Delta reforçado: França conclui modernização de caças Mirage 2000D

Programa RMV entregou 52 caças Dassault Mirage 2000D modernizados. (DGA/Divulgação)

Mais de dez anos depois de iniciar um dos mais ambiciosos programas de atualização de sua aviação de combate, a França concluiu oficialmente a modernização da frota de Mirage 2000D. A Direction Générale de l’Armement (DGA) entregou à Armée de l’Air et de l’Espace o 50º e último caça atualizado dentro do programa Rénovation Mi-Vie (RMV), encerrando um ciclo iniciado em 2015 com o objetivo de transformar um projeto concebido durante a Guerra Fria em uma plataforma capaz de enfrentar os desafios operacionais das próximas décadas.

Embora o Rafale seja hoje o principal vetor de combate francês, o Mirage 2000D continuará desempenhando papel importante na estrutura da força aérea. A aeronave seguirá responsável por missões de ataque ao solo, apoio aproximado e operações expedicionárias, permitindo que os Rafale sejam concentrados em tarefas de maior complexidade, como superioridade aérea, dissuasão nuclear e futuras operações integradas.

O programa RMV promoveu uma importante ampliação das capacidades do Delta Biposto, que passou a incorporar um pod com dois canhões DEFA de 30 mm, eliminando uma das principais limitações do projeto original. Até então, o modelo dependia exclusivamente de cargas externas guiadas, característica herdada do Mirage 2000N, versão nuclear da qual se originou.

Programa RMV entregou 52 caças Dassault Mirage 2000D modernizados. (DGA/Divulgação)
Programa RMV entregou 52 caças Dassault Mirage 2000D modernizados. (DGA/Divulgação)

Ainda na área de armamentos, os antigos mísseis ar-ar Magic II deram lugar ao MICA IR, ampliando significativamente a capacidade de autodefesa. Sem perder a integração com SCALP-EG, um dos principais mísseis de cruzeiro no arsenal francês, o 2000D RMV pode empregar as bombas guiadas Enhanced Paveway II, que combinam orientação por laser e GPS. Nesse mesmo conjunto, o pod Thales TALIOS eleva o nível de consciência situacional e identificação de alvos durante missões de precisão.

Também houve uma renovação completa dos sistemas de missão. A cabine recebeu novos displays digitais, computadores mais rápidos e, principalmente, uma arquitetura aberta capaz de receber novos softwares com muito mais rapidez. Pela primeira vez, a própria Força Aérea Francesa poderá desenvolver aplicações específicas para a aeronave sem depender integralmente do fabricante, reduzindo custos e acelerando futuras evoluções.

Poucos caças europeus acumularam uma experiência operacional tão extensa quanto o Mirage 2000D. Desde sua entrada em serviço, em 1993, a aeronave participou praticamente de todas as operações militares conduzidas pela França nas últimas três décadas, passando pelos conflitos nos Bálcãs, Afeganistão, Líbia, Mali, Chade, Níger, Iraque e Síria.

Par de caças Mirage 2000D durante camapnha de testes operacional no Djibouti (DGA/Divulgação)
Par de caças Mirage 2000D durante camapnha de testes operacional no Djibouti (DGA/Divulgação)

Essa trajetória influenciou diretamente o programa RMV, onde muitas das melhorias implementadas nasceram de necessidades identificadas durante operações reais, em missões de apoio aéreo aproximado e ataques de precisão em ambientes assimétricos.

Antes da certificação final, dois exemplares modernizados passaram por uma campanha de ensaios em Djibouti, em agosto de 2021, onde enfrentaram temperaturas extremas e condições semelhantes às encontradas nas operações francesas na África e no Oriente Médio.

Com a entrega do último exemplar modernizado, a França garante que um de seus caças mais experientes continuará operando em alto nível tecnológico até 2035. Além dos 50 caças operacionais, um par de Mirage 2000D da DGA, usados como aviões de testes, também passaram pela modernização.

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Uma resposta

  1. Eu tive oportunidades de está bem perto dessas Engenharias aéreas na BANT – BASE AÉREA DE NATAL – RN, Sou da Reserva não remunerada….são foguetes com asas…
    super Aviões de combate….
    São Lendas do Ar.

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