KC-390: muitas oportunidades à frente

KC-390 reabastecendo caças F-39 Gripen através do método de sonda e cesta. Foto: Embraer/Divulgação.

Mais de 230 aviões de transporte tático da categoria de 23 toneladas em serviço no mundo ultrapassaram 45 anos de idade, enquanto outros 140, fabricados até o final dos anos 1980, estão próximos de completar 40 anos de operação. Os dados apresentados pela Embraer durante um encontro com a imprensa nacional e internacional, do qual a revista Tecnologia & Defesa participou, reforçam que, nos próximos 20 anos, há um mercado potencial para a venda de aproximadamente 450 aviões. E o KC-390 tem chances de abocanhar boa parte dessa fatia.

Apesar de boa parte dessa frota mundial ter passado por programas de modernização, trata-se de projetos baseados em conceitos de engenharia e soluções de materiais mais antigos. Além disso, as atualizações, em muitos casos, não se estendem aos sistemas hidráulicos, a parte do sistema elétrico e à estrutura como um todo, deixando esses projetos, em certa medida, obsoletos.

Ainda que existam variantes mais modernas de projetos consagrados, todos são derivados de programas que surgiram no século 20. Nesse cenário, o KC-390 se beneficia de ter nascido em meados dos anos 2000 e de ter incorporado, desde sua concepção, não apenas os requisitos da Força Aérea Brasileira (FAB). A experiência obtida junto à FAB resultou em soluções que impactam todo o ciclo operacional do avião. Da ergonomia aos aspectos táticos, tudo foi desenvolvido para facilitar o trabalho da tripulação. Desde o formato de uma porta, dos comandos dos sistemas, das manoplas e dos acessos aos sistemas até questões diretamente relacionadas à missão.

Por outro lado, o KC-390 incorpora em sua filosofia conceitos da aviação comercial, que impactam diretamente a disponibilidade e a despachabilidade dos voos, ou seja, o tempo em que a aeronave permanece em solo entre uma missão e outra. Essa facilidade, aplicada ao cargueiro bimotor de transporte tático da Embraer, é herdada da aviação comercial e atua como um multiplicador de força. Esses diferenciais têm garantido competitividade à Embraer.

De 2019 até hoje, a Embraer vendeu 38 KC-390 (desconsiderando os 18 exemplares do Brasil), mantendo-se líder no mercado internacional com 63,3% de participação, enquanto a Lockheed Martin comercializou 22 C-130J no mesmo período.

Treze países já escolheram o KC-390, sendo que dez formalizaram compras que totalizam 56 aeronaves, além de opções para outras 29. Dessas nações, sete são membros da OTAN.

As maiores oportunidades de vendas estão na Ásia (40% do mercado), seguida pelo Oriente Médio (20%), Europa (17%), África (13%) e América Latina (10%). Nesta última, países como Argentina, Bolívia, Equador, Peru, Uruguai, Chile e Colômbia dispõem de frotas bastante antigas e obsoletas, necessitando urgentemente de substituição. Desses, apenas Chile e Colômbia apresentam, hoje, maiores chances de adquirir o KC-390, podendo chegar a dez exemplares, tendo em vista que os demais devem optar por aeronaves usadas, provavelmente C-130H obtidos por meio do programa FMS dos Estados Unidos.

Produção otimizada

Durante o media day, a Embraer levou os jornalistas para visitar a linha de produção do KC-390. No hangar principal estava o exemplar destinado à Holanda. Em um hangar ao lado, quatro aeronaves dividiam a linha final de montagem ostentando suas respectivas pinturas. A mais adiantada, à frente, era um KC-390 da FAB, seguida pelo quinto exemplar de Portugal e por duas aeronaves da Áustria.

Em 2025, a cadência de produção do KC-390 era de quatro aviões por ano. A Embraer pretende produzir seis cargueiros em 2026 e atingir a marca de dez aeronaves anuais até 2030, como forma de atender à alta demanda prevista para os próximos anos.

Hoje, a Embraer participa de várias concorrências internacionais. Apesar de não mencionar oficialmente quais são os potenciais clientes, alguns são conhecidos publicamente, como África do Sul, Arábia Saudita, Chile, Colômbia, Egito, Grécia (que já aprovou a compra de três exemplares), Índia e Marrocos.

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Respostas de 5

  1. O MC 390 pode ser usado na aviação comercial de carga, ou é exclusivo para forças aéreas em operações militares?

    1. Pode, mas o seu valor de aquisição se torna inviável para essas companhias e mais vantajoso usar aviões convertidos de passageiros para carga.

  2. por ser um avião de múltiplos usos acredito que num futuro próximo ele terá uma configuração para a aviação comercial

    1. Não diria que é impossível, mas é pouquíssimo provável que isso ocorra. Companhia s aéreas buscam lucro e, por ser projetado para enfrentar situações que aviões comerciais sequer sonhariam, o 390 é muito caro em relação a eles. Caro tanto no valor de compra, quanto- principalmente- no valor de operação/manutenção.

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