Maior projeto cultural da FAB, Museu Aeroespacial Paulista é inaugurado em São Paulo

Sgt. Müller Marin/FAB/Divulgação

Novo complexo reunirá até 100 aeronaves e coloca o Campo de Marte entre os principais polos mundiais de preservação da história da aviação militar

A Força Aérea Brasileira (FAB) inaugurou nesta sexta-feira (3) o Museu Aeroespacial Paulista (MAPA), um projeto que promete transformar o Campo de Marte, em São Paulo (SP), em uma das principais referências mundiais na preservação da história da aviação. Fruto de mais de uma década de planejamento, o complexo nasce como o maior projeto cultural da história da FAB e já figura entre os cinco maiores museus de aviação militar do mundo.

A cerimônia marcou a ativação da Organização Militar responsável pelo museu e a abertura do Hangar Zero Uno, primeira etapa de um empreendimento que ocupará cerca de 100 mil metros quadrados nas instalações vizinhas ao Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP). O evento contou com a presença do comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, além de autoridades civis e militares.

“O museu contribuirá para fortalecer ainda mais a vocação turística e cultural desta capital, além de despertar o interesse dos jovens pela ciência, tecnologia e pelo setor aeroespacial”, afirmou o comandante da Aeronáutica durante a inauguração.

Mais do que um espaço de exposição de aeronaves, o MAPA foi concebido como um grande centro de difusão da cultura aeroespacial brasileira. Quando totalmente concluído, o complexo contará com dez hangares temáticos, áreas de convivência, oficinas de restauração, espaços imersivos, ambientes inclusivos voltados ao público com Transtorno do Espectro Autista (TEA), simuladores de voo, mirante para observação do Campo de Marte e uma ampla área externa destinada à exposição de aeronaves.

A iniciativa é resultado da parceria entre a FAB e o Museu Asas de um Sonho, antigo Museu TAM, permitindo reunir um dos mais importantes acervos aeronáuticos da América Latina. A expectativa é que o museu reúna cerca de 80 aeronaves — número que poderá chegar a 100 futuramente — entre exemplares históricos da FAB e da coleção do Asas de um Sonho.

Clássicos da Segunda Guerra Mundial, Spitfire e BF 109 do antigo Museu da TAM estão no acervo do MAPA. Sgt. Müller Marin/FAB/Divulgação
Clássicos da Segunda Guerra Mundial, Spitfire e BF 109 do antigo Museu da TAM estão no acervo do MAPA. Sgt. Müller Marin/FAB/Divulgação

Primeiros hangares já revelam proposta do museu

Apesar da dimensão do projeto, apenas uma pequena parcela do MAPA está aberta ao público nesta primeira fase. O Hangar Zero Uno funciona como porta de entrada para o complexo e já apresenta uma proposta bastante diferente dos museus tradicionais.

Logo na chegada, o visitante encontra uma ambientação completamente inspirada no universo da aviação, com hélices, capacetes, miniaturas, componentes aeronáuticos e até um lounge equipado com assentos ejetáveis reais. O espaço também abriga galerias dedicadas a Santos Dumont, Salgado Filho, antigos comandantes da Aeronáutica, uniformes históricos e uma linha do tempo sobre a evolução da aviação brasileira.

Entre os destaques estão uma maquete suspensa do 14-Bis, uma réplica em tamanho real da aeronave — doada pelo paraquedista Luigi Cani —, além do ultraleve Demoiselle e homenagens aos pioneiros do Correio Aéreo Nacional.

Ao lado do Hangar Zero Uno, parte do Hangar 05 já apresenta algumas das aeronaves que integrarão o futuro acervo permanente, dedicado à evolução da aviação civil e militar.

Segundo o diretor do MAPA, major-brigadeiro do ar Rodrigo Fernandes Santos, o que foi inaugurado representa apenas cerca de 2% de todo o projeto, cuja expansão deverá ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos anos.

Um grande desafio logístico

Colocar de pé um empreendimento dessa dimensão exigiu um esforço logístico pouco comum dentro da própria FAB.

O Grupamento de Engenharia de Campanha da Aeronáutica (GECAMP) foi responsável por adaptar os hangares, preparar a infraestrutura e instalar as estruturas necessárias para receber aeronaves, equipamentos históricos e peças de grande porte. Paralelamente, o Centro de Transporte Logístico da Aeronáutica (CTLA) percorreu mais de 25 mil quilômetros ao longo de 82 dias para transportar dez aeronaves históricas vindas de diferentes regiões do país.

Entre elas estão exemplares como o Messerschmitt Bf 109, Fokker T-22, T-27 Tucano, T-25 Universal, C-95 Bandeirante e o helicóptero AH-2 Sabre, considerado um dos transportes mais complexos da operação devido às suas dimensões, que exigiram adaptações específicas antes da viagem por rodovia.

Além das aeronaves, dezenas de peças históricas, mobiliário, equipamentos e artefatos foram transferidos de organizações militares como o Museu Aeroespacial (MUSAL), Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), Instituto de Estudos Avançados (IEAv) e diversos Parques de Material Aeronáutico.

H-34 Super Puma é um dos helicópteros em exposição no MAPA. Sgt. Müller Marin/FAB/Divulgação

História e arte dividem o mesmo espaço

Outro diferencial do MAPA é a aproximação entre patrimônio histórico e arte contemporânea.

A fachada do Hangar 05 recebeu um mural de aproximadamente 65 metros de comprimento criado pelo artista urbano Gabriel Menezes, o Mena, conhecido internacionalmente por seus trabalhos em grandes painéis. Inspirada na trajetória da aviação brasileira e em Santos Dumont, a obra se tornou a primeira intervenção artística desse porte realizada em uma organização militar brasileira.

Durante a cerimônia, Mena recebeu a Medalha Mérito da Cultura Tenente-Brigadeiro Deoclécio, concedida pela FAB a personalidades que contribuem para a preservação e difusão da cultura aeronáutica.

Muito além de um museu

Embora tenha sido oficialmente inaugurado, o MAPA ainda está longe de sua configuração definitiva. A ativação da Organização Militar responsável pelo complexo representa o início de uma nova etapa para um projeto que pretende transformar o Campo de Marte em um polo permanente de preservação da memória aeronáutica, educação, ciência e inovação.

Ao unir aeronaves históricas, experiências imersivas, tecnologia, pesquisa e espaços culturais, o novo museu reforça uma tendência observada nos principais museus aeronáuticos do mundo: preservar o passado enquanto inspira as próximas gerações de pilotos, engenheiros, pesquisadores e entusiastas da aviação. Se cumprir o potencial previsto pela Força Aérea Brasileira, o MAPA tende a se consolidar não apenas como um novo cartão-postal da aviação nacional, mas como uma das maiores vitrines da história aeroespacial brasileira.

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