A Airbus Helicopters apresentará durante a feira ILA Berlin o U145, uma nova aeronave não tripulada desenvolvida a partir do consagrado helicóptero H145. O projeto marca mais um passo da empresa no segmento de sistemas aéreos autônomos e amplia seu portfólio de soluções voltadas tanto para aplicações civis quanto militares.
Segundo a fabricante, o U145 combinará a estrutura, capacidade de carga e desempenho já comprovados do H145 com sistemas avançados de autonomia e inteligência artificial. O primeiro voo está previsto para o final de 2026, inicialmente com um piloto de segurança a bordo, enquanto a entrada em serviço é esperada para o início da próxima década.
“O U145 oferece aos clientes uma versão autônoma e não tripulada do H145, combinando uma plataforma amplamente testada com as capacidades de um sistema aéreo não tripulado”, afirmou Matthieu Louvot, CEO da Airbus Helicopters. A empresa também informou que pretende trabalhar com parceiros especializados em missões autônomas para expandir o ecossistema europeu de aeronaves não tripuladas.
O programa segue os passos do VSR700, drone de asas rotativas desenvolvido pela Airbus a partir do helicóptero Cabri G2. Diferentemente do H145 convencional, o U145 não terá cabine para tripulação. O espaço será adaptado para transporte de cargas, incluindo uma porta frontal integrada, mesa retrátil para carregamento e piso reforçado para operações logísticas.
At @ILA_Berlin, we introduce the Airbus U145: an uncrewed, fully autonomous variant of the H145. Optimised for cargo with no cockpit, an integrated nose door, and full autonomy, its first flight is set for late 2026. https://t.co/MbodUxYxyI pic.twitter.com/2EnMXzog6c
— Airbus Helicopters (@AirbusHeli) June 8, 2026
Com peso máximo de decolagem de 3.800 kg, o U145 está sendo desenvolvido inicialmente para missões de transporte de grandes volumes de carga. No entanto, a Airbus destaca que a arquitetura modular permitirá sua adaptação para diversas funções, incluindo gerenciamento de desastres, combate a incêndios, vigilância, reconhecimento armado, operações de “drone-mãe” para lançamento de munições e drones menores, além de missões de cooperação entre aeronaves tripuladas e não tripuladas.
Nesse último segmento, a Airbus já trabalha em parceria com a MBDA para desenvolver capacidades de lançamento de efeitos aéreos a partir da plataforma. O conceito segue uma tendência crescente entre as principais forças armadas do mundo, que buscam ampliar o alcance e a capacidade de sobrevivência de seus meios aéreos por meio da integração com sistemas não tripulados.
Nos Estados Unidos, a Airbus também participa de uma iniciativa semelhante. Em parceria com as empresas Shield AI, L3Harris e Parry Labs, a subsidiária Airbus U.S. Space & Defense oferece ao Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA o MQ-72C, uma versão totalmente autônoma derivada do helicóptero UH-72B Lakota.
Atualmente, mais de 1.800 helicópteros da família H145 estão em operação ao redor do mundo em missões civis, militares e de segurança pública, acumulando mais de 8,5 milhões de horas de voo. A ampla experiência operacional da plataforma é um dos fatores que a Airbus espera aproveitar para acelerar o desenvolvimento da nova variante não tripulada.