Mais um tradicional operador do Northrop F-5 Tiger II se prepara para encerrar a trajetória do caça. A Força Aérea da Coreia do Sul (ROKAF) decidiu antecipar para 2027 a aposentadoria de sua frota de F-5E/F, encerrando décadas de operação de um caça símbolo da Guerra Fria. A decisão foi anunciada pelo Chefe do Estado-Maior da ROKAF, General Son Seok-rak, durante coletiva em Seongnam, na última quarta-feira (13).
Originalmente, os F-5 sul-coreanos deveriam permanecer em serviço até 2030. Agora, segundo o general, a intenção é retirar os aviões “de forma honrosa” antes do fim do próximo ano. A mudança reflete tanto o avanço do programa KF-21 Boramae quanto a crescente dificuldade em manter operacional uma plataforma desenvolvida nos anos 1970 diante das exigências do ambiente de combate moderno.
A Coreia do Sul é historicamente uma das maiores operadoras do F-5 no mundo. Desde os anos 1960, o país adquiriu mais de 360 aeronaves das variantes Freedom Fighter e Tiger II, incluindo exemplares produzidos localmente. Atualmente, restam menos de 100 F-5E/F em operação, muitos deles já bastante desgastados e sem grandes modernizações estruturais ou eletrônicas ao longo da vida útil.
O principal fator para a aposentadoria antecipada é o avanço do KAI KF-21 Boramae, primeiro caça moderno totalmente projetado pela indústria sul-coreana. O programa atingiu marcos importantes nos últimos meses e se aproxima rapidamente da entrada em serviço operacional. O jato realizou seu primeiro voo em 2022 e, em março deste ano, teve o roll-out da primeira unidade de produção seriada. No início de maio, o modelo recebeu aprovação para prontidão inicial de combate.

Desenvolvido para substituir justamente os F-5 Tiger II e os F-4 Phantom II — este último já aposentado pela ROKAF em 2024 — o KF-21 simboliza um salto estratégico para a indústria aeroespacial sul-coreana. Segundo o CEO da KAI, Kim Jong-chul, as primeiras aeronaves de série já passam por testes antes da entrega oficial à Força Aérea, prevista para setembro.
A fabricante espera produzir mais de 20 caças por ano inicialmente, com potencial de elevar o ritmo para 30 ou até 40 aeronaves anuais mediante novos investimentos. Kim destacou ainda a a independência tecnológica como dos mais estratégicos do programa: “O fato de agora termos nossas próprias aeronaves significa que podemos acoplar e testar armamentos em nossa própria plataforma”, afirmou. “Isso criou as condições para integrarmos armamentos desenvolvidos internamente.”
Além da modernização da aviação tripulada, a ROKAF também acelera projetos voltados para guerra não tripulada e inteligência artificial. Durante a coletiva, o General Son afirmou que a Força Aérea pretende incorporar sistemas não tripulados de baixo custo inspirados em drones de ataque em massa, como o LUCAS (versão americana do Shahed iraniano) ainda no início da década de 2030.
A meta de longo prazo da Coreia do Sul é ainda mais ambiciosa: desenvolver um piloto baseado em inteligência artificial até a década de 2040 e iniciar a transição gradual para esquadrões de combate não tripulados. O movimento acompanha uma tendência crescente nas principais forças aéreas do mundo, que buscam combinar aeronaves tripuladas avançadas com drones autônomos e sistemas cooperativos de combate.