Exército Brasileiro reestrutura programa ASTROS e unifica artilharia de campanha, foguetes e antiaérea

O Exército Brasileiro (EB) oficializou a reestruturação do seu Portfólio de Programas Estratégicos por meio da Portaria nº 1.703 do Estado-Maior do Exército, publicada em março deste ano. Entre as principais mudanças está a atualização do Programa ASTROS, que passa a se chamar ASTROS – FOGOS, consolidando em uma única estrutura as iniciativas de Artilharia de Campanha de Tubo, Mísseis e Foguetes e Defesa Antiaérea. A medida busca ampliar a integração entre capacidades, otimizar recursos e fortalecer o poder de combate da Força Terrestre.

Segundo o Exército, a reformulação faz parte do processo de transformação da Força, alinhando planejamento, execução e governança dos projetos estratégicos. O programa é gerenciado pelo Escritório de Projetos do Exército (EPEx), subordinado ao Estado-Maior do Exército. Para o chefe do EPEx, General de Divisão Everton Pacheco da Silva, a unificação dos projetos de Artilharia em uma única iniciativa já era um objetivo antigo da instituição, agora viabilizado pelo novo ciclo de transformação e pelos recursos previstos na Lei Complementar 221.

Artilharia de Campanha

Dentro da nova estrutura, o Subprograma de Artilharia de Campanha concentra projetos ligados à modernização dos sistemas de tubo, com destaque para o Sistema Digitalizado de Artilharia de Campanha (SISDAC). Desenvolvido com participação da Base Industrial de Defesa nacional, o sistema integra sensores, comunicações, navegação e direção de tiro em um ambiente unificado, reduzindo significativamente o tempo entre a identificação do alvo e a execução do disparo.

EB/Divulgação

O SISDAC também automatiza cálculos balísticos e permite o compartilhamento de dados em tempo quase real entre observadores, centros de comando e unidades de tiro, substituindo processos manuais por fluxos digitais integrados.

Outro destaque é a modernização dos obuseiros autopropulsados M109. A variante M109 A5+ BR recebeu novos sistemas de pontaria automáticos, rádios digitais e integração com o sistema de controle de fogo Gênesis, desenvolvido pela IMBEL. Já as versões A3 e A5 passaram por revitalizações e integração ao SISDAC. Armados com canhões de 155 mm, os obuseiros possuem alcance superior a 30 quilômetros.

Mísseis e Foguetes

Na área de foguetes e mísseis, o novo Subprograma Sistema de Artilharia de Campanha de Mísseis e Foguetes mantém foco no fortalecimento da capacidade de apoio de fogo estratégico de longo alcance e alta precisão. O destaque permanece com o Sistema ASTROS, principal capacidade de artilharia de saturação do Exército Brasileiro.

Desenvolvido no Brasil pela Avibras, o sistema permite o lançamento de diferentes foguetes e mísseis a partir da mesma plataforma. Atualmente, as munições operacionais cobrem distâncias entre 9 e 150 quilômetros, enquanto o míssil tático de cruzeiro em desenvolvimento deverá alcançar 300 quilômetros.

Disparo e testes do MTC durante a Operação ASTROS XVII, em feveereiro de 2019 (Foto: EB)

As viaturas ASTROS possuem autonomia de cerca de 600 quilômetros e contam com cabines blindadas contra estilhaços e disparos de armas leves. Uma bateria operacional inclui lançadoras, viaturas remuniciadoras, centros de direção e controle de tiro, unidades meteorológicas e estruturas de comando e controle.

Sistemas Antiaéreos

Já o Subprograma de Defesa Antiaérea concentra os esforços voltados à modernização dos sistemas já existentes e à obtenção de novas capacidades de baixa, média e grande altura. Segundo o Exército, o objetivo inclui tanto a modernização das organizações militares quanto a ampliação da participação da Base Industrial de Defesa nacional no desenvolvimento de tecnologias críticas.

Com a criação do ASTROS – FOGOS, o Exército Brasileiro consolida em um único eixo estratégico seus principais projetos ligados à Artilharia, reforçando a integração operacional e buscando aumentar a eficiência na gestão de recursos e capacidades da Força Terrestre.

Via Exército Brasileiro.

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