A Embraer e a norte-americana Anduril anunciaram nesta terça-feira (21), durante o Farnborough International Airshow 2026, a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) para estudar a integração do míssil de cruzeiro Barracuda-500M ao KC-390 Millennium. O armamento, lançado por meio de paletes, poderá ampliar significativamente as capacidades da aeronave brasileira, permitindo o emprego de munições de longo alcance sem comprometer suas funções tradicionais de transporte.
Desenvolvido pela Anduril, o Barracuda-500M – designado AGM-189 pela Força Aérea dos EUA – é um míssil de cruzeiro de baixo custo projetado para produção em larga escala. Sua versão paletizada permite que aeronaves de transporte lancem dezenas de munições em uma única missão utilizando sistemas roll-on/roll-off e procedimentos convencionais de lançamento aéreo, criando uma nova capacidade de geração de efeitos em massa a partir de plataformas logísticas.
Segundo as empresas, o objetivo da parceria é expandir o papel do C-390 para além da mobilidade aérea tática, incorporando capacidades de ataque stand-off com efeitos cinéticos e não cinéticos. A solução também atende aos conceitos de combate ágil e operações dispersas, cada vez mais valorizados pelas forças armadas ocidentais.
“Esta colaboração com a Anduril representa mais um passo importante na evolução do C-390 Millennium”, afirmou Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. Segundo o executivo, a integração ampliará a flexibilidade da aeronave e suas possibilidades de emprego em cenários modernos de combate.

Para Greg Kausner, vice-presidente sênior de Defesa Global da Anduril, a combinação entre o míssil Barracuda e o C-390 oferece aos operadores uma forma de gerar efeitos de longo alcance a partir de uma plataforma de transporte já comprovada, utilizando munições produzidas em escala e com custo reduzido.
O anúncio acompanha uma tendência crescente de transformar aeronaves cargueiras em vetores de ataque. Nos Estados Unidos, programas semelhantes vêm sendo estudados para ampliar rapidamente o número de plataformas capazes de lançar mísseis de cruzeiro e outras munições guiadas, aumentando a capacidade de saturação contra alvos estratégicos sem depender exclusivamente de bombardeiros ou caças.
O Barracuda-500M realizou seu primeiro voo bem-sucedido em setembro de 2024 e, desde então, acumulou dezenas de ensaios que validaram sua modularidade, desempenho e capacidades de autonomia colaborativa em rede. Recentemente, o sistema também foi selecionado em iniciativas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e teve sua produção licenciada na Polônia por meio de um acordo com a estatal Polska Grupa Zbrojeniowa (PGZ).
Já consolidado como uma das aeronaves militares de maior sucesso da indústria brasileira, o C-390 Millennium já foi adquirido ou selecionado por 12 países, incluindo Brasil, Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia e Lituânia.
Uma resposta
O Brasil deve fazer o próprio sistema de lançamento de mísseis no KC-390 porque numa eventual guerra contra os Estados Unidos não vamos ter problemas.