USMC vai aposentar caças F/A-18 Hornet em 2030

Caças F/A-18 Hornet do esquadrão VMFA-232 Red Devils. (Foto: Lance Cpl. Erick Reyes/Fuzileiros Navais dos EUA)

O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) está cada vez mais próximo de encerrar a trajetória operacional do clássico McDonnell Douglas F/A-18 Hornet. Um memorando divulgado recentemente pela corporação confirma a baixa completa dos caças em 2030, encerrando uma história de quase cinco décadas do modelo na aviação naval norte-americana.

O documento também confirma que o USMC já começou a desmontar parte da estrutura de suporte ao Hornet. A corporação encerrou a formação de novos especialistas de manutenção ligados ao caça, incluindo mecânicos de motores, técnicos de sistemas elétricos e de navegação, especialistas em estrutura e sistemas de segurança. Segundo o texto, a medida faz parte da transição para uma frota totalmente composta por aeronaves de 5ª geração “para combater hoje mesmo os adversários da nação”.

De acordo com o portal Marine Corps Times, militares que atualmente atuam nessas especialidades poderão migrar para funções relacionadas ao Lockheed Martin F-35 Lightning II, se requalificar em outras áreas ou deixar o serviço ao fim de seus contratos de alistamento.

F/A-18C Hornet do USMC decolando do porta-aviões nuclear USS John C. Stennis. (Foto: Michael Arteaga/Marinha dos EUA)
F/A-18C Hornet do USMC decolando do porta-aviões nuclear USS John C. Stennis. (Foto: Michael Arteaga/Marinha dos EUA)

O processo de retirada do Hornet já vinha se desenrolando há anos. Em 2018, o USMC desativou o Marine Fighter Attack Training Squadron 101 (VMFAT-101) “Sharpshooters”, unidade dedicada exclusivamente à formação de pilotos do F/A-18. Desde então, os novos aviadores passaram a ser treinados diretamente em um esquadrão de linha de frente. Em 2021 os Hornets encerram as atividades a bordo dos porta-aviões, passando a operar exclusivamente de bases terrestres.

Desenvolvido a partir do protótipo Northrop YF-17 Cobra, o Hornet entrou em operação em 1983 justamente na aviação do USMC, tornando-se o primeiro caça multifunção moderno dos Estados Unidos. O modelo substituiu simultaneamente os veteranos McDonnell Douglas F-4 Phantom II e LTV A-7 Corsair II, consolidando-se rapidamente como um dos principais vetores embarcados da aviação naval norte-americana.

Suas primeiras vitórias ar-ar vieram em janeiro de 1991 na Operação Tempestade no Deserto, quando um par de F/A-18A da Marinha abaterem dois MIG-21 Fishbed iraquianos, quase simultaneamente.

F/A-18D Hornet do VMFA(AW)-224 Fighting Bengals (Foto: corporal Paul Leicht/USMC)
F/A-18D Hornet do VMFA(AW)-224 Fighting Bengals (Foto: corporal Paul Leicht/USMC)

Mesmo próximo da aposentadoria, os chamados “Legacy Hornets” seguem sendo o principal cavalo de batalha da aviação dos Fuzileiros Navais. Atualmente, quase 180 aeronaves ainda permanecem em operação. Parte significativa da frota — 98 aviões — passou recentemente por um importante programa de modernização, recebendo o radar AESA AN/APG-79(V)4, o mesmo utilizado nos Boeing F/A-18E/F Super Hornet e nos aviões de guerra eletrônica Boeing EA-18G Growler.

Além dos Estados Unidos, o F/A-18 Hornet segue em operação no Canadá, Malásia, Kuwait, Finlândia, Espanha e Suíça, embora alguns desses operadores também já tenham iniciado processos de substituição.

A aposentadoria do Hornet faz parte de uma transformação mais ampla da aviação do USMC. Além do F/A-18, os Fuzileiros também se preparam para encerrar a operação dos icônicos McDonnell Douglas AV-8B Harrier II. Os jatos de decolagem e pouso vertical deverão deixar o serviço ativo já em junho de 2026, encerrando mais um capítulo histórico da aviação militar norte-americana.

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