A Força Aérea Mexicana (FAM) iniciou os estudos para substituir sua pequena e envelhecida frota de Northrop F-5E/F Tiger II. Durante o Tulum Air Show 2026, o comandante da força, general Román Carmona Landa, confirmou que o país já deu início ao processo de retirada dos únicos jatos supersônicos em operação no México, com a intenção de adquirir 12 aeronaves de combate até 2028.
A trajetória dos F-5 na FAM remonta ao final dos anos 1970, quando o México tentou modernizar sua aviação de caça. Após ter a compra de caças bloqueada pelo Congresso dos Estados Unidos (incluindo uma tentativa de adquirir o IAI Kfir C.1) o país conseguiu, em 1982, incorporar 12 unidades do F-5 por meio do programa Peace Aztec. Os jatos passaram a operar no Escuadrón Aéreo de Defensa 401, baseado em Santa Lucía, marcando a entrada da FAM na era supersônica.
Apesar do salto operacional à época – especialmente em relação ao Lockheed T-33 T-Bird, então o vetor mais avançado da força – os F-5 mexicanos nunca passaram por programas significativos de modernização, como os realizados no Brasil, Chile, Tailândia e EUA.


Atualizações pontuais nos anos 1990 incluíram GPS, melhorias de navegação e a versão V5 do radar Emerson Electric AN/APQ-159. O armamento permanece limitado, com mísseis AIM-9P-3 Sidewinder, bombas da família Mk.80 e foguetes não guiados, refletindo o nível de obsolescência da frota.
Com o passar dos anos, acidentes reduziram o número de aeronaves de 12 para oito, com baixa disponibilidade operacional. Algumas fontes apontam que apenas três unidades estão em condições de voo. Esse cenário tem pressionado a FAM a buscar um novo avião de caça.
Gripen no páreo
Falando ao portal Janes, o general Carmona disse que o F-5 já está obsoleto e que estuda aeronaves para “sua substituição a curto e médio prazo”. Ele afirma que a FAM busca especificamente por um modelo multimissão “que possa fornecer defesa aérea, bem como missões de reconhecimento e ataque ao solo“.
Segundo o comandante da FAM, quatro caças estão sendo avaliados:
- Saab Gripen E/F. Em operação no Brasil e Suécia, o Gripen E/F se destaca pela alta disponibilidade e pela integração avançada de sensores e sistemas de guerra eletrônica. A plataforma pode empregar armamentos modernos, como o míssil de longo alcance MBDA Meteor, e apresenta assinatura radar reduzida (embora não seja stealth), além de baixo custo operacional. Apesar das várias qualidades, o Gripen enfrenta dificuldades em disputas internacionais onde há forte presença política e industrial dos Estados Unidos.
- Lockheed Martin F-16 Block 70/72. Versão mais recente do consagrado F-16, o Viper incorpora melhorias estruturais que elevam sua vida útil para até 12 mil horas, além do radar AESA AN/APG-83. Trata-se da evolução de uma das aeronaves de maior sucesso da história, com ampla base de operadores e cadeia logística consolidada, mantendo forte presença no mercado global mesmo sendo um projeto mais antigo.

- KAI FA-50 Fighting Eagle. Derivado do treinador avançado T-50 Golden Eagle, o FA-50 é um caça leve supersônico, com velocidade máxima de Mach 1.5 e capacidade de carga de até 5,4 toneladas de armamentos. Já empregado por países como Coreia do Sul, Tailândia, Polônia e Iraque, o modelo se posiciona como uma alternativa mais acessível para nações que buscam capacidade de combate com menor custo de aquisição e operação.
- Leonardo M-346FA (Fighter Attack). Variante LIFT (Lead-In Fighter Trainer) do treinador avançado M-346, o M-346FA combina características modernas, como cockpit com display panorâmico touchscreen, radar AESA, datalink Link 16 e sistemas atualizados de contramedidas eletrônicas em sua variante Block 20. A aeronave pode empregar uma ampla gama de armamentos, incluindo mísseis ar-ar como AIM-9 Sidewinder e IRIS-T, além de bombas guiadas JDAM e Paveway e mísseis ar-solo Brimstone.
Paralelamente ao programa de caça, o México também avança em outras frentes de modernização, com a compra de aeronaves de transporte C-130J-30 Super Hercules, helicópteros Sikorsky UH-60M Black Hawk, aeronaves Beechcraft King Air 360, além de drones de nível estratégico e novos radares de vigilância.
Essa nova disputa representa mais uma oportunidade para a Saab Gripen E/F ampliar sua presença na América Latina. Um mercado historicamente sensível, com cenários políticos voláteis e sensíveis à articulações estrangeiras. Embora tenha conquistado Brasil e Colômbia, o caça não venceu o F-16 no Peru.
No México, o delta-canard sueco terá que enfrentar a pressão direta de Washington, que acabou inclinando a balança a favor do modelo norte-americano em Lima. Esse padrão não é nem um pouco novo, mas tem se intensificado nos últimos anos, especialmente diante de uma política externa mais assertiva por parte dos EUA.