros da aliança nos Estados Bálticos. Atualmente, a missão envolve Eurofighter Typhoon italianos e F-16 Fighting Falcon turcos destacados nas bases de Šiauliai, na Liutânia, e Amari, na Estônia.

Caso Riga avance com a aquisição do A-29, o Super Tucano se tornaria o primeiro avião de combate operado pela Letônia desde a restauração de sua independência. A escolha também representaria uma mudança importante no perfil da Força Aérea, que passaria a contar com uma plataforma própria para missões de combate e defesa aérea de baixa intensidade.

Drones aceleram busca por novas soluções

A possibilidade de aquisição ganhou relevância diante de episódios recentes envolvendo a invasão do espaço aéreo letão por drones provenientes da região do conflito entre Rússia e Ucrânia. A utilização crescente desses sistemas em missões de reconhecimento e ataque tem levado países europeus a buscar alternativas para ampliar a proteção de seu espaço aéreo.

Conforme exposto em recente artigo de Tecnologia & Defesa, além da eficácia, o custo tornou-se um dos principais fatores nessa equação. Drones relativamente baratos podem exigir o emprego de mísseis e outros sistemas de interceptação que custam dezenas ou centenas de vezes mais, criando um problema de sustentabilidade para as defesas aéreas, mesmo aquelas que dispõem de mais recursos financeiros.

Embraer já tem parceria com a Valkyrie para aprimorar capacidades antidrone do A-29 Super Tucano (Divulgação)
Embraer já tem parceria com a Valkyrie para aprimorar capacidades antidrone do A-29 Super Tucano (Divulgação)

É nesse espaço que o Super Tucano pode encontrar uma oportunidade. Desenvolvido pela Embraer como uma aeronave multimissão, o A-29 já possui experiência operacional em missões de ataque leve, reconhecimento armado, patrulhamento e treinamento avançado.

A combinação entre baixo custo operacional, autonomia, capacidade de permanecer longos períodos em voo e possibilidade de integração de diferentes sensores e armamentos torna o A-29 uma valiosa alternativa para missões contra alvos de baixa velocidade. Nesse cenário, a Embraer já uniu forças com a norte-americana Valkyrie para ampliar as capacidades C-UAS do Super Tucano através do agente Inteligência Artificial Gunslinger.

No caso letão, porém, ainda será necessário definir os requisitos operacionais, os custos de aquisição e operação e quais sistemas de sensores, armas e inteligência artificial seriam integrados à plataforma. Por enquanto, o A-29 permanece como uma das opções favoritas avaliadas por Riga para ampliar sua capacidade de defesa contra drones.

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