A Força Aérea de Honduras (FAH) deu, no último sábado (23), um importante passo na recuperação de suas capacidades aéreas ao colocar novamente em voo um Embraer T-27 Tucano após mais de uma década fora de operação. O turboélice brasileiro decolou da Base Aérea Coronel Enrique Soto Cano, localizada no Aeroporto Internacional de Palmerola.
A aeronave, matrícula FAH 257, permaneceu parada por aproximadamente 13 anos e passou por um amplo processo de revitalização. O trabalho incluiu revisão estrutural completa, manutenção do motor e substituição dos antigos instrumentos analógicos por um moderno pacote aviônico da Garmin, composto pelos sistemas G600TXi, GTN650, GM345 e GI275. A pintura camuflada também deu lugar a um esquema cinza.
O programa de modernização durou cerca de oito meses e foi realizado pela empresa norte-americana Partex Aviation Services em parceria com a brasileira Tailwind Parts. Segundo o coordenador de manutenção José Bento Ferreira Filho, este é o primeiro de três Tucanos hondurenhos que passarão pelo mesmo processo.
A contratação da modernização das próximas aeronaves, matrículas FAH 251 e 256, já está em andamento e deverá consumir cerca de seis meses por avião.



Honduras foi o primeiro cliente de exportação do Embraer Tucano, um dos maiores sucessos comerciais da indústria aeronáutica brasileira. A FAH recebeu 12 aeronaves entre 1984 e 1986, matriculadas de 0250 a 0261. Os aviões substituíram os veteranos North American T-28 Trojan e passaram a operar na Academia de Aviação Militar em Palmerola, inicialmente em missões de treinamento avançado e conversão operacional para os caças F-5E/F Tiger II e A-37 Dragonfly.
Apesar da função principal de treinamento, os Tucanos hondurenhos também receberam capacidade de combate. Os aviões operaram com bombas Mk.81 e Mk.82, casulos lançadores de foguetes Avibrás 70/7M5A de 70 mm e pods FN Herstal Twin MAG, armados com duas metralhadoras MAG 58P calibre 7,62 x 51 mm.
Os T-27 foram amplamente utilizados em operações de combate ao narcotráfico, especialmente na interceptação de aeronaves leves empregadas pelo crime organizado. Segundo o livro EMB-312 Tucano – Brazil’s Turboprop Success Story, estima-se que os Tucanos hondurenhos tenham derrubado mais de 40 aeronaves ligadas ao tráfico de drogas. Ao longo da operação, três exemplares foram perdidos em acidentes entre 1987 e 2004.