A Força Aeroespacial Colombiana (FAC) deu mais um passo rumo à aquisição do Embraer KC-390 Millennium. Documentos obtidos pela Rádio Caracol indicam que o governo colombiano pretende iniciar, entre 2027 e 2028, os pagamentos para a compra de duas aeronaves, em um contrato estimado em US$ 366,4 milhões.
Segundo a emissora, a proposta apresentada pela Embraer contempla não apenas os cargueiros, mas também um pacote completo de suporte logístico por 24 meses, treinamento de pilotos e técnicos, equipamentos de apoio em solo e o traslado da primeira aeronave para a Colômbia, cuja entrega está prevista para ocorrer até 30 de outubro de 2029.
O cronograma financeiro prevê um pagamento inicial de US$ 128,8 milhões a partir de 2027. As parcelas seguintes serão liberadas conforme o avanço da produção e a entrega das aeronaves e dos equipamentos associados.
Ainda de acordo com os documentos revelados pela Rádio Caracol, o primeiro KC-390 será entregue em sua configuração completa, incluindo pods para reabastecimento em voo, tanques auxiliares, kit de evacuação aeromédica com macas, sistemas de autoproteção e contramedidas eletrônicas, rádios criptografados e outros equipamentos destinados a ampliar a capacidade operacional da aeronave.

Embora a compra ainda não tenha sido oficialmente anunciada pelo governo colombiano nem pela Embraer, a documentação indica que as negociações já avançaram da fase de estudos para a apresentação de propostas formais. Em entrevista recente, o ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez Suárez, afirmou que o país tem uma verba reservada para comprar até 14 aviões de transporte tático pesado e 33 helicópteros.
O interesse da Colômbia pelo KC-390 remonta a 2010, quando o país aderiu ao programa como parceiro de desenvolvimento. Apesar disso, restrições orçamentárias impediram a aquisição da aeronave, mantendo a Força Aérea Colombiana dependente da veterana frota de Lockheed C-130 Hércules para as missões de transporte estratégico.
A renovação dessa capacidade ganhou prioridade após o acidente envolvendo um C-130, em março deste ano, que resultou na morte de 69 militares. O episódio gerou críticas do presidente Gustavo Petro à operação de aeronaves mais antigas, que acelerou o processo de substituição da frota.