A Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos (UAEAF) demonstrou um ganho para sua frota de caças Dassault Mirage 2000-9 ao integrar a bomba guiada Thunder P-32, desenvolvida pela HALCON, empresa pertencente ao EDGE Group. A novidade amplia a capacidade de ataque de precisão da aeronave, que continua desempenhando papel relevante, mesmo voando ao lado dos mais capazes F-16E/F Desert Falcon e com a iminente chegada dos Dassault Rafale F4.
Imagens divulgadas pelo próprio EDGE mostram um Mirage 2000-9 equipado com a Thunder P-32 e um pod de designação de alvos Sniper, da Lockheed Martin. A combinação permite à aeronave executar missões de ataque com maior precisão e flexibilidade, reforçando sua capacidade operacional.
A Thunder faz parte de uma família de kits de guiagem desenvolvidos para converter bombas convencionais em armamentos guiados de precisão. A versão P-32 é destinada às bombas Mk.82, de 230 kg, enquanto a P-31 equipa as menores Mk.81, de 120 kg. A solução reduz significativamente os custos em comparação ao desenvolvimento e aquisição de bombas inteligentes dedicadas.
O sistema utiliza navegação inercial combinada com posicionamento por satélite (INS/GPS) e pode receber um buscador laser semiativo (SAL), empregado contra alvos iluminados por designadores a laser, como o Sniper. Segundo o EDGE Group, a Thunder P-32 apresenta um círculo de erro provável (CEP) de três metros quando utiliza navegação INS/GPS associada ao guiamento laser. Operando apenas com INS/GPS, a precisão permanece em torno de 10 metros.

Outro destaque da configuração é o emprego do pod Sniper, um dos mais avançados sistemas de designação de alvos em operação atualmente. Integrado aos Mirage 2000-9 emiradenses desde 2020, o equipamento substituiu o pod Thales Shehab — versão local do Damocles — e trouxe comunalidade logística e operacional com a frota de F-16 Block 60 da UAEAF.
Embora tenha realizado seu primeiro voo há mais de quatro décadas, o Mirage 2000-9 permanece como um importante vetor de combate dos Emirados Árabes Unidos. A incorporação de novos sensores e armamentos demonstra que a aeronave continua recebendo atualizações para manter sua relevância operacional, mesmo diante da futura entrada em serviço dos 80 caças Dassault Rafale F4 adquiridos pelo país.
Ao mesmo tempo, a demonstração evidencia o avanço dos Emirados Árabes Unidos na capacidade de desenvolver armamentos nacionais e integrá-los a plataformas de origem estrangeira, um feito restrito a um grupo seleto de países. Essa autonomia reduz a dependência de fornecedores externos e fortalece a indústria de defesa local.