A revista Tecnologia & Defesa foi convidada pela Saab para uma press trip à Suécia, onde a empresa apresentou três de suas áreas de negócios. No dia 1º de junho, nas instalações da empresa em Linköping, Mikael Franzén, vice-presidente e Chief Marketing Officer (CMO) comentou alguns temas relacionados à área de negócios Aeronautics (Aeronáutica).
Abaixo, compartilhamos algumas das respostas fornecidas pelo executivo durante a coletiva.
T&D: Os caças Gripen E da Colômbia e da Tailândia poderão ser produzidos no Brasil, pela Embraer?
Franzén: Existem duas linhas de produção: uma na Suécia e outra no Brasil, e nós iremos direcionar a produção para ambas para obter a melhor eficiência possível e atender às demandas e aos prazos. Mas sim, alguns dos exemplares destinados a clientes internacionais deverão sair da linha de produção do Brasil.
Não podemos esquecer que a AEL Sistemas produz aviônicos do Gripen, como o Wide Area Display (WAD), o Head-Up Display (HUD) e o Helmet Mounted Display (HMD) para todos os Gripen da Tailândia, do Brasil e da Colômbia, além de futuros clientes.

T&D: E sobre a linha de produção das aeroestruturas do Gripen em São Bernardo do Campo?
Franzén: Nós produzimos as aeroestruturas da fuselagem dianteira do Gripen E e a fuselagem traseira, o cone de cauda e o freio aerodinâmico que podem servir ao Gripen E e ao Gripen F.
Essa capacidade na Saab Brasil é estratégica para a produção do Gripen e hoje temos condições de expandi-la para atender às demandas mundiais, uma vez que ela faz parte da cadeia global do Gripen. O time de brasileiros, que foram treinados na Suécia, hoje tem condições de treinar mais pessoal e aumentar os recursos humanos altamente especializados no país.

T&D: Como uma provável compra do Gripen E pela Ucrânia afeta a linha de produção?
Franzén: A compra da Ucrânia pode chegar a 150 aviões, mas será feita de maneira progressiva, lote por lote. O primeiro está previsto para até 20 aviões. Nós estamos avaliando uma ampliação da capacidade global de produção, e nós precisaremos expandir a produção aqui e no Brasil.
Dependendo de quantos aviões forem vendidos, outras linhas poderão ser abertas. Hoje, podemos produzir 20 aviões por ano e estamos procurando passar essa capacidade para 30 aviões por ano. Mas, dependendo do cenário, poderemos ampliar ainda mais.

T&D: Falando sobre o Gripen para a Colômbia, quando e qual versão chegará primeiro? O Gripen E ou o Gripen F?
Franzén: Os primeiros exemplares serão do Gripen E, e as entregas estão previstas para o final de 2028.
T&D: O México manifestou interesse em renovar a sua frota de caças Northrop F-5. O governo mexicano ou a Saab manifestou interesse em comprar ou fornecer o Gripen?
Franzén: Nós temos uma equipe no país e estamos em um estágio inicial. Até o momento, ainda não apresentamos uma proposta.

T&D: Quando os agentes de inteligência artificial para o Gripen E estarão disponíveis? E essa capacidade estará acessível para o Brasil?
Franzén: Neste momento, estamos realizando testes com vários agentes de inteligência artificial para o Gripen. Eles estão constantemente em evolução e vamos disponibilizá-lo operacionalmente o mais rápido possível, inclusive para o Brasil.
Pode ser que algum cliente tenha especificações ou características próprias que deseje incorporar, e, nesse caso, precisaremos desenvolver funcionalidades adicionais. Mas a velocidade de desenvolvimento também depende da urgência do cliente.

No momento, estamos focados em uma solução de apoio ao combate além do alcance visual (BVR), um cenário complexo que envolve radar, oponentes, mísseis, interferidores e outros fatores. Mas esse sistema será tratado em contratos à parte.